O frio de um amanhã anunciado…

O frio de um amanhã anunciado…

não o digo, não o creio, mas sinto-o, mas sei-o…
amar-te-ei aqui agora, mas sei, sei que o frio chegará…

nesta loucura desmedida que o tempo nos dá
em que unimos os corpos unidos pela alma
em que na fúria do querer esquecemos a calma
em que do teu corpo absorvo a luz e maná…
somos, o que a vida nos impõe e nos concede
enquanto do amor matamos a fome e a sede…

o lume extinguir-se-á, o teu corpo não estará cá
eu na solidão sobreviverei, na companhia de ninguém
tu, tu viverás a tua vida, longe deste mundo e deste dia
somos o momento que a vida escolheu, que escolhemos,
entre a vida que fizemos, o amor? o amor é consequência
nas lagrimas que amanhã derramaremos, pelo medo que tivemos…

o frio chegará, amanhã talvez…
quando já nada existir em mim
que te recorde por fim…
nem o teu perfume
nem a cinza deste sentir…

Pyxis de Andrade
14/01/2019

Diário Branco

Diário branco

Definem-me pelo tudo que tenho, sendo o eu o nada que possuo
Nem os meus pensamentos gritados ao vento são posse minha,
Perdem-se na chuva de gritos perdidos nos ouvidos do mundo,
Espero apenas que a lua se deite, para que amanheça em mim,
E por fim, descanso, do cansaço que o pensamento me causa,
Noite branca, dormente na inquietude pensante total e vazia,
Fustigam-me ideias suicidas de novos versos e reversos poéticos,
Poema inacabado, borboletas que esvoaçam perdidas no mar,
Doce imagem do teu corpo nu, vestido com a alma apavorada
Triste solidão que te conforta, no vazio silêncio que a noite dita!

Ai de ti poeta das rimas feitas e frases vazias,
Onde te deitas? Tabuas negras e frias!

Tenho mais certezas que duvidas, pois duvido de todas a certezas,
As dúvidas que me assaltam, espreme-me, esvaziam-me
Deixam-me nu, nunca me acostumo a despir-me das palavras,
Nem à ideia de que as gaivotas fogem do mar,
Ou que sejam as andorinhas a comandar a Primavera,
A casa essa está fechada, nada aberto, nem porta nem janela,
-mesmo assim duvido, que mesmo fechada vivas nela.

Nunca esperei um fim, um principio,
Tudo segue um rumo, um destino,
Um sussurro, um abafado grito,
Desdigo-me, minto, finjo
Nem de ti, nem de mim, nada dela,
Que me contas, do tempo do nada?
Porque te finges ser um tudo,
Se no tudo que do alfabeto se pesca
És meramente actor, um mero poeta!

Alberto Cuddel®

Eu…

Eu…

sem voz e cheio de palavras
calo e grito filosofias
e grito e calo verdades
e esqueço os sonhos nunca sonhados
e os outros…
fui pai, plantei uma árvore, escrevi um livro, e outro, e outro…
e agora sonhar o que para amanhã…
se todos os sonhos do Homem morreram…

e atravessei a rua sem olhar…
com uma esperança vã
e comprei tabaco
e morro aos poucos
sem pressa…
porque há palavras a gastar
a ser escritas
a serem gemidas…

e vivo, sobrevivendo sem morrer
a uma dor que me consome…
há nessa floresta negra uma voz que me alegra
um bule que fala, uma rainha de copas
e tu… Alice…
nessa negritude iluminada, sem perspectiva do depois
e uma morte que não chega
um amor que não nasce,
alguém que se cala…
que não se mostra…

e tanto
tanto amor a dar…
soubessem eles o que é o amor
soubessem eles como receber o que há a entregar…

e veio o vento, e o transito em sentido contrário
e essa ideia de fim, sem vontade de acabar
apenas na esperança de um abraço, por quem o saiba dar…

Alberto Cuddel
03/08/2020
21:20

Poética da demência assíncrona…

Comentar ou não comentar eis a questão (ou as inconformidades da amizade)

