A existência de almas além da minha

A existência de almas além da minha…

Na compreensão da vida, existo
Existo pela existência do outro
Na clausura do ego não há existência…

Seja a vida a plenitude da troca, da dádiva
Realizo-me cada vez que dou, que recebo
Enalteço-me no teu sucesso, na tua vitória
Seja na amizade, no ensino, no exemplo
Eu sou tanto mais eu quanto mais tu o reconheces!

Partilhar é um acto nobre de poder ser “mãe”
Sou grato pela vida que partilho, por ser
E ser é amar-me e amar o mundo, ter fé
Sentir-me parte do futuro, ser no amigo
No conhecido, no desconhecido, no pupilo
Reconhecer o outro como ser em crescimento
É apenas o primeiro passo para um outro amanhã!…

Na existência de almas além da minha
Vejo-me como único, não melhor, não diferente
Apenas único, podendo dar-me nesse amor
A vida é amor, apenas isso, amor a dar
A receber, fazer amigos é a arte de se doar
Não a arte de negociar contrapartidas e trocas
Acreditar na amizade e ter fé nela, e construir
Todas as pontes que nos irão levar ao amanhã…

Creio na existência de almas além da minha
Na tua que me escutas e em todas as outras
Que aos poucos edificaremos, doando-nos ao mundo!

Alberto Cuddel
13/02/2019
11:20

Provocação

Provocação

A provocação tem um preço…
As vezes alto de mais para se pagar…
Continua a provocar,
Depois não tem como se queixar…
O desejo provocado, ou é consumado….
Ou leva à loucura de um corpo marcado…

Sírio Andrade
24/03/2015

Pensei amar-te…

Pensei amar-te…

“pensei amar-te, mas queria-te possuir na alma
todos os teus orgasmos pertenciam-me, assim o desejava”

Doar-me-ei por inteiro na vida e na alma
Não pelo altruísmo do ego, mas por amor
Esse que ganha significância na dadiva plena
Entre um rubro luar e um laranja do sol por

Nessa réstia de humanidade sou-te pleno
Nesse ondular da perfeita e alva maresia
Num crente caminhar duro e terreno
Diante de tudo o que o sonho mais queria

Ofertei-me no corpo, na excitação rubra
Nesse almiscarado e doce odor do prazer
Diante do desejo que de mim te cubra

Força orgasmica do corpo conhecimento
Dessa força que nos amarra e faz viver
Todo o orgasmo, eternidade, momento…

Alberto Sousa
22/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Não me dês a mão

Não me dês a mão, não me segures ou ampares, não me ergas ou me eleves… quero-te apenas comigo a meu lado…

Quero o teu amor feito lábios, ainda que o sol nasça todos os dias, a cada madrugada por detrás as montanhas. Quero os teus lábios feito beijo, a cada banho, a cada café forte bebido, a cada manteiga derretida no pão quente, a cada manhã…
Quero o teu amor novo descoberto a cada acordar, a cada gesto de paixão, a cada beijo do despertar, a cada vontade de se fazer dia, de nascer e viver, de olhar o céu…
Quero um amor feito de areia molhada, caminho traçado, a cada pegada, a cada perdão do passado…
Quero o teu amor conquistado, a cada abraço, a cada vontade de ficar, a cada saudade, em cada liberdade de partir, na vontade de sorrir…
Quero o teu amor feito braços, feito pernas que se entrelaçam…
Quero apenas amar-te hoje, não ontem ou amanhã, apenas hoje…

Alberto Cuddel

Asas do querer!

Asas do querer!

Devastação da noite,
Gélido tremor que te trespassa,
Asas das trevas cobrem-te e envolvem,
Gritas, prazer na solidão,
Agrilhoado, preso e ferido,
Por sorte, prazer ou morte!

Penas, sonhos que te fazem voar,
Palavras gemidas, gritadas,
Esquecidas no amordaçar,
Aí dona de mim que me condenas,
Asas partidas, soltas na cela,
Há fome, há sede,
Há vontade de te querer,
Revolta em mim, dor
Nesta lua me prende!

