Mãos ocupadas

Mãos ocupadas

Noite, não sei onde caiu,
Dia, não sei onde escapou,
Por entre os dedos,
Que ocupados estavam,
Com as mesquinhezes
Quotidianas da vida…
Que se perderam nas futilidades,
Subservientes à mera sobrevivência
Dedos, mãos, saudosas
Do afável afagar dos teus cabelos,
Do toque dos teus lábios,
Do luar no brilho no teu olhar,
E a noite aqui, inflamando
Envolvendo nossas vidas
Nossas almas gémeas,
Na profusa forma de amar!

Alberto Cuddel
13/08/2015

Tristemente parti!

Tristemente parti!

parti como tantos outros loucos mortais,
procurando vida, sorte em outros locais,
dor que carrego em meu peito, saber-te,
tristemente só, como perdida, levar-te,
desejo, que te deixei prometido na partida,
nessa louca, dolorosa, chorosa despedida,
vida, não era vida, sobrevivíamos,
o pouco que tínhamos, dividíamos,
doí, mas melhores dias virão,
agora com trabalho, ganho tostão,
para que amanhã, as lágrimas, sequem,
se transformem em sorrisos, e além,
teus olhos encontrem os meus,
nossos lábios toquem os céus,
e te possa trazer comigo!

não fiques triste,
seca as lágrimas,
amanhã regressarei,
não, não aí ficarei,
mas irei trazer-te comigo!

Alberto Cuddel
18/08/2015

Amanhecer em mim

Amanhecer em mim

sou, despido de qualquer capa,
definho na tua ausência,
anoiteceu em mim,
na falta da tua luz,
no gélido querer,
corpo coberto pelo teu,
espero em vão na noite,
certo que amanhecerei em ti,
quieto, palpitante coração,
sôfrego choro, clamor,
arde por dentro, saudade,
conto horas, minutos, segundos,
na memória, o beijo, e o estrondoso,
ruído do bater da porta,
fechou-se em mim,
consciência de não te ter,
velas que ardem em silêncio,
num corpo mal despido,
trémulo, ressacado pela falta,
pela abstinência do teu,
teu calor, tua paixão,
teu amor…
fico, tremendo na espera,
que amanheças em mim!

Alberto Cuddel
Sedução e Erotismo – 25
24-08-2015

Mulher!

Mulher!

Segura de si, firme vontade,
Confiante no teu estado de mulher,
Sabes quem és, sabes ser,
Firme aura que teu ser emana,
Inviolável perseguição ao sonho,
Azul celeste que em ti perdura,
Luz que reflecte a contagiar,
Agir, transformar, acreditar,
Olhares que te seguem,
Que te perseguem,
Trono divino da humana criação,
Ventre perfeito, humana geração,
És jardim florido na Primavera,
És a chuva do frio Inverno,
És raio de sol no calor do Verão,
És fruto maduro no Outono,
És tímida, delicada e sonhadora,
Forte, decidida, edificadora,
Mãe, amiga, esposa, amante,
Incansavelmente constante,
Porto seguro de amor ardente,
Teu sorriso, cansado, confiante,
Mesmo assim mulher sedutoramente
Bela e definitivamente certa,
Que ninguém lhe fica indiferente!

És mulher decidida, firme vontade,
Segura entre outra gente!

Alberto Cuddel

25/08/2015

Inverno da Vida

Inverno da Vida

Gélida brisa que nos arrebata,
Na terna queda da folha dourada,
Suave perfume da castanha assada,
Audíveis sons com que é apregoada…

Frio que converte, em calor o sentimento,
Calor que nos tira do perfeito isolamento,
Juntos revolvem memorias passadas,
Pelo suave cheiro das castanhas assadas…

Em queda como a folha,
A vida de vai esvaindo,
Abandonando passo-a passo,
Os nossos envelhecidos corpos…

Vivem cada momento,
Meditam e recordam,
Ao sabor do vento,
Alegrias, tristezas,
Dias, meses, certezas,
Duvidas, segredos,
Da vida que lhes foge,
Por entre os trémulos dedos…

Ficam as memorias, palavras ditas,
Fica a saudade pelas ideias escritas,
Os dois, que só um formaram,

No fim dos seus dias se separam….

Alberto Cuddel
30/11/2013

Porque esperas?

Porque esperas?

esperas do tempo uma resposta,
esperas do tempo uma atitude,
reclamas, balbuciando do tempo,
reclamas, agastado pelas atitudes,
reclamas do tempo que faz,
do estado das coisas,
das coisas do estado,
do estado da saúde,
do estado da educação,
da educação do estado,
do estado civil,
dos civis que trabalham para o estado,
do estado do trabalho,
da falta de trabalho,
do pagamento do trabalho,
mas com tanta reclamação,
ainda continuas sentado?
afinal, como chegamos a este estado?
se reclamamos e nada é mudado,
talvez seja tempo,
de mudar de estado!…
e passarmos ao gasoso…

Alberto Cuddel
28/08/2015

Sedução da Noite,

Sedução da Noite,

Não se fiquem pelas promessas da noite,
Assumam por inteiro o dia em vossas vidas,
Na noite cegamos pela paixão da parca luz,
No dia assumimos a visão global do todo,
Do bem e do mal, desejo e contradição,
A cima de tudo o dia é já decisão!..

Alberto Cuddel
30/08/2015

Choram!

Choram!