Comentar ou não comentar eis a questão (ou as inconformidades da amizade)

Tenho me deparado várias vezes com respostas a comentários que faço a alguns poemas que leio, que me deixam verdadeiramente atónico, entendo que por norma um poema não é uma mensagem fechada ou hermética emanada pelo autor e dirigida ao leitor, a poesia é uma leitura livre, que na emoção das palavras nos permite a liberdade segundo a nossa herança emocional e de vivências, de uma interpretação livre externa ao autor que o produziu, sendo assim qual a razão de existirem autores que me corrigem a interpretação? Para isso não deviam escrever poesia, mas sim contos ou cronicas, a leitura poética é na sua essência um acto de liberdade.

Determinadas situações como essas deixam-me melindrado ao emitir opinião sobre um poema ou prosa poética, pois existem “poetas” que não permitem que o poema sobreviva por si mesmo, fecham a percepção das suas palavras ao seu mero entendimento emocional, e na poética, o que é para um motivo de lágrimas, para outro pode ser um motivo de regozijo, de celebração, o que para um é dor, para outro é amor…

Por isso faço-vos um apelo, cresçam com as várias formas de interpretação da vossa poética, não corrijam a interpretação, o poema é um livro aberto à imaginação, o poema depois de lido deixa de pertencer ao autor, faz parte de algo maior, faz parte da língua e do sentir colectivo.

A maioria de nós não vibra com comentários do género: “lindo”; “excelente”; “perfeito”; “maravilhoso”. Não é esse o comentário que nos faz grandes, que nos faz crescer, mas sim o comentário que nos dá algo de novo, que nos mostra outro caminho, que nos mostra que o leitor dialogou com a palavra, que leu e se emocionou, que leu e compreendeu segundo a sua forma de viver e percepção do mundo que o rodeia.

Se alguma vez ofendi alguém num comentário, peço desde já desculpa e perdão, mas por favor deixem-me ler e interpretar livremente sem que seja forçado a navegar pelo poema como se o mesmo fosse um caminho imutável… pois todo o poema é um caminho numa floresta, cheio de atalhos e sombras, cheio de luz e de escuridão, entre o tudo e o nada o poema é, meramente a verdade, a totalidade do seu oposto.

Permitam-me ter ainda a liberdade de dizer e pensar segundo o que sou…

Alberto Cuddel
19/05/2020
#textosdetudooudealgumacoisa

Perdoem-me, mas dói-me mais o silêncio que a escrita

Perdoem-me, mas dói-me mais o silêncio que a escrita

Dói-me dar por mim a pensar se devo ou não comentar, há verdadeiros mestres na interpretação dos comentários, construindo novelas até à exaustão, ao ponto de ter escrito o seguinte comentário: “admiro-a como mulher, na sua beleza e na forma despudorada com que se apresenta nas publicações e textos que partilha”

Tal comentário foi interpretado como uma “cantada” e um interesse declarado por mim à pessoa que eu comentei, ao ponto de alguém que não havia lido o referido comentário me questionar sobre o mesmo em privado, depois de muito diz que disse inclusive num grupo de pessoas, sobre as motivações do meu comentário.

Em primeiro lugar: eu comento e admiro as pessoas que com elas me identifico, ninguém tem o direito de se referir ao que escrevo ou deixo de escrever nos comentários.

Segundo: o meu “interesse” ou não na pessoa comentada não é da vossa conta.

Terceiro: se para as vossas mentes tacanhas tudo roda em volta do sexo, por favor fodam mais, nem que seja com legumes, gozem e satisfaçam-se…

Quarto: ninguém, mas absolutamente ninguém tem o direito de andar a falar na vida dos outros, seja sob que pretexto for.

Acho que muita boa gente tem falta do que fazer, existem boas novelas de ficção nos nossos canais de sinal aberto, não andem a inventar na vida dos outros.

