Getsêmani

Getsêmani

por trinta pratas osculas o teu mestre
pela avareza entregas aos carrascos quem te fez…

há nessa arte sempiterna de fazer luz do fruto
iluminando a escuridão da mente humana
nobre óleo de oliva, puro na pedra moído
que angular se fez sustentando a fé invisível
insolúvel na fonte da vida, fé de samaritana…

pela espada feres por ela serás mordido
tu que vives na glorificação da calúnia
em palavras floridas e rançosas, escolhidas
na agrura do arrependimento enlaças-te
batendo com a mão no peito, culpado…

descalça-te e faz o caminho, penitencia-te
percorre o pó das pedras que o chicote colocou
esse que te leva à glorificação do sacrifício
em pleno circo romano, declara-te trágico
e que me morra o espírito, nascendo alma nova
pela água podes ser resgatado à luz…

que se faça “Getsêmani” em ti e de fruto
te faças luz, e que da tua boca as palavras
que proclamas aos homens, se façam luz…

Alberto Cuddel
01/04/2021 05:00
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha LI

Seco o sonho de chuva

Seco o sonho de chuva

– humedeceste os lábios finos
pedras soltas atiradas pelo vento
e o destino quem o soubesse?

no espaço sepultado da fome
rasga-se o desejo da sede
procura mundos e fundos
mares e marés nesse querer fecundo
maternidade que te abandona o corpo

cânticos de Salomão
– ilusão dos seres mitológicos
sereias que me embalam
que me venham as virgens de candeia
a força de Sansão, o uivo materno
esse alimento de gémeos…
multipliquem-se os peixes e a fome
voz que sacia os espíritos,
acalmem-se as águas…
que seja pedra a força e a voz
edifique-se sobre ela a poética
neste sonho seco de uma chuva mórbida
de silêncios lidos em lábios gretados
clama o deserto por lucidez
e pendem-me espadas de calcário no olhar
pela inveja mesquinha do homem novo…

Alberto Cuddel
23/05/2020
19:15
In: Nova poesia de um poeta velho

Solta-se a Palavra….

Solta-se a Palavra….

Nua e solitária,
Sofrível e solidaria,

Solta-se a palavra,
Perdida e encontrada,
Arável e cultivada,

Solta-se a palavra,
O desejo de ser possuída,
O desejo de ser vivida,

Solta-se a palavra,
Nos sonhos nos transporta,
Sem que nos fechem a porta,

Mas tu o solta palavra,
Que de ti seria sem que o “Verbo”
Te desse significado,
Te desse entendimento,
Ele que te ilumina e te dá a conhecer,
Aos homens com vontade de crescer,
De sob tua palavra viver.

Solta-se a palavra,
Para ti mulher,
Para ti jovem,
Para ti homem,
Para quem a entender souber!

Solta-se a palavra,
Que juntas formam frases,
Que perdidas mostram fases,
Pensamentos,
Sofrimentos,
Desejos,
Leis e mandamentos…
Livros e testamentos,
Poemas, romances,
Dramas e nuances,

Solta-se a palavra,
E por ela,
O “Verbo” se fez sofrer,
Para que na palavra,
Pudéssemos crer,
Acreditar sem ver,
E por ela na Fé nascer,
Solta-se a palavra…

Alberto Cuddel
24/09/2013

Poema XXV

Poema XXV

Retenho da religião
somente o preceito central
do qual esta sujeito o preceito moral
que atenta contra o corpo e o espírito!

Amo,
Todas as tardes de Verão que se atentam no teu corpo
Condenem-me os preceitos e os bons costumes
Mas amo, quem seria se arrancasse de mim os olhos?
Se atentasse contra a natureza do corpo?
Alegra-me as tuas palavras em silêncio, a doçura dos teus lábios
Quem de mim seria impostor se o negasse publicamente e a pés juntos?
Tenho que de mim escolher a verdade, se o sonho? Ou a realidade que nego?
Sou homem por Cristo, não sou deus…

Há nisto tudo um mistério que me desvirtua e me oprime
Por Saulo amo desmesuradamente…
De nada me comove que se diga que tenho tanto de juízo como de louco
Apenas me suplanto ao comum dos mortais pelas epilepsias reveladoras
De uma mente sem traves, os homens normais limitam-se as coisas normais
Eu, loucamente vou, sem caminho traçado, apenas limitado pelos vocábulos
Inventados por loucos que como eu ousaram amar…

Tudo o que já pensei, tudo o que já fiz, tudo o que senti
Foi nada diante da revelação de que o amanhã
Pode ser a verdade do que ainda não vivi…
Nesta liberdade que me concedo a mim próprio
Permito-me amar-te definitivamente e sem segredo…
Porque se por deus nasci, por ele também vivo…
E Saulo a isso me impõe… ama…

Alberto Cuddel
17/03/2019
22:40

Poema XXV

Poema XXV

Retenho da religião
somente o preceito central
do qual esta sujeito o preceito moral
que atenta contra o corpo e o espírito!

Amo,
Todas as tardes de Verão que se atentam no teu corpo
Condenem-me os preceitos e os bons costumes
Mas amo, quem seria se arrancasse de mim os olhos?
Se atentasse contra a natureza do corpo?
Alegra-me as tuas palavras em silêncio, a doçura dos teus lábios
Quem de mim seria impostor se o negasse publicamente e a pés juntos?
Tenho que de mim escolher a verdade, se o sonho? Ou a realidade que nego?
Sou homem por Cristo, não sou deus…

Há nisto tudo um mistério que me desvirtua e me oprime
Por Saulo amo desmesuradamente…
De nada me comove que se diga que tenho tanto de juízo como de louco
Apenas me suplanto ao comum dos mortais pelas epilepsias reveladoras
De uma mente sem traves, os homens normais limitam-se as coisas normais
Eu, loucamente vou, sem caminho traçado, apenas limitado pelos vocábulos
Inventados por loucos que como eu ousaram amar…

Tudo o que já pensei, tudo o que já fiz, tudo o que senti
Foi nada diante da revelação de que o amanhã
Pode ser a verdade do que ainda não vivi…
Nesta liberdade que me concedo a mim próprio
Permito-me amar-te definitivamente e sem segredo…
Porque se por deus nasci, por ele também vivo…
E Saulo a isso me impõe… ama…

Alberto Cuddel
17/03/2019
22:40

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