Reinvenção da palavra

Reinvenção da palavra

Simplesmente mudá-la-ia de nome
Porque se chamaria assim? Incógnita?

Depois talvez visitasse quem tem aquários,
Apenas pela sensibilidade de serem contidos
De terem diante de si todo um universo
E mesmo assim ama-lo até à exaustão…

Talvez me chegasse à boca a vontade de gritar
Quem me ouviria nessas novas palavras nunca ditas?
Quem será a alma aberta à novidade da criação?

Depois reinventaria a partir do nada essa amizade
Em novos abraços dados com os olhos…

Alberto Cuddel
04/10/2021
16:00
Alma nova, poema esquecido – XXXVII

Às vezes, leio-me e comento-te…

Às vezes, leio-me e comento-te…

Na imensidão do pensamento
Penso, às vezes penso
Penso que me basto
Nas palavras que produzo
Às vezes, penso,
Penso que sou tão ignorante
E depois? Depois leio-te
Leio-te a ti poeta
Que me contas outra vida
Outras rimas, outras terras
Amores novos e virgens
Leio-te, na minha originalidade
E sinto-me pequeno,
Infinitamente pequeno
Plagiador até,
As palavras que escrevo
Não são novas em mim
Não brotaram do meu ser
Mas do que li,
Do que contigo aprendi
Ao ler-te também a ti…
Repouso em ti poeta
A consciência,
O cinzento pensar
Que bebo nas tuas
eloquentes palavras
soltas, livres, vivas
nas frases, nas rimas
na sofreguidão da fome
de te ler, de te interpretar,
e comentar, na ânsia
pagã, de sentar-me à tua direita,
lendo-te e encontrando-me
na significância da tuas
puras e elaboradas palavras!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda na escrevi 49

Amizade

Amizade

Tua alegria,
Minha alegria,
Teu sorriso,
Meu sorriso,
Sempre do teu lado
Mesmo que a distância não o permita.
Abraço apertado,
Quando sinto-te em baixo,
Conversa longa e demorada
Quando sinto-te perdido,
Seja hoje ou amanhã
O tempo não impede a nossa parceria.
Sinto-te na ausência da tua presença,
Sinto-te na presença da tua ausência,
Porque ser amigo
É ser presente mesmo não estando perto,
É estar mesmo não conseguindo estar.
Sónia Fernandes
Ser Amigo é estar
Doar, cuidar, preocupar-se nos silêncios
Orgulhar-se no sucesso do outro
Partilhar a alegria, os bons momentos
É saber comemorar, como se tudo fosse ganho…
Ser amigo é mais que irmão, que sangue
Ser amigo é amar como igual…
É estar não na tristeza ou doença
É enaltecer, é elevar as virtudes
Na amizade encontramos braços abertos
Mãos vazias, braços que se fecham no abraço,
Mãos que se enchem no cansaço…
Alberto Cuddel

Amizade,

Amizade,

Estado palpável do sentir,
Corpo perfeito do amar,
Sem interesse, apenas pelo dar,
É um deixar tudo e correr,
É não esperar retorno,
É um sorriso na tristeza,
É sentir o sentir de outrem,
Amizade é amar o próximo,
É cumprir um mandamento,
É receber e dar alento,
É sofrer polo outro,
É fazer nosso um outro coração,
Amizade é o tudo que nos une!

Alberto Cuddel

Olha que dois

Olha que dois
28/09/2018

Foi com enorme prazer que fui ao encontro de alguém que admiro enquanto poeta e ser humano, passando de uma amizade virtual a uma amizade real. Foram duas horas magnificamente passadas, em que a conversa fluiu por variadíssimos temas numa sintonia excelente, foi um enorme prazer e honra conhecer-te e abraçar-te, muito bem hajas por este pequeno mas tão grande momento! Um grande abraço amigo Jorge Pincoruja

Os “amigos” e os Outros

Os “amigos” e os Outros

Sem receio observo no silêncio
Os desconhecidos que chamei a mim
Os quais baptizei de amigos…

Teimam em mudar de passeio
Mas um dia ainda havemos de sorrir
Talvez o tempo se encarregue de tudo?

Continuo a deitar a cabeça em travesseiros
Vazios e desérticos de ideias consoladoras
Não, nunca será saciada a ganância humana!