António Alberto Teixeira de Sousa

Desabafo

Desabafo

Acho que nunca me viram (leram) neste registo no blog, mas hoje apetece-me… o que se pode fazer? Ou suicido-me ou digo tudo sem papas nos dedos…
Estou cansado dos bloqueios no facebook/Tumblr/Instagram, sou poeta, escrevo literatura erótica, não tenho pudor ou vergonha alguma, não é uma questão de sonho ou de até de desejo pessoal, que querem? Tenho jeito para fazer os outros sonharem… “mas à parte isso” e agora ate citei Álvaro de Campos um dos heterónimos de Pessoa, no seu famoso poema “Tabacaria”, (Ora fodasse, além de polémico ainda é culto), à parte, estou cansado de não ser lido como devo ou seja: tudo o que de mim lêem deve ser interpretado segundo vocês mesmos, não na busca de mim nas palavras, defino-me como romancista preguiçoso, posso ter bebido toda a noite whisky, e escrever a ode da minha vida à “vodka com laranja”, às vezes canso-me de escrever o amor, não que o amor me canse nas suas maravilhosas vertentes, mas por que todos cobram do amor, quando amar é apenas doação, ninguém pode cobrar do amor orgasmos, porque isso é prostituição. Falam-me da amizade na poética, como se por ser amigo eu tivesse o dever a OBRIGAÇÃO, de dar like ou comentar “maravilhoso” a um texto que não usava para limpar o fundo das costas que evacua se tivesse ido ao wc por mais fofinho que fosse…
Estou cansado de uma poética de conto, onde todos contam as suas mágoas e desejos, eu não quero saber se traíste o teu marido, se está apaixonado por outro fulano, se a fodeste na praia, eu quero encontrar-me nos teus desejos, na tua volúpia no por do sol na praia, nada mais simples do que amar pela alma de outro alguém, mesmo que esse alguém tenha vivido no início do século XVII…
Mais que uma arte fonética, que uma arte gráfica (ortografia) a poética é uma arte de alma, uma arte de dois sentidos, o olhar e ou o escutar, ( reparem que não referi ver e ouvir), para a percepção da poética é necessária uma predisposição espiritual única, um pouco como a diferença entre o amor doado e o foder narcisista, canso-me por encontrar no leitor a arte do cagalhão, olham a forma, mas não a arte do cozinheiro que confeccionou a refeição… indo ou pouco mais além, e tudo se resume ao amor que o agricultor dedicou ao cultivo dos pepinos…

Eu e todas as outras personagens que sou

21/08/2019

15:30

Mentalidadezinhas…

Ontem partilhei este poema que abaixo partilho no Facebook, em jeito de provocação mediática foi trocada a imagem de referencia ao poema na original via-se um homem de meia idade à meia luz debruçado sobre a secretaria, agora usei a que aqui ilustra o poema. num determinado grupos nas duas vezes que publiquei o poema, não tive, repito,(um grupo com 14.000 seguidores) NÃO TIVE QUALQUER REAÇÃO, ontem tive 31 “Likes” e 8 comentários, dois dos quais transcrevo no final, de pessoas que nunca me comentaram.

Desinspirado

Adormeci no silêncio que me grita na alma,
busco palavras novas, ainda não escritas,
para um novo poema imaginado ontem,
nas águas turvas de um ribeiro seco,
sem qualquer inspiração!

A musa que amanhã me dará de beber,
hoje distante, ausente,
nada me lembra,
nada me sente!

Quedo-me quieto,
esperando como quem espera um autocarro que passou,
mesmo antes de ter chegado, olhar distante e vago.
Não há dor em mim que me molde,
tão pouco que solde ditongos ausentes de palavras diferentes
e estranhas arrancadas as entranhas, de uma triste alma muda!

Mesmo assim a desavergonhada da secretária
arqueia de pernas abertas sob o peso do meu corpo…

Alberto Cuddel
16/01/2016

comentários:

Senhora X,

Gostava de saber o q tem isto a ver com poesia. Não falo do poema é evidente. Além de q esta foto não dignifica a imagem da mulher. Mas que falta de ética. E de um extremo mau gosto. Este grupo deveria ter moderadores q n permitissem este tipo de postagens. Incrível.

