Sem arrependimentos!

Sem arrependimentos!

Não gemo chorosas lágrimas, pelo que fiz, pelo arrependimento do que vi, ou mesmo disse, nem pelo perfume das rosas que ficaram abandonadas num qualquer canteiro de um jardim que não conheço. Tão pouco soluço sussurrando perdões por atitudes tidas e atos irrefletidos, não lamento o cheiro da terra molhada nas primeiras chuvas de setembro que perdi, apenas por ter as narinas impregnadas com o perfume do teu corpo. Não lamento as deprimentes palavras chutadas em arremesso nas altercações por um nada sem importância, jamais me arrependerei dos erros cometidos que me fizeram crescer, nem tão pouco me arrependo do tempo roubado ao descanso e ao ócio do tempo em que nada foi feito, tão pouco de ter perdido na memória o cheiro da goma do fato que naquele outro dia enverguei, em mim recordo apenas o cheiro da flor da laranjeira, e o doce odor da tua pele. Não, não me arrependo do que fiz, mas do tudo o que deixei por fazer…

Alberto Cuddel

Textos dispersos – I

01/05/2016

Lágrimas de sangue

Lágrimas de sangue

Rubras pétalas derramadas no sangue,
Amor mal cuidado, quase perdido,
Delírios de homem coração infame,
Orgulho ferido em solidão sentido,
Erro vergonhosamente assumido,
Corre uma lágrima sob meu rosto,
Espinho cravado coração colocado,
Sangrando atroz no meu sofrimento,
Homem que chora agora renascido,
Perdoado que fora arrependido,
Do sul e do norte renascido da sorte,
Nascido do ventre das garras da morte,
Ser sublime mulher de humilde razão,
Deusa do mundo virtuoso ser,
Lágrimas vertidas no simples perdão,
Cravadas a ferro na fénix nascida,
Falha perdoada mas nunca esquecida!
Nascidos de novo na rosa da vida,
Perfumadas noites no novo amar,
Não há ter nem ser, apenas o dar!

Alberto Cuddel

Poema do dia 10/11/2017

Poema do dia 10/11/2017

Desfolhamos copos vazios
Por entre garrafas de esquecimento
Na leda e vã euforia da noite
Acordar nas lágrimas do arrependimento…

Rasgamos leitos veniais por entre suores
Escorrem deleitosos os corpos frívolos
Vinganças atrofiadas cegamente cometidas
Acordados no amargo fel da ignorância
A noite, qual noite, onde adormeci?

Só as coisas vulgares são esquecidas
Os erros são recordados no olhar
Uma memória esquecida cometida
Ruas vazias por entre beirais que choram…

Falta de ser quem sou, ser solução
Por entre afogamentos de problemas
Que nos sobram nos dias, nas noites
Em copos vazios, cheios de esquecimentos…

Alberto Cuddel
10/11/2017
03:04

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