Incertas certezas

Incertas certezas

Certamente que a incerteza existe
Coisas certas desistem,
As incertas persistem,
O sonho vive, antes que morra!

As pedras da calçada gastas do uso
Pelo caminho percorrido
Levam, trazem, param e convivem
Antes que o caminho se feche
Sem levar a lugar nenhum!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi

Certezas

Certezas

Profundidade da pedra
E pedra em mim urna certa
Convicta, a luz nasce do alto
Alto que se abstém, e se mantêm
Impávido, sereno, ausente
Nada depende de ti, som da lira!

A luz ladeia-te os flancos
Empolga um momento para além
Certa e concreta eternidade
No silêncio do depois, nada
As aves morrem a cada Inverno
Regressando na Primavera,
Guiadas pelo trenó do norte
Anúncio de bom tempo
E flores, e ribeiros que se enchem
E gelos que se derretem
E corpos que se mostram
E certezas, – paixões assoberbadas
Corpos quentes, chamamentos…

Se olhasses as minhas mãos guiadas pelo vento
Adormecerias na incerta consciência do meu regaço
Dormindo e acordando no fervilhante sangue
Entre o sonho e as certas certezas que professas…

Certo é, que tudo se repete…
E nunca teremos certezas de nada…
Mesmo que as noites morram todos os dias!

Alberto Cuddel
31/05/2017
17:20

De onde vivi, para onde olho?

De onde vivi, para onde olho?

Caem-me as névoas nos olhos olhando o fim da rua
                Que noite cai tão escura em avenidas largas
                                        Janelas estreitas de vidros partidos…

Olham-me com olhos tristes os olhos que me fitam
              Nunca conheci outro alguém que me olhasse assim
                                        Longamente, demoradamente, diferente dos teus…

Esse olhar de mãe que me condena quando parto pelo mundo
Olhos que choram a felicidade do encontro na palavra perfeita
Olhas que amam, que brilham na chegada…

As névoas desse mar interior nas vivências em poemas de mel e limão
Não há como fazer amor na pele da palavra, no sereno florir das coisas
São livros cheios de sentir que me iluminam os dias, e me dão brilho ao olhar…
E olho ao longe, sentires alheios aos meus, em rimas perfeitas de palavras cheias…

Eu que tantas vezes me dei, que tantas vezes me esvaziei
              Apenas olho, com olhos de ver, as coisas e as almas
                                   Que em mim passeiam crentes que são gente que vive…

E vivo… tantas vezes morto, por não saber de mim…
                        Sabendo sempre onde pertenço…
                                    E pertenço-te, desde sempre sem o saber…

Alberto Cuddel
11/01/2019

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