Senhora Y

Não gosto da imagem, lamento. O poema está bem escrito, mas a imagem… a mulher é muito mais do que um objecto sexual para satisfazer nossos desejos, se me faço entender.

Gostava da vossa opinião!

 

Uma carta ou apenas me confesso

Uma carta ou apenas me confesso

– Sabes Maria, tenho pensado muito em nós, em mim contigo, quem serei eu livre do ontem, sem essa ancora que me arrasta, sem esse peso mórbido de um amor doentio, sem essas grades que ergui à minha volta, sem esta consciência velha amarrada a preceitos toscos.
– Sabes Maria, às vezes penso que morri, que estive morto demasiado tempo, que não vivi, agarrado a uma ilusão que não via, que representava a cada dia, como um animal adestrado num palco de circo, que servia o prepósito da aparência enquanto durava o espectáculo. Despois, morria de novo enjaulado até ao próximo, inventando Tiago em sonhos, poemas escritos e perdidos no tempo.
– Sabes Maria, ainda tenho medo da porta aberta, mas já tenho mais certezas que medo, já perdi o medo de sonhar, deixei de inventar nomes, de inventar personagens, eu sou, hoje olho-me e existo, sei-me onde não me sabia, preso ainda, mas já não tenho medo da posta aberta, começo a retirar a cada dia cada uma das barras erguidas!
– Sabes Maria, já não é o medo que me prende, já não é a consciência, mas essa liberdade que sonhei, não quero fugir do gradeamento pela calada da noite, não quero esgueirar-me por uma liberdade escondida, quero entrar no espectáculo, brilhar além do domador, e sair aplaudido pela porta de entrada.
– Sabes Maria, quero que me vejam, que me conheçam, como apenas tu me conheces, quero que me olhem além do cinza dos dias, quero pintar-me de arco-íris, e dizer estou vivo, encontrei-me onde antes estava morto, não sou sonho, sou o reflexo de tudo o que outros sonharam por mim. Eu sou Homem, Poeta, e sou FELIZ!
– E sabes Maria, não foste tu que me libertaste, mas escolhi-te para que me esperasses, nessa mão estendida que aguardava à porta!

Alberto Cuddel

C.R., Portugal

Indignado com o Facebook!

 No passado dia 06/04/2018 tomei a decisão de não voltar a publicar poesia na rede Facebook, hoje estou impedido de publicar seja o que for por um bloqueio imposto de forma arbitrária e contrária às suas próprias regras. Esta noite pela 04:05 fuso de Lisboa a imagem abaixo foi denunciada, esta imagem faz parte do Poema do Dia 06/04/2018 alusiva ao purgatório. Não a considero ofensiva nem contendo nudez, neste momento aguardo serenamente o desenlace do recurso que enviei. Mas até fico contente que isto tenha acontecido, perdia muito tempo entre o perfil as 8 paginas e um grupo que mantinha, terei bem mais tempo para dedicar aqui ao blog. Irei publicar aqui as “centenas” de poemas que tenho espalhados por ai, irei fazer deste blog a ancora e arquivo de toda a minha actividade literária. Obrigado por me lerem!

António Alberto Teixeira Sousa

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Desabafo…

Não é meu apanágio fazer post’s pessoais aqui no blog, mas hoje mais uma vez abro uma excepção, estou abandonar todas as páginas do Facebook, cansado de publicar sem sentir qualquer feedback, nos últimos dias, um grande amigo resolveu e ainda bem, declamar um poema meu, enviou-me um vídeo que publiquei, como o identifiquei no post o vídeo já foi visto mais de 1000 vezes, muitas das minha “amigas” comentaram o meu poema, coisa que é raro fazer, algumas pela primeira vez, e esta situação fez-me perceber, que afinal, talvez o que escrevo lá não valha de nada, conta bem mais o “nome”. Sendo assim prefiro quem me quer ler pelo facto de gostar e querer… obrigado a todos os que me seguem aqui!

A. Alberto Sousa

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