Sírio de Andrade
30/01/2015

Fantasmas!

Fantasmas!

Reescrevo sem longas considerações,
Angústias veladas, perdidas no tempo,
Aninhado em mim, querendo partir,
Escuros lugares de onde quero fugir!

Há trevas que me envolvem, fantasmas,
Desoladores pensamentos, pesadelos,
Triste passado, sempre e sempre recordado,
Na fuga quero, sair de mim e esquecê-los!

Há vontade de mim que me consome,
Recolhe em mim no interior o sofrimento,
Que a ti nada te turbe, neste feliz momento!

Quero dar, sem sair, extrair o negro ser,
Triste e enfadonho, frio e calculista,
Que a capa exterior recolhe cá dentro!

Sou, sem ser, o que vês e não crês!

Sírio Andrade
26/01/2015

Ânsia de viver

Ânsia de viver

“resguardo-te dos espinhos,
que a minha plenitude contém,
dolorosa ocultação em mim,
ferozes desejos carnais,
ânsias, pecados mortais,
em parte, ofereço, em parte, oculto,
e deste meu vulto apenas sombra
de tudo o que sobra, transparência mortal
certeza abismal, cobra solidão, na multidão caído
infamação de um prurido doentio, ego, eu…
de tudo o que é teu, de tudo o que é meu
apenas a velhas telhas de um telhado novo…”

  • eram felizes e não sabiam…

despudoradamente corpos desnudos,
de almas preenchidas e cobertas,
por pensamentos profundos,
complexos, testados, confirmados,
desejados, velados, concretos,
ao invés dos corpos vestidos,
e das palavras gritadas ao mundo
passeiam-se pelas pequenas
e sujas ruas, mas vazios de pensar!…

olham o infinito que se apresenta ali
dão as mãos e caminham, sem um destino comum
sem um futuro… apenas são essa esperança da humanidade
essa que se perdeu na guerrilha de um pedaço de pão
por um sentimento das máquinas, objecto matemático da perfeição
sem a paixão, só um amor, os suporta…
antes que a réstia de humanidade lhes seja morta…

Alberto Sousa
09/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Ausência

Ausência

Não a escuridão não existe,
É apenas ausência de luz!
Não o frio não existe,
É apenas ausência de calor!
Não o mal não existe,
É apenas a ausência do bem!
Não o ódio não existe,
É apenas ausência de Amor!
Não a depressão não existe,
É apenas a ausência de ti,

Assim estou vazio,
Sem que o espaço em mim
Esteja por ti preenchido!

Sírio Andrade
17/01/2015

Selos perdidos…

Selos perdidos…

aqui testigo
diante deste calvário de vida
quanta palavra perdida, quanta jura esquecida?
baderna anárquica, repentina herança das horas
bordam-se canídeos que ladram, que te seguem pelo faro
sepultam-te as ideias antes de as teres concretizado
e nesses selos perdidos depois de tanto teres jurado
morres, vives apenas sem esperança,
essa que a terão matado no seio…

matas os sentidos que te formigam nos dedos
– e mesmo assim na copa cantam os pássaros
pergunta o carteiro por tua morada
mas sem resposta, nada…

há cartas que nunca serão entregues,
e se o fossem que diferença fariam?
e caminhas a correr sem ter onde chegar
queres diferente sem saber por onde começar
e ontem ou depois, que mal tem o errar
se tudo na vida é aprender
qual o outro sentido de caminhar?
de partir ou de ficar?

que vontade sôfrega é essa de ser feliz
se isso está aqui, em ti
que fome é essa de romantismo, de Paris?
se foi na nublada Londres que eu te quis?
na dura Berlim que fui feliz…
que importa a terra, o rio ou mar
que te importa o prédio, a moradia, a tenda ou lar
que te importa a fome, que não queremos engordar?

e queremos ter, queremos tanto ter…
para quê, para quê?
se o que importa na vida é ser…

ser palavra recordada, ser ideia, ser forma lembrada…

Alberto Sousa
06/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Pesadelo!

