Atreves te a sonhar o ontem

Atreves te a sonhar o ontem

Longe no horizonte o velho telhado,
Caído e derrubado como o tempo,
Fumegante braseiro arde em silêncio,
No ar cansado dormente do cão pastor,
Pastos despidos abandonados,
Chocalhos pendurados, imoveis,
Rebanhos extintos, ausentes,
E tu, sentado sonhando o ontem!


Alberto Cuddel®
08/01/2016

O doce pinho hirto…

O doce pinho hirto…

já não morrem de pé como ontem…
as pedras ferem-me os pés, quelhos
neste céu verde que me cobre
apenas os pássaros, e eu… esse gritar doente
nem eles ou as águas me abafam os gritos
dou comigo sentado numa pedra, perdido neste mundo
olhando à minha volta alheio, indiferente a tudo
vejo a vida que passou por este corpo, qual borboleta
num voo irregular ziguezagueante e mudo
levantei um braço, como que a dizer, vai-te embora!
vida que me deixaste, qual sombra de mim a vegetar
o vento frio agreste me acorda e me desperta
do torpor em que caí, neste eterno arrastar
um caminho que me leva, que me traz, que me deixa
e um pinheiro que se agita, que me olha e me fita
uma ave que não identifico, asas curtas cor de ameixa
e uma mente inquieta que se ergue da pedra, fica…
olho-te ao longe na curva da estrada…
e penso… penso e não te vejo…
a estrada morreu… e o pinheiro caiu…
e eu? Onde me perdi eu…

Alberto Cuddel
24/05/2021
17:30
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha LXIV

A salvação profana!… ( o resgate)

A salvação profana!… ( o resgate)

Seja meu corpo insanidade no combate a tua loucura…

Resgato-te para mim das trevas, na insanidade da tristeza
Mostrar-te-ei a luz e a vida, neste voo sem retorno
Vem, vem comigo, descobre-te em mim
Ama-te, vive…
Finalmente vive…

Arranco-te definitivamente do inferno onde repousas
Voando nas núpcias da minha alma, faz-te imortal…

Encontra em mim a paz, a loucura, a paixão
A força que havias perdido, devora-me
Mas vive a luz que em ti deposito…

Não te quero demónio,
Não me quero anjo
Apenas mortais
Eu em ti
Tu em mim
E a vida que nos resta!

Pyxis de Andrade
18/03/2019
17:30

E eu, e tu

E eu, e tu

E eu e tu e esta vida castrada de onde não me basto, desmamo-me nessa dor de não ter vivido, nesse medo acutilante nem sei de que, mas dói sem moer sabendo o caminho, com medo de o fazer…

Voaste a cada beijo meu
Neste inferno que é céu
Entre a ilusão e sonho teu
No futuro que se perdeu!

E eu e tu e um passado que nunca aconteceu, e um futuro que no medo morreu!

António Alberto T. Sousa
21/10/2018
Sob Reserva Privada

Indignado com o Facebook!

 No passado dia 06/04/2018 tomei a decisão de não voltar a publicar poesia na rede Facebook, hoje estou impedido de publicar seja o que for por um bloqueio imposto de forma arbitrária e contrária às suas próprias regras. Esta noite pela 04:05 fuso de Lisboa a imagem abaixo foi denunciada, esta imagem faz parte do Poema do Dia 06/04/2018 alusiva ao purgatório. Não a considero ofensiva nem contendo nudez, neste momento aguardo serenamente o desenlace do recurso que enviei. Mas até fico contente que isto tenha acontecido, perdia muito tempo entre o perfil as 8 paginas e um grupo que mantinha, terei bem mais tempo para dedicar aqui ao blog. Irei publicar aqui as “centenas” de poemas que tenho espalhados por ai, irei fazer deste blog a ancora e arquivo de toda a minha actividade literária. Obrigado por me lerem!

António Alberto Teixeira Sousa

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Desisti de mim mesmo

Desisti de mim mesmo

Desisti de mim mesmo
De sonhar as noites
Ou desejar madrugadas

Carrego-te ao colo
Como quem abraça
Num coração apertado
Por ti, nada que não faça!

No querer absoluto
Em que a ti me dou
Adormeço feliz, sonhar
Na esperança do teu acordar!

Carrego ao colo a esperança
Braços que me abraçam
Virtude, saber esperar
O tempo, vontade de amar!

Tiago Paixão

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