Pensei amar-te…

Pensei amar-te…

“pensei amar-te, mas queria-te possuir na alma
todos os teus orgasmos pertenciam-me, assim o desejava”

Doar-me-ei por inteiro na vida e na alma
Não pelo altruísmo do ego, mas por amor
Esse que ganha significância na dadiva plena
Entre um rubro luar e um laranja do sol por

Nessa réstia de humanidade sou-te pleno
Nesse ondular da perfeita e alva maresia
Num crente caminhar duro e terreno
Diante de tudo o que o sonho mais queria

Ofertei-me no corpo, na excitação rubra
Nesse almiscarado e doce odor do prazer
Diante do desejo que de mim te cubra

Força orgasmica do corpo conhecimento
Dessa força que nos amarra e faz viver
Todo o orgasmo, eternidade, momento…

Alberto Sousa
22/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Ânsia de viver

Ânsia de viver

“resguardo-te dos espinhos,
que a minha plenitude contém,
dolorosa ocultação em mim,
ferozes desejos carnais,
ânsias, pecados mortais,
em parte, ofereço, em parte, oculto,
e deste meu vulto apenas sombra
de tudo o que sobra, transparência mortal
certeza abismal, cobra solidão, na multidão caído
infamação de um prurido doentio, ego, eu…
de tudo o que é teu, de tudo o que é meu
apenas a velhas telhas de um telhado novo…”

  • eram felizes e não sabiam…

despudoradamente corpos desnudos,
de almas preenchidas e cobertas,
por pensamentos profundos,
complexos, testados, confirmados,
desejados, velados, concretos,
ao invés dos corpos vestidos,
e das palavras gritadas ao mundo
passeiam-se pelas pequenas
e sujas ruas, mas vazios de pensar!…

olham o infinito que se apresenta ali
dão as mãos e caminham, sem um destino comum
sem um futuro… apenas são essa esperança da humanidade
essa que se perdeu na guerrilha de um pedaço de pão
por um sentimento das máquinas, objecto matemático da perfeição
sem a paixão, só um amor, os suporta…
antes que a réstia de humanidade lhes seja morta…

Alberto Sousa
09/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Selos perdidos…

Selos perdidos…

aqui testigo
diante deste calvário de vida
quanta palavra perdida, quanta jura esquecida?
baderna anárquica, repentina herança das horas
bordam-se canídeos que ladram, que te seguem pelo faro
sepultam-te as ideias antes de as teres concretizado
e nesses selos perdidos depois de tanto teres jurado
morres, vives apenas sem esperança,
essa que a terão matado no seio…

matas os sentidos que te formigam nos dedos
– e mesmo assim na copa cantam os pássaros
pergunta o carteiro por tua morada
mas sem resposta, nada…

há cartas que nunca serão entregues,
e se o fossem que diferença fariam?
e caminhas a correr sem ter onde chegar
queres diferente sem saber por onde começar
e ontem ou depois, que mal tem o errar
se tudo na vida é aprender
qual o outro sentido de caminhar?
de partir ou de ficar?

que vontade sôfrega é essa de ser feliz
se isso está aqui, em ti
que fome é essa de romantismo, de Paris?
se foi na nublada Londres que eu te quis?
na dura Berlim que fui feliz…
que importa a terra, o rio ou mar
que te importa o prédio, a moradia, a tenda ou lar
que te importa a fome, que não queremos engordar?

e queremos ter, queremos tanto ter…
para quê, para quê?
se o que importa na vida é ser…

ser palavra recordada, ser ideia, ser forma lembrada…

Alberto Sousa
06/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Crónica à língua que uso

Crónica à língua que uso

“É um facto que o cágado continue cagado se ninguém o limpar!”
Escrito ao abrigo do AO1990

Neste dia em que celebramos a língua Portuguesa não me incomoda a sua forma de escrita, apenas o uso que dou à minha. Incomoda-me o facto de só depois de 1990 ter podido comer Kiwi, ou Yogurte, finalmente o Kilometro ficou mais curto, perdeu uma vogal.
Não me incomoda que guarda-chuva agora seja uma peça só desde que nos recolha aos dois. Não me incomodam as mudanças linguísticas da escrita, desde que continues a saborear o aroma e sabor das palavras, não me incomoda que fato seja no Brasil ocorrência real e provada, e cá um conjunto de vestuário masculino composto por três peças, no final acabas sempre de facto por arrancar-mo do corpo… Não me incomodam as diferenças linguísticas de passado e presente, ou que Egipto tenha perdido uma parte, no final continua a ser o mesmo país. Não me incomodam as consoantes mudas, afinal a humidade, ninguém sabe bem de onde vem… Incomodam-me os extremismos, as discussões, afinal quem se lembra do Português de Diniz, de Camões, de Aquilino, Eça ou Pessoa?
Não me incomoda que Fevereiro que afinal é um mês pequeno seja escrito com minúscula, será sempre o mês em que me disseste definitivamente sim… A língua e o uso que fazemos dela, serve apenas um propósito, comunicar, e tantas vezes com tanto prazer mesmo na linguagem corporal… comuniquemos… linguisticamente falando. No final quem se recorda as discussões intermináveis para o AO de 1945? Tudo é valido desde que nos possamos entender…

Alberto Cuddel

Esperança…

Esperança…

nessa esperança que espera, ante o tempo que passa
os dias que desconta do sonho por cumprir
e os passos dados em calçada gasta… há essa virtude…
esperança…

não há muito que mais faça, além de uma inglória espera conformada
aparte isso… passa o tempo que corre, com pressa de um depois
mesmo que o depois apenas seja a morte do sonho
num fim anunciado que não foi aceite no tempo que me restava…

e morre a esperança sem se cumprir…

Alberto Sousa
01/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Ravinas da alma…

Ravinas da alma…

sigo os passos dados na calçada
memórias de um ontem prometido
de mão dada, o vento acoita-nos a face
e sorrimos, como se o amanhã demorasse!

vai alta a lua de Primavera
e longe estão os teus braços que me enleavam
os passos perdidos não têm resposta,
o eco do caminhar hoje é apenas um silêncio…

nessa arcádia vazia, na mesa do café
existe apenas saudade, apenas dor, apenas revolta
arrancaste-te de mim a ferros, sem um adeus,
apenas foste viver essa tua vida medíocre e conformada…

não sei o que hei-de fazer das minhas emoções
com os meus sonhos e desejos…
não sei o que hei-de ser sozinho
sem as tuas mãos e sem os seus beijos

quero que ela me diga qualquer coisa
para eu acordar de novo, viver de novo
quem ama é diferente de quem é
é a mesma pessoa sem ninguém
sem essa vida sonhada da solidão além…

Alberto Sousa
27/04/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Duetos improváveis – dois tempos e duas mãos

Uma surpresa feita pelo meu querido irmão das letras António Alberto Teixeira Sousa!! O poema que fiz, há pouco mais de duas horas, agora, extensível a duas mãos! As minhas e as tuas! infelizmente ainda não consegues comentar, mas consegues ler!!
Obrigada pelo teu carinho, obrigada pela tua generosidade, obrigada pela surpresa! Obrigada por seres como és!!
🥰🙏🙏🙏🙏🙏

SER ( a duas mãos)

Presta-se o dia
para divagar nas entrelinhas de um suspiro
Aberto de cautelas e consciências plenas do nada…do vazio do inconsciente…
De propósitos de vida
e pensamentos vagos…
Mas sempre com uma prioridade assumida,

O amor…
O amor no mais puro conceito…

“Essa virtude humana que se agiganta no vento
Canas que se vergam as tempestades
E tudo passa, tudo é perfeito, na imperfeição das horas
E antes de tudo, o amor é, naturalmente natural… “

Ouço o frenesim dos pássaros e
dou por mim, cada vez mais apegada aos animais e às crianças …
A inocência de ambos é congénere …

“Numa fidelidade férrea gravada nas pedras
Vivo esse tempo raso, esse vai e vem marítimo,
Eterno, infinito, feminino, sensível até… “

Dois pequenos irmãos jogam à bola no jardim…
Não devem ter mais de oito anos
e a alegria dos seus sorrisos é contagiante!
Ausentes de responsabilidades e incertezas, não pressupõem sequer o que o futuro lhes reserva…

“Como duas pequenas crias de lobo
Aprendendo a cada brincadeira,
Como se edificassem Roma, criado um novo amanhã…”

Que perfeito seria um mundo, onde a proteção e direitos iguais, para as crianças e animais fosse um senso comum…

“Que perfeita seria a vida sem essa necessidade de diferenças
Sem distinção entre seres vivos,
Entre crianças e adultos, entre homens e mulheres,
Entre pigmentações, entre religiões Entre fronteiras, entre falsas e verdadeiras… “

Que perfeito seria um mundo sem guerras, sem ganâncias, sem ódios, sem censuras, maledicência, reparos ou reprimendas…

“somos um vírus na terra,
Uma bactéria que suga a vida,
Humanos tristes, gananciosos,
Invejosos, sedentos de fome…
Queremos o que não temos… “

Vivemos num mundo doente, com feridas que jamais irão sarar…
Com disputas que jamais irão parar…

Só um poeta consegue subtrair-se das trevas…
Por mais que sofra, o poeta sonha e vende sonhos a quem os queira comprar…
Alimenta-se e alimenta almas famintas com o mais puro alimento espiritual,

“O poeta sonha, idealiza a brisa no rosto
Uma paz capaz de ser sol num caminho
O poeta canta a beleza natural,
Essa ideologia natural que é a paz,
Fruto de uma pura sementeira…”

O amor
O amor no mais puro conceito!

No pouco tempo que não tenho para ter tempo para o que é vital
e dentro de uma existência invertida, continuarei sempre a ser poeta…
E…a ser poema…

“Enquanto o amor é semente a germinar… “

Célia Teles Ferreira
“Alberto Sousa”
16042022
Reservados os direitos autor

Vivências

Vivências…

há nesta parede nua
um candeeiro cego
desses que não iluminam os defeitos…

estranhamente sabe-me a paz
esse ar gélido que me acoita o rosto
aqui, agora mesmo, apenas silêncio
apenas vento, apenas nada…

no silêncio das casas mortas
não há nomes escritos nas portas
nem ciscos nas paredes, nem risos de crianças
apenas ruínas de um tempo que era…

Deambulam sob as brasas, caminham no fio da navalha
já não há amantes ou relações, apenas uma busca pelo amanhã
o chão feito de afectos pisado…
uma busca inglória por fermento e pão…

há nestas paredes nuas uma fome de justiça
feita por muitas mãos cegas cheias de orgulho…
mas a fome embrulha-lhes o estomago…

Alberto Sousa
02/04/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Reflexão porque eles também pensam e sentem…

Reflexão porque eles também pensam e sentem…

Sobre a agressão perpetrada por Will Smith.

Sobre tal começo por dizer que sou totalmente contra qualquer tipo de violência. Sobre o que aconteceu o que mais me escandaliza é ver, mulheres e mãe apoiar tal “explosão” de testosterona de um macho ferido no seu orgulho, porque alguém “insultou” através do humor o seu património, a sua fêmea. Existirem seres humanos que apoiam essa violência é para mim repugnante, e explico porque, validar esta violência é validar toda a violência quando o orgulho do macho é ofendido, é validar a violência doméstica, é dar ordem de ataque aos filhos, aos jovens, porque vão defender a sua honra ou das suas posses…

Em segundo lugar, já repararam que todo o humor é ofensivo e ou rebaixamento de caracter ou inteligência de alguém? Assim sendo é então todo o humor é um insulto. Por exemplo, alguém cai na rua, e as pessoas riem… esta essa pessoa autorizada a ser violenta com quem riu, porque o riso a ofende? Uma piada sobre os carecas, devem os carecas serem violentos por isso, devem sentir-se ofendidos?

O insulto não parte da boca de quem o emite, pois quem o emitiu não cometeu nenhuma inverdade… o insulto é sentido e aceite pelo Will Smith, por um ego doente. Ele se sentiu ofendido, porque ela é dele, e está revoltado por a “mulher” dele estar doente.

Validar a atitude de macho que defende a honra da fêmea pela violência é validar a posse. É aceitar que a mulher deixou de ser autónoma como ser humano, que passa a pertencer e a depender desse macho alfa, que a domina…

Nunca a violência tem justificação. E neste caso o que podia ser uma excelente rampa de divulgação para uma doença rara como a doença autoimune, alopecia, que causa a perda total ou parcial do cabelo, após a cerimónia tal hipótese foi completamente arrastada pelo chão por um ego ferido, de macho traído.

Alberto Sousa
29/03/2022

Ancorado a este momento…

Ancorado a este momento…

larguei a âncora neste mar interior
fundeado neste passado e no agora
nesta sonolência adormecida morremos
morremos estando vivos sem ter vivido

tudo vem da certeza do que sabemos
desses telhados de vidro que não queremos partidos
e amamos pela metade sem nunca nos entregarmos
pelo medo de um suposto amanhã que desconhecemos

[ergue-se o poeta e fala, como quem sabe]
é noite escura e estou sozinho
aqui, neste lado, neste pequeno canto no fundo da sala
olham-me como se soubessem que eu sei de alguma coisa
-eu que não sei nada e finjo tudo dominar…
que até o prazer finjo sentir com medo de falhar…

quem me dera ser mulher e voar…
poder ser multi-coisas, apenas por olhar…
e pelo sonho que se faz aqui
naquela superfície clara quando ela se afastar e
abrir a porta para sair de casa murmurando:
tudo vem ao chamamento por dentro do clamor da noite
-eu que nunca chamei ninguém…
apenas a desejei chamar…
ela que me foi implementada no cérebro por um outro útero…

[e vivo ancorado a este momento com medo de sonhar o impossível]

Alberto Sousa
27/03/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Muito Obrigado!

Muito obrigado a todos os que ao longo destes anos me seguiram nesta aventura da escrita, depois de milhares de poemas escritos e partilhados aqui no blog e nas mais variadas redes sociais dou por terminada esta aventura… durante estes anos fui surpreendido por muitas mensagens que me foram deixando, por muitas partilhas e por muitas amizades que se foram criando. Agora fica aqui registada essa memória, esses poemas e escritos, para que não se percam.

Um enorme bem haja a cada um de vós… Não é um Adeus pois os poetas não morrem mas sim um até sempre.

António Alberto Teixeira de Sousa

Tudo é uma corrida do tempo…

E tudo é uma corrida do tempo…

“tudo me interessa e nada me prende.
atendo a tudo sonhando sempre;
fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo,
recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos”

e tudo porque tenho o tempo que não tens
esse que gastas sem ter a noção que o perdes
sem nunca o ter perdido por não ser teu o tempo

perdes a noção de humanidade, corres para chegar
sem perceber que na corrida a meta se afasta
olhas o teu umbigo, não percebendo que todos tem um mesmo destino
não olhas a paisagem, o lado de dentro das coisas
sentes o beijo, mas não dialogas com a alma que o ofertou…

desejas chegar, partir, nunca amas estar, produzir
desejar ter, mas esqueces de ser…
e tudo é uma corrida contra o tempo
esse que perdes sem viver, sem olhar o caminho
sem apreciar a paisagem, sem sentir o calor da mão
que a tua segura… conduzes depressa,
comes depressa, dormes depressa, cresces depressa
para ter o que perdes… e iras perder o tempo que tentas ganhar
porque depois… depois não terás tempo…
tão pouco esperança…

Alberto Sousa
Poemas de nada que se perdem na calçada
22/12/2021

Há quem sofra, e eu? Eu não…

Há quem sofra, e eu? Eu não…

aquela malícia incerta
e quase imponderável
que alegra qualquer coração humano
ante a dor dos outros, e o desconforto alheio,
ponho-a eu no exame das minhas próprias dores,
nessa comparação tosca das minhas com as deles…

ante o que me doi e o que te doi,
desdenho das tuas, mas jamais as minhas ofereço
tenho o dom de sofrer, às vezes silenciosamente
quieto, sem inquietar, mesmo que apenas me doa a alma…

dói-me que alguém sofra pela minha dor
pelos meu sofrimento… prefiro ser a montanha
essa cápsula que guarda dentro de si um vulcão
sobre uma estrutura cerebral gélida… impassível…

abstraio-me das necessidades humanas
das necessidades de homem, de alma…
deixo que tudo seja o que desejam que seja…
anulo-me na nulidade da existência sofrida
mas são aparentemente felizes…
e eu aparentemente não me doi
e aparentemente não sofro…
tudo porque me revolta
aquela malícia incerta
e quase imponderável
que alegra qualquer coração humano
ante a dor dos outros, e o desconforto alheio…
dói-me essa alegria mesquinha diante da dor do outro…

Alberto Sousa
Poemas de nada que se perdem na calçada

16/12/2021

Desumanizado…

Desumanizado…

desflori os lírios e aprisionei as borboletas
a vida é uma bicicleta sem corrente
uma clareira de uma floresta abatida
um rio seco de pedras polidas na espera da enxurrada…

depois um tempo sem história, sem crença e sem memória
um tempo sem sentir, inerte, tosco, e sem suprir…
as calçadas apenas caminhadas sem destino
apenas a chegada a um lugar vazio, talvez porque sim
o contrário será exactamente o mesmo, porque não?

perde-se essa vontade de vida, uma eutanásia da alma
o corpo vive pela massa carbónica…, mas as ideias?
essas morreram, perderam o sentido, a existência do caminho…
já não são, já não eram, e ficam-se por ali
essa virtude defeituosa chamada desejo…

Alberto Sousa
Poemas de nada que se perdem na calçada

11/12/2021

Visto-me de rasgos de lucidez

Visto-me de rasgos de lucidez

entre o tempo morto que perco
e esse outro em que me condeno
visto-me de escolhas em cada defeito
entre um céu nublado e outro encoberto
serpenteio as gotas que caem e as que molham
caminhando por estradas lamacentas
realidade suja e ordinária na falsidade
tudo parece o que não é…

rasgas silêncios em palavras gritadas
pelas verdades sentidas, escondidas
nunca proferidas ou ditas, gemes em silêncio…

(onde moram as honestas declarações)
perfidamente confesso-me sentenciando-me
por verdades omitidas e mentiras ditas
sentimentos fingidos e outros sentidos
outros omitidos na alma, no silêncio escuro…

(onde me escondo? de quem?)
na poesia finjo ser quem não sou
sendo verdadeiramente o poeta que escrevo
nesta irrealidade das palavras sinto-me
na verdade, sou mentira, que inscrevo
sendo que a verdade é…
(quem de mim dirá o que sou,
sendo eu nada, sempre posso ser tudo)

percorro estradas vazias cheias de gente triste
penso, medito chuto pedras quadradas
morro? parto? perdoo-me?

entre um rasgo de lucidez e um corte nos pulsos
tatuo no peito um desejo… amor… e perdoo-me!

Alberto Sousa
Poemas de nada que se perdem na calçada

22/11/2021

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