Pesadelo!

cego no errante vício caminhante,
hirtas árvores erguidas aos céus,
força da sorte nas tábuas cortadas,
repouso caído, fechado por pregos,
firmemente cravados no madeiro,
onde o corpo do filho do homem,
padeceu cravado por minha incúria!
revolvo nos pés rubras folhas,
gastas e desgastas no tempo,
como escritas num passado,
que se quer esquecido, apagado,
sombras disformes, humanas,
no pesadelo assombrado do sonho,
que um dia este mísero homem,
ousou sonhar a felicidade!

Sírio Andrade®
26/08/2015

Teia Virtual

Teia virtual

Enfileirei-me, estudei o mercado,
Enredei-me em redes e teias,
Teias finamente tecidas, e colocadas
Estrategicamente publicadas
Num horário, testado, para,
Que o isco, escrito, habilmente
Lançado, na rede sedutora,
De uma tristeza carente
Que te seduz habilmente
Nos instintos maternais,
Mulher,
Cruamente desprezada,
Perdida no sonho
De apenas ser amada,
Na retribuição carinhosa
Da atenção dispensada,
Há presas fáceis, da ardilosa
Armadilha,
Sob uma falsa montada
Capa descarada,
De uma liberdade imposta,
Seguro de si, o lobo,
Na capa de cordeiro armado,
Tece teias com seus tentáculos,
Enreda, tece, prende emocionalmente
Cada uma das presas, ensaiando,
De Estocolmo a síndrome,
De assumir para si
Papel de vítima!

Ó ardilosa e matreira conquista,
Na visão intimista,
De ver as suas
Enfileiradas presas
Presas a si pelo virtualmente
Seguro sentir, comendo-se vivas
Umas as outras, apenas para elevo
De um macho e louco, alter-ego!

Ó cruel, vil e triste manha,
Preso te encontras,
Na tua entorpecida liberdade,
Pela vaidade do engano!

Não, não sou melhor,
Maior ou diferente,
Ensaiei, tenho olhos, sou gente,
E tenho em mim, comigo,
Consciência, também eu fingi,
Levado, pelo deslumbre,
Pela facilidade,
Criando um outro eu!

Não, não é penitencia,
Tão pouco confissão,
Ou um lifting, tão na moda,
Apenas a certeza, que eu,
Eu, actor perfeito,
De perfeitos cenários,
Na realidade, na minha realidade,
Não sou, actor, encenador,
Caçador, pescador,
Mas presa voluntariosa,
Preso na teia sedutora
De uma perfeita e exímia
Caçadora, que me seduz,
Dia após dia, na paixão da partilha!

Alberto Cuddel

Na mesa da sala uma orquídea

Na mesa da sala uma orquídea

na mesa da sala,
na pequena mesa da sala uma orquídea,
florida, qual Primavera,
indiferente, ao calor que se faz sentir,
do lado de fora da janela!

na mesa da sala,
repouso o olhar, cansado, distante,
parcas horas de um diurno sono,
podia dormir, como podia,
sentado na velha poltrona,
onde desenhei sonhos,
onde sonhei conquistar as palavras,
rios de poesia, marés distantes de versos,
que versejo num sonhar!

na solidão deste solitário momento,
onde me permito desligar, do físico mundo,
das constantes da vida,
da edificação da conquista,
sinto-me,
verdadeiramente sinto-me,
eu… conquisto apenas o meu eu…
imobilidade da alma,
sem viagens alucinantes do tempo
sem passado, sem presente,
sem um futuro distante e ausente,
ainda não pensado…

na mesa da sala uma orquídea,
real natureza, máximo da beleza,
onde ainda me permito descansar!

