Aniversário

Aniversário

A cada dia desta alma velha
Segue-se uma noite sombria
Entre um acordar e um adormecer
Sabe-se viva, no seu viver…

No tempo em que festejava o meu aniversário
Não era feliz, não conhecia a felicidade
Faziam-me bolos, festas e presentes
Mas eu, eu não podia ser feliz…
Eu não escrevia nesse tempo…

No tempo em que festejava o meu aniversário
Em que esperava o amanhecer,
Não conhecia o viver ou o prazer
De não celebrar, de não esperar
De viver cada dia como ultimo…
Hoje, não celebro, não faço anos…
Hoje, apenas faço e conto os dias…

No tempo em que festejava o meu aniversário
Em que os pais, irmãos, tios e avós
Se juntavam à mesa em festa, celebrando
Nesse tempo, eu apenas estava ali…
Hoje, hoje sou, existo, sem saudades desse tempo
Esse tempo foi, existiu, hoje passa
O tempo passa sucessivamente
Por entre minutos e segundos
Descontando vida….

Hoje, apenas não faço anos
Deixei de os fazer ou contar
Deixei de me importar com o receber
Hoje, apenas o calendário me dá notícias
Desse tempo passado em que fazia anos…

O tempo passa,
A cada dia desta alma velha
Segue-se uma noite sombria
Entre um acordar e um adormecer
Sabe-se viva, no seu viver…

Alberto Cuddel
14/01/2018
00:10

Poema inspirado num poema de Álvaro de Campos
Aniversário de 15/10/1929

Um outro

Aniversário

Diz o calendário e minha mãe que hoje foi domingo
Diz o calendário e minha mãe que hoje choveu
Diz o calendário e minha mãe que as 15:00 nasci!

Dizem, mas a verdade é que não me lembro…

Não me lembro do tempo em que não via as cores
Não me lembro do tempo em que não sabia ler
Não me lembro do tempo em que não sabia escrever
Não me lembro do tempo em que nasci…
Não me lembro do tempo em que não sabia amar
Não me lembro do tempo em que não me conhecia…

E tantas vezes não me lembro
de alguma vez me ter lembrado
Que hoje é o meu aniversário!

Mas afinal hoje,
Um dia após ontem,
Um dia antes de amanhã
Hoje é o dia em que muitos
Lembram o que poucos esqueceram…

Alberto Cuddel
14/01/2017

E porque o meu aniversario é amanhã…

E porque o meu aniversario é amanhã…

o dia do meu aniversario é amanhã
não é hoje, e se não fosse amanhã, ou se não fosse lembrado, nada aconteceria
já houve um ano em que foi hoje,
porque tu com todo o teu amor de mãe, te enganastes
mesmo com aquele bolo de dois andares e cobertura de açúcar, com perolas brilhantes
não foi no dia que havia de ser, mas um dia antes…

o meu aniversario não é hoje. mas quem se importa? comemoramos o quê?
mais um dia de conhecimento? a subtracção de um dia à esperança de vida?
que me importa o somatório dos dias em que vivi, se em tantos deles dormi…
porque não contamos as noites? mas apenas os anos?
quem se importa com os anos?

virão os Invernos, e depois as Primaveras…
e os abraços prometidos, beijos desejados
as sementes perdidas, as sementeiras dos campos
virão as chuvas e as neves, as tardes quentes…
e virá o tempo que não se conta, e o outro que passa…
e esse tempo que perdemos a caminho de coisa nenhuma

o meu aniversario é amanhã
um dos aniversários que tenho, dos tantos que inventei e que poucos se lembram
ainda há muitos que recordam aquele domingo chuvoso…
seriam umas quinze e trinta, e irrompi por entre as pernas da minha mãe
e gritei… não me importo se o esquecessem… já não me faz falta que o lembrem
já vivi mais, do que me falta viver…

o meu aniversario é amanhã…
nem todos se lembram
mas eu sei que descontarei ao que me resta
um dia, aos dias que me faltam…

o meu aniversario é amanhã…
e mesmo que não fosse
o mundo seria o mesmo mundo
e eu o mesmo que sou…
mesmo que ainda não saiba
o tempo que me resta…

Alberto Cuddel
13/01/2021 00:05
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XI

Aniversário

Aniversário

Diz o calendário e minha mãe que hoje foi domingo

Diz o calendário e minha mãe que hoje choveu

Diz o calendário e minha mãe que as 15:00 nasci!