Existe este tempo e o que há-de vir,
Mas nem esse se avizinha diferente
Apenas ausente, carente, distante…

Mas amigos esses existem, estão ali
A distância da tua mão, para dar, para receber…

Os amigos, não os baptizados, mas os outros
Esses que estão fielmente… os que choram contigo
Os que sorriem, os que rieem contigo
Esses são diamantes a guardar eternamente!

Alberto Cuddel

Poema do dia 09/11/2017

Poema do dia 09/11/2017

Caí,
Às vezes caio
Entre uma erguida
Uma outra prometida
Caio, para que me levante
Distante, ergo-me a cada passo
No aprendizado florido
Emenda do erro cometido…

Tropeços leigos da confiança
Sendo quem era, fui…
Renovando-me desconfiando
As palavras desfilam sem verdade
Creiam-me vivente dos versos
Ainda que nos versos mintam
Do amor façam vaidade…

Caí,
Às vezes caio
No depósito da amizade
Para que me erga
Ledo ignorante, descrente…
Numa vaidade declarada
Que por tantos embandeirada
Como certeza certa…
E caio, apenas para que me erga…

Alberto Cuddel
09/11/2017
01:00

Escolhi Amar-te XXXVIII

Escolhi amar-te XXXVIII

E se eu não te amasse, se tudo o que sinto não passasse de uma mera ilusão, de um engano? Se aquilo a que chamo amor fosse apenas uma dependência gerada por hormonas em sobressalto e por sinapses erróneas na ligação entre neurónios, se a saudade fosse apenas a ressaca da ausência do teu corpo, na mera dependência de um orgasmo obtido em ti? E se aquilo a que chamo amor, fosse a mera dependência de ti, como parte nascida em mim pela mão direita de Deus?
Talvez possa ser, talvez seja ou não amor, talvez seja uma mera dependência orgânica, mas continuo a quer escolher Amar-te todos os dias, ou meramente a ser dependente de mim em ti.
Mas sei e disso tenho a certeza plena, daqui a pouco amas-me, logo que o meu corpo se desloque na direcção da dependência do teu, logo que a minha alma, num esforço sobre-humano, eleve a carne na direcção do lar. Sim sei que me amas, da mesma forma que eu mesmo não sabendo amo-te!
Pode não ser hoje, mas encontrarei uma fórmula científica para medir a decisão do nosso amor, mesmo que para isso tenha novamente que convocar Deus como testemunha primeira do acto da nossa dependência.
Gostava de te contar um segredo, um daqueles segredos românticos, de que as flores do nosso jardim apenas continuam a florir pelo amor que sinto por ti, mas não era um segredo, seria apenas uma mentira romântica, as flores continuam a florir porque eu as rego, da mesma forma que te alimento, alimentando em mim a fome do amor e do desejo que sinto em ti, a cada dia de novo, e a cada manhã em que decido Amar-te!

Alberto Cuddel

em cada esquina um inimigo

em cada esquina um inimigo

em cada esquina um inimigo
em cada esquina falsidade
em cada esquina escondido um umbigo
em cada esquina a desigualdade…

em cada verso o desdenhar
a leitura do sentido inverso
se precisas não posso ajudar
se não queres eu me ofereço…

ó falsas vaidades estas do povo
em que o povo somos nós
olhando acima o céu Tão bonito
no chão pisamos a bosta de cão…

Januário Maria
09/10/2017
21:02

Nunca conheci ninguém que já tivesse falhado

Nunca conheci ninguém que já tivesse falhado

Os meus amigos são campeões em tudo
Nunca conheci ninguém que tivesse falhado na cama!
E eu tantas vezes reles, vilmente não consigo dormir
Tantas vezes calo e tantas vezes engulo a vergonha
De passar horas acordado olhando para o tecto…
Sem sono, pensando nos clubes deles que tudo ganham
Os meus amigos nunca perdem, tudo sabem
Tudo escrevem com alma, sem fingimento, com calma
São os mais hábeis com as palavras, perfeitos conquistadores
Numa imaginação fértil de uma espécie macho Alfa
Os meus amigos são os melhores do mundo,
Nunca são apanhados pela policia, nunca fugiram aos impostos
Nunca perderam umas eleições, nunca foram candidatos
São mesmo os melhores do mundo, é tão bom ter amigos
Tenho pena de quem não tem amigos como eu,
Mas eu tenho, amigos que nunca falham…

Januário Maria
28/05/2017
21:36

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