Alberto Cuddel

Ravinas da alma…

Ravinas da alma…

sigo os passos dados na calçada
memórias de um ontem prometido
de mão dada, o vento acoita-nos a face
e sorrimos, como se o amanhã demorasse!

vai alta a lua de Primavera
e longe estão os teus braços que me enleavam
os passos perdidos não têm resposta,
o eco do caminhar hoje é apenas um silêncio…

nessa arcádia vazia, na mesa do café
existe apenas saudade, apenas dor, apenas revolta
arrancaste-te de mim a ferros, sem um adeus,
apenas foste viver essa tua vida medíocre e conformada…

não sei o que hei-de fazer das minhas emoções
com os meus sonhos e desejos…
não sei o que hei-de ser sozinho
sem as tuas mãos e sem os seus beijos

quero que ela me diga qualquer coisa
para eu acordar de novo, viver de novo
quem ama é diferente de quem é
é a mesma pessoa sem ninguém
sem essa vida sonhada da solidão além…

Alberto Sousa
27/04/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Entrelaça as mãos soltas…

Entrelaça as mãos soltas…

olhar cheio da nocturna densidade da saudade
entrelaça os dedos e contorce a alma
arqueia o desejo sob o peso aglomerado dos lençóis
seja nua a veste que te cobre o discernimento
seja pura a vontade lasciva que te percorre…

que as tuas mãos voem,
que voem em silêncio
onde eu guardo os sonhos…

sonhos que me pertencem, que te tocam, que te envolvem
quero ser eco da voz que escutas, gemido que te enlouquece
quero ser fonte do teu sorriso, quero ser origem do teu suor
quero amar-te, ser prazer, ser loucura e orgasmo solitário…

entrelaça as mãos soltas, os dedos húmidos, e deixa-me
deixa-me escutar-te, no silêncio das paredes, enquanto te olho…
mesmo que na minha pele, não sinta agora o calor da tua…
nesta louca fantasia… amo-te…

Tiago Paixão

Afúriadasaudade

Ps: um novo cuidado na escolha das imagens… Um impercetivel detalhe “as alianças” os casais também merecem os seus momentos de renovação não da paixão, mas do tesão…

Ode absoluta ao Amor

Ode absoluta ao amor

Seja o amor finito nas horas do dia,
Seja o amor infinito na saudade da noite,
Seja eu movido a desejos de beijos no regresso a casa,
Seja eu ardente e carente das viagens no teu corpo!

Viajo nos ditongos orais com que me vergas
Nas sílabas de um diálogo lido no olhar
O que importa?
A oração ou a nossa oralidade?
Viajas confusamente em lençóis de cetim
Se nas artes do conhecimento [foras ontem sonho]
Hoje navego descobrindo
A cada recanto do teu querer
Novos mundos onde a cada dia nos perdemos
[só assim nos encontramos, fora de uma monotonia]
Desumanamente, o tempo condena-nos à saudosa
Ausência de permanência desejada
Verdadeiramente almejada pelas almas que se desejam!

Por onde correm os livres ribeiros do desejo?
Não pelos corpos profanamente pecaminosos,
Mas na virtualidade do sentir pleno e decidido,
Somos braços que se abraçam no corpo maior
Vontade congregada e testemunhada por Deus!

Diziam-me os arautos da desgraça, profetas da inveja
Quanta delonga poeta em explanar o amor conjugal
Onde mora o teu efémero sentir, ou algo está mal?

Oh mundo que tudo condenas,
Não levas de mim maledicências
Se o mundo em tudo que nos atenta
Pelos brilhos da felicidade instantânea
Também é o mundo que nos exalta
A contrariar as vossas ciências,
Vivendo na felicidade apenas!

Os minutos em que verdadeiramente amo
São horas nos dias de solidão a que me condenais
Os segundos fixos no olhar,
São a esperança de a cada dia regressar,
Os arrufos, querelas e desentendimentos
São o adubo em terreno fértil
Ao diálogo consumado na paz que nos damos!

Se o amor, esse sentir decidido explanado nos beijos
Por muitos considerado capricho em desuso
É por nós consumado nos dias e noites longas
Também por Deus edificado nas noites escuras
Em que a saudade habita o lugar vazio a meu lado!

Doce temperança das manhãs claras
Aurora que desabrocha nos meus olhos
Abraço intemporal de um corpo cansado
Perfume de uma pele tatuada na minha
O amor é prova irrefutável dos dias
Sangue nosso que habitará o amanhã…

Alberto Cuddel
01:02
06/12/2016

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