Ardem tristes os olhos azuis que te choram,
Num luar apagado por um sol escondido,
Pela festa que corre na rua do outro lado,
Pela saudade arrebatada pelo mar na espera,
De um barco na faina ainda não chegado,
Choram, chorosos os olhos que te vêem partir
No olhar triste e cansado de quem espera
Novas de aquém e de alem mar mundo
Fome, penúria, ambição que te fez imigrar
Choram, chorosos os olhos colados na tela
Tarde de cinema, filme de emocionar,
Choram… e como choram também os olhos,
Que te viram partir sem uma palavra,
Por que decidiste deixar de acreditar!…

Alberto Cuddel
28/09/2015

Revivo

Revivo

Revivo nas voltas e voltas
De um torto ponteiro que me faz viver
Revivo na lembrança presente
Que não me deixa esquecer
Revivo presentes passados futuros
Revivo desejos insanos e impuros
Revalido o meu querer no reflexo
Que me imponho ao me ver
Revivo na entrega que faço
No amor com que me entrego
A mim no tempo e no espaço
Revivo em mim para me dar
Na luz da alma que emano
Sou eu que me dou não é engano
Nada me possui nada me tem
Pois eu apenas vivo
Porque hoje novamente me dei!..

Alberto Cuddel®
08/10/2015

Por hoje…

Por hoje…

Dia, noite, tarde…
Tudo se confunde,
Tudo se infunde,
Miscelânea,
Noite de horrores,
Amanhecer, santificação,
Poema prosaico,
Desamores ensaiados,
Confúcios, traições mascaradas,
Noite, tiradas, raivas ofuscadas,
Encontros, jantares ocultos,
Ritos, crianças disformes,
Pedindo, enganando a fome,
Que dia, que noite,
Pérfida tradição,
Na pouca verdade,
Que a mentira contem,
E tudo pelo nada,
Que o hoje,
Apenas hoje,
A noite contém…

Alberto Cuddel®
02/11/2015

Coisas

Coisas

as coisas da vida, não a vida das coisas
as coisas que parecem,
as que perecem ser coisas,
o tempo da coisas,
as coisa do tempo,
as coisas sem tempo,
o tempo sem coisas
as coisas que acontecem,
o que acontece as coisas,
coisas para todos os gostos,
os gostos das coisas,
a simplicidade das coisas,
as coisas simples,
as coisas complexas,
a complexidade das coisas,
as coisas, essas mesmas coisas, supérfluas,
mas que seria da vida sem as coisas,
mesmo quando a vida para
por uma simples coisa,
pela simplicidade da coisa,
por uma coisa simples,
pelo local onde a coisa
apresenta inusitadamente,
a beleza de uma coisa simples!

Alberto Cuddel®
11/11/2015

Pedra angular!

Pedra angular!

Pedras soltas, que te fazem tropeçar,
Passeios disformes ladeiam a vida,
Atalhos asfaltados chamam-te à ilusão,
Segues tropeçando acompanhado,
Verdes prados, frutos proibidos,
Ilusões floridas, prazer e sedução,
Meros atalhos desesperantemente
Atrativos e momentâneos…
Luzes de néon, atração, o jogo,
E o teu caminho este que escolheste?

E segues teu caminho tropeçando,
Pedras soltas, que te confundem,
Faróis disformes, luzes que te cegam,
Cores, brilhos do cristal, reflexos,
A teu lado, sem veres metade de ti,
Pacientemente vai-te amparando,
Projecto que és, vida que és, decidida está,
Acompanhar-te toda a sua vida!

Alberto Cuddel
16/12/2014

Sem Mim

Sem Mim

A noite caí, 
Fria, solitária,
Aqui neste posto,
Penso, medito, oro,
Sim porque sei pensar, 
Ser falante, racional…
E penso, abandonar-me ao delírio,
Errante na queda das trevas,
Que nos guia e conduz,
Arrebatando o sentir!
Entre um ou dois pensamentos,
Fazes-te presente no ambíguo luar,
A saudade, da luz, do calor, 
Do apenas longo abraçar,
Que deixou a tua partida,
Assim me entrego a tortura da dor,
De sentir perdida a vida…
Assim arrancada no triste penar…
Na solidão a noite passar!…

Alberto Cuddel
22/11/2014
Palavras Desconexas – 14

Solidão

Solidão

Porquê?
Outra vez sozinho,
Não, não vás,
Não me deixes
Neste desencanto,
Então foi só mais uma noite?
-Não, logo volto!
Que vida esta de encontros
E desencontros,
A coberto da noite,
Escondidos no dia,
Não, não vás,
Fica comigo ate o sol nascer,
-sabes que não, ele me espera!

Por ele, tudo por ele,
Maldito trabalho!

Albert Cuddel
04/12/2014
Palavras Desconexas – 34

Das mãos de um anjo

Das mãos de um anjo

Das mãos do anjo, a luz,
Pureza da inocência,
Nas mãos de uma criança,
Fruto desejado do amor,
Pelo desejo consumado!

Luz criada,
Luz desejada,
Luz que é vida!
Assim ilumina-nos,
Na bênção derramada,
Pedida, solicitada, jurada,
Por mim, por ti, por dois!

Luz que nos guias,
Noite escura sem luar,
Onde a luz nasce do ato de amar,
Brilho em seus cabelos de oiro!

Alberto Cuddel
23-04-2016

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: