Pedra angular!

Pedra angular!

Pedras soltas, que te fazem tropeçar,
Passeios disformes ladeiam a vida,
Atalhos asfaltados chamam-te à ilusão,
Segues tropeçando acompanhado,
Verdes prados, frutos proibidos,
Ilusões floridas, prazer e sedução,
Meros atalhos desesperantemente
Atrativos e momentâneos…
Luzes de néon, atração, o jogo,
E o teu caminho este que escolheste?

E segues teu caminho tropeçando,
Pedras soltas, que te confundem,
Faróis disformes, luzes que te cegam,
Cores, brilhos do cristal, reflexos,
A teu lado, sem veres metade de ti,
Pacientemente vai-te amparando,
Projecto que és, vida que és, decidida está,
Acompanhar-te toda a sua vida!

Alberto Cuddel
16/12/2014

Sem Mim

Sem Mim

A noite caí, 
Fria, solitária,
Aqui neste posto,
Penso, medito, oro,
Sim porque sei pensar, 
Ser falante, racional…
E penso, abandonar-me ao delírio,
Errante na queda das trevas,
Que nos guia e conduz,
Arrebatando o sentir!
Entre um ou dois pensamentos,
Fazes-te presente no ambíguo luar,
A saudade, da luz, do calor, 
Do apenas longo abraçar,
Que deixou a tua partida,
Assim me entrego a tortura da dor,
De sentir perdida a vida…
Assim arrancada no triste penar…
Na solidão a noite passar!…

Alberto Cuddel
22/11/2014
Palavras Desconexas – 14

Solidão

Solidão

Porquê?
Outra vez sozinho,
Não, não vás,
Não me deixes
Neste desencanto,
Então foi só mais uma noite?
-Não, logo volto!
Que vida esta de encontros
E desencontros,
A coberto da noite,
Escondidos no dia,
Não, não vás,
Fica comigo ate o sol nascer,
-sabes que não, ele me espera!

Por ele, tudo por ele,
Maldito trabalho!

Albert Cuddel
04/12/2014
Palavras Desconexas – 34

Das mãos de um anjo

Das mãos de um anjo

Das mãos do anjo, a luz,
Pureza da inocência,
Nas mãos de uma criança,
Fruto desejado do amor,
Pelo desejo consumado!

Luz criada,
Luz desejada,
Luz que é vida!
Assim ilumina-nos,
Na bênção derramada,
Pedida, solicitada, jurada,
Por mim, por ti, por dois!

Luz que nos guias,
Noite escura sem luar,
Onde a luz nasce do ato de amar,
Brilho em seus cabelos de oiro!

Alberto Cuddel
23-04-2016

Tempo

Tempo

A volatilidade do tempo
Tanto o tempo passa
Como tanto passa o tempo
Sendo aproveitado o tempo
Tempo de bom proveito
Mesmo que passe o tempo
Não é perdido o tempo que passa
Sendo nosso todo o tempo…

Alberto Cuddel
In: Palavras que circulam – XIII
14/09/2016

Sustenho no peito o teu sonho!

Sustenho no peito o teu sonho!

Cai em mim o silêncio das estrelas
A noite escorre pelas paredes do quarto
Ouço-me, no profundo e vazio silêncio
Correm longe as palavras nos teus lábios
Dormes, sustentadamente no meu peito
Sentir que te emana da alma, ilumina-me
Corres pelos sonhos,
Como te vagueiam as mãos,
Pelo meu corpo despido…
Na tua companhia, estou só, sozinho,
Acordado sustentando teu sonho!…

Alberto Cuddel®
05/09/2016
In: Palavras que circulam – V

Eternamente

Eternamente

Nada do que foi criado é eterno
-palavras soltas no caderno
Sentes fingindo a saudade
-ausência de um hoje certo amanhã
A cadência verbal, sonoridade
-palavra gritadas ao vento matinal!

Sopras a vida, gritando e gemendo
-choro que me acorda, sangue da vida!

Alberto Cuddel®
09/09/2016
In: Palavras que circulam – VII

Tempo

Tempo,

Nos segundos que passam
Conto minutos e horas da rua
Conto saudades verdades tuas
Conto nuvens e almas singelas

No tempo em que não durmo
Fito o tecto, e o nada
E penso, penso que me lembre 
Que o nada, pensado fora
Por outra jornada! 

Na solidão de um abraço 
Aperto o peito
Que tristemente chora
Ausência do teu recado!…

Alberto Cuddel 
30/08/2016
In: Palavras que circulam – IX

Por entre os dedos Amor…

Por entre os dedos Amor…

No espaço, longo ou breve traço,
Decalcado, livre ou carregado no regaço,
Desenho-te, vezes sem conta nas nuvens que passam
Sob o alto da minha testa, fervilhante imaginação
Dispo-te no azul celeste,
Orquestra de andorinhas em movimento,
Perco o tino, juízo, sonho acordado,
Vivo memória, ontem, hoje passado
Amanhã, hoje ainda, sei-me por ti desejado,
Corro apresado, nas minha dúvidas
Os raios da aurora, desvirginam madrugadas,
No calor do desejo, escolho-te, entre muitas, entre todas
Na certeza que me acerca, desmente e concreta
Meus lábios sangram, gretados pela sede que os condena
Essa sede que me mata, que tanto me eleva
Sede dos teus beijos, do licor dos teus desejos
No palco da felicidade, sonho-te no reflexo
Das mãos que seguram a água,
Que volátil, como o sonho, o Amor,
Constantemente me escorrem por entre os dedos
Esperando que os teus dedos, as tuas mãos
Os firmem, a cada dia de novo!

Alberto Cuddel®

07/08/2016

Poesia na gaveta

Poesia na gaveta

Poemas guardados
São nados mortos poéticos
São versos abandonados
Sentimentos secos, esqueléticos

Poesia é vida, livre, sentida
Poesia é emoção, quando lida
Escondida, é apenas desabafo
Sem voz, um sussurro, um bafo!

Poesia de gaveta, é um eu escondido
Um sentir ausente assim reprimido,
Palavras ocultas da luz, não são escritas
Desenhadas, pensadas, circunscritas!

Permite-me ser poeta, sentindo
Lendo, sentindo o teu viver
Permite-me conhecer-te coexistindo
Na tua sensitiva forma de ver!

Deixa que as palavras voem
Que o pó de dissipe,
Que os versos vivam…

Alberto Cuddel®
In: tudo o que ainda não escrevi 66

Memória

Memória

Leio e torno a ler as palavras da memória,
De hoje, de ontem passado sem esquecer,
Memória em mim, que de ti escrevo,
Os braços abertos que te esperam,
O desejo, o vazio, a tristeza, erros,
Agora passado, há sombra da lua,
Novo tempo que construímos,
Vida nova em nós, que abertos esperamos,
Estrelas cadentes que te incendeiam o olhar,
Desejo que desponta, numa palavra soprada,
Sopro de vidas que percorre teu corpo,
E do nada o ontem é passado,
A cada dia de novo, decidido, amado,
Conquistado, a felicidade nasce em ti,
Em mim, na palavra que vive,
Soprada a cada batimento no peito,
Num coração que se ama…
Eu me amo, para te poder amar,
Eu me entrego, para que te possas dar,
Eu palavra viva… Eu decisão…
Eu que escolho ser…
Sou feliz na espera,
Para o reencontro,
Poder escolher a cada dia,
Voltar a escolher-te a ti!
Para memória dos teus dias!

Alberto Cuddel
25/03/2015

Silêncio

Silêncio
Meu silêncio…
Inexplicável…
Uma tristeza profunda assola meu peito…
Solidão…
Pensamentos tristes, que desvanecem…
Como nuvens no ar…
De alguém que chora e jura…
Já mais tornar Amar!

Que tortura é esta que arde no meu peito com tal fulgor?
Como fui eu capaz de partilhar contigo meus credos…
Contar-te minhas alegrias…
Minhas tristezas…
Meus medos?!…
Tristeza nas grades da ilusão,
Onde meus pensamentos ponho…
E nesta prisão, vai morando meu sonho…*
São fortes e densas as amarras das quais não me consigo salvar…
Vida….
Amor?…
Porque me agarras?

Por favor vem salvar-me…
Mostra-me um horizonte lindo…
Onde eu possa viver…
Deixa-me mostrar tudo o que sinto…
Deixa-me de novo nascer…
Crescer, acreditar e Viver…
Deixa-me Amar-te.

Alberto Cuddel
Setembro de 1998

Espera

Espera
Um dia, uma noite,
Espera, dia após dia,
Um sinal, um querer, uma vontade,
Espera,
O despertar, o voltar a querer,
O querer amar, o querer sorrir,
O partilhar,

Espera,
O momento,
Aquele momento,
Espera,
Que no acordar,
Na troca de um olhar,
Um toque que te faz despertar,
Espera…
Quase desespera….
Mas espera…
Alberto Cuddel®
01/07/13, 10:30

Ergue-se o sol

Ergue-se o sol
Ergue-se o sol,
Desvirginando a noite,
Papoilas dançantes
Na dureza do teu olhar
Denunciando a noite,
Sol que muda
Que se faz novo
Que renova
Aquece e enlouquece
Corações esquecidos
Amargurados e feridos,
Novo alento na esperança
Na ajuda e temperança
Que novos amigos dão,
A esse teu coração
Que hoje acorda,
Para de novo deixar-se levar!

Hoje, sim hoje,
Hoje escolho-te a ti!

Alberto Cuddel
03/12/2014

Palavras Desconexas – 30

Tempo

Tempo

Tempo que cura,

O que na noite perdura,

O tempo que passa,

A ideia que ameaça…

O que o tempo esconde

E recalca…

O que a noite lembra,

E não perdoa….

A fuga,

O isolamento,

O fugir,

Desse impuro sentimento…

No recato da solidão,

Podes ver então,

O que certo estava,

A mais pura razão…

Que o tempo esconde,

Não perdoa…

O tempo recalca e magoa….

Seca a mais ténue esperança…

De que na vida tudo passa…

Como um sonho de criança…

Alberto Cuddel®

15/09/2013

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