Dizem, mas a verdade é que não me lembro…

Não me lembro do tempo em que não via as cores

Não me lembro do tempo em que não sabia ler

Não me lembro do tempo em que não sabia escrever

Não me lembro do tempo em que nasci…

Não me lembro do tempo em que não sabia amar

Não me lembro do tempo em que não me conhecia…

E tantas vezes não me lembro

de alguma vez me ter lembrado

Que hoje é o meu aniversário!

Mas afinal hoje,

Um dia após ontem,

Um dia antes de amanhã

Hoje é o dia em que muitos

Lembram o que poucos esqueceram…

Alberto Cuddel

“Lembranças de nós mesmos”

Reflexão, porque os homens também pensam!

“Lembranças de nós mesmos”

Nenhum homem se lembra do dia do seu nascimento, da primeira palavra, do primeiro passo, das primeiras letras, da primeira vez que escreveu o seu nome… Poucos são os homens que se lembram do primeiro amor, o primeiro beijo, do primeiro filme, da primeira saída com amigos… Mas e as coisas importantes da vida? Quantos se lembram?
Quantos se lembram da primeira vez que viram a mulher amada, da primeira carta, do primeiro beijo, do primeiro sim? Quantos se lembram do dia em que decidiram fazer o pedido, do dia em que compraram o anel de noivado, do dia em que comunicaram o noivado à família? Do dia do casamento, do dia em que conceberam o primeiro filho? Quantos se lembram da primeira vez que fizeram amor? Do dia e hora exto? Quantos se apercebem que existiu um dia em que a sua vida duplicou, que o tempo que antes é exactamente igual ao tempo que passou depois? Quantos se lembram de olhar para o lado e ter o privilégio de poder dizer: “Obrigado por continuares a meu lado desde essa primeira vez!”. Quantos tem o privilégio de acordar de manhã ao lado da pessoa que escolheram para que o acompanhasse na vida? Quantos perdem a memória em discussões mesquinhas sobre insignificâncias esquecendo tudo o que viveram e todas as decisões que tomaram? Às vezes custa-me ser tão repetitivo, mas é tão fácil ser feliz mesmo com todas as diferenças que nos separam, serão sempre menores que todos os gestos que nos unem!
Lembrem-se de vós mesmos…

Ps. Não confundi amor sei que não é hoje…

20/02/2017
A. Alberto Sousa

Poema do dia 14/01/2018

Poema do dia 14/01/2018

A cada dia desta alma velha
Segue-se uma noite sombria
Entre um acordar e um adormecer
Sabe-se viva, no seu viver…

No tempo em que festejava o meu aniversário
Não era feliz, não conhecia a felicidade
Faziam-me bolos e festas e presentes
Mas eu, eu não podia ser feliz…
Eu não escrevia nesse tempo…

No tempo em que festejava o meu aniversário
Em que esperava o amanhecer,
Não conhecia o viver ou o prazer
De não celebrar, de não esperar
De viver cada dia como ultimo…
Hoje não celebro, não faço anos…
Hoje apenas faço e conto os dias…

No tempo em que festejava o meu aniversário
Em que os pais, irmãos, tios e avós
Se juntavam à mesa em festa, celebrando
Nesse tempo, eu apenas estava, ali…
Hoje, hoje sou, existo, sem saudades desse tempo
Esse tempo, foi, existiu, hoje passa
O tempo passa sucessivamente
Por entre minutos e segundos
Descontando vida….

Hoje apenas não faço anos
Deixei de os fazer ou contar
Deixei de me importar com o receber
Hoje apenas o calendário me dá notícias
Desse tempo passado em que fazia anos…

O tempo passa,
A cada dia desta alma velha
Segue-se uma noite sombria
Entre um acordar e um adormecer
Sabe-se viva, no seu viver…

Alberto Cuddel
14/01/2018
00:10

Poema inspirado num poema de Álvaro de Campos
Aniversario de 15/10/1929

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: