A carta

A carta

Era um adeus simples, um até depois, depois do nada, depois que a esperança morreu… foram palavras simples aquelas que o poeta escreveu, um mar calmo sem vento, uma floresta negra e morta pelo fogo que se extinguiu… foi um quase tudo que apenas foi nada, um fogo em cabeça de fosforo, que a brisa da mesmice dos dias logo apagou… De que te vale tentar incendiar lenha verde? De que te vale a procura de palavras sadias, se no final tudo se resume à loucura da embriagues de mais um copo de vinho… de que te vale esse prazer temporário de que “tudo esta bem” se continuas a morrer devagarinho, se deixas de acreditar no amanhã? Esse que tens certo como um dia igual a ontem, sem mudança, apenas depois de hoje… e colecciono esperanças e memória dos abraços, e Maio… foi em Maio… Perdi-me de todas as cartas que escrevi cheio de sonhos, hoje apenas lembranças desses tempos, onde ia ali a correr, gemer a felicidade… hoje já nem as palavras me fazem sorrir… Visto a tua mascara, essa que tantas vezes passeaste na rua, essa mascara do sorriso, por entre piadas e anedotas… mas na verdade, nem tão pouco te concedem a liberdade de estar triste, de ser triste, de ter a certeza de que a vida é um mero castigo, um mero sacrifício ser vivida… e o amor, a pouca esperança que te mantem vivo… ele é a derradeira chantagem enviada por Deus…E Deus espera-te, sem te conceder o acto de desespero que te leva directamente a ele…


Alberto Cuddel
22/06/2020
19:34
In: Nova poesia de um poeta velho

O Adeus…

O Adeus…

Perdi o comboio que passava,
No tempo que passa entre uma morte e a vida,
Nada hoje me contenta, nem a partida que desejava,
Tudo me soa a partida, nunca a uma chegada!

Carris, longamente estendidos, enferrujados
Pelos dias que passam, e outros desajeitados
Vi-te partir, com a esperança no olhar
Mas nunca mais, no comboio te vi chegar,
Esse morreu longe por decreto, decrépitos,
Esses que nos roubam a vontade de ir…

Toda a partida é uma morte,
Até nova chegada,
Mas o comboio que te serpenteava
A ti natureza em declínio,
Esse morreu, nunca mais voltou!

Eu, no meu olhar descrente
Fito a neblina, e escuto
As vezes filosoficamente
Ouço em minha mente,
O doce martelar ferroso
Do comboio em que te vi partir,
O progresso,
Incúria desumana,
Morreu longe,
Na esperança da vida
Dos antepassados
Que te esventraram
Para que o cavalo de ferro,
Um dia te levasse…
Sem um adeus…
Sem um até sempre…

Alberto Cuddel
04/03/2017 00:30

THE END

Despedida…

1590 poemas depois abandono o blog, a todos os que me seguiram o meu muito obrigado! foi bom sentir o vosso apoio e calor humano, foi bom crescer com as vossas criticas! quem sabe um dia, algures no futuro eu regresse.

Um enorme abraço,

Alberto Cuddel

Poema XVI

Poema XVI

há saudades choradas deixadas em cada degrau
em cada “amo-te” dito como adeus…

esperanças nascidas e cada chegada
certezas vividas na luta diária
amor que me habita a alma que anseia
fogo que me consome e a vida medeia…

ah, mulher que sou no homem que faço
na força do querer no tempo que desfaço
abraço certo que tudo conquisto
na alma profícua em que existo
ser de carinho onde me recolho
és vida e fim, por quem vivo…

há saudades choradas deixadas em cada degrau
em cada “amo-te” dito como adeus…

és esperança futura de uma vida nova
és conflito mediado onde me nasce a paz
sopro fecundo que me abarca o peito
fome e sede em tudo que me és capaz…
homem e alma que em mim aceito
chuva, arco iris nascido nos céus…

há saudades choradas deixadas em cada degrau
em cada “amo-te” dito como adeus…
Alberto Cuddel
09/03/2019
19:50

Poema à dor do adeus.

Poema à dor do adeus.

Neste peito dilacerado pela cobardia do adeus
Ardem velas, morrem telas e sonhos
Morrem as almas, a que fica, a que parte
Viva…

Desse amor que vive sem resposta
Que dói, que mata por dentro
Corrói-me a carne, os ossos
Nessa dor que dilacera devagar…
Na porta que se fecha atras de mim
À tua frente, nesse coração que para…

Fogo que se extingue na lágrima
 Diante do nada, as mãos pendem vazias
Já não limpam o rosto, não te abraçam…

Nessa dor do adeus, morro, todos os dias
 Morro em mim, matando-me
Matando um sentir que dói, que mói
Neste gélido corpo que deixei…

Morremos, pela cobardia do ficar
Pela cobardia do partir
Pela arrogância do desistir
Criamos a dor que nos mata…
Para que outros vivam na ilusão
Que o sol não dói, a cada dia que nasce…

Alberto Cuddel
24/12/2018

Um adeus que não esperava.

Um adeus que não esperava.

Nasce-me um adeus no peito,
Em notícias incrédulas, tanto havia
– Tanto há e cá não estas…

Não fica comigo a saudade,
Nem na alma actos passados,
Fica a memória de outros tempos
E tempo que já não temos…

Por um instante despedes-te de Deus
Despedes-te de mim, das saudades que tinhas
Da tristeza que sentias…

Lágrimas que perdem sentido
Diante das palavras que me crescem
Na dor do silêncio da mente
Silêncio que me envolve na alva bruma
Pesado cansaço opressor das ideias,
Adormeço em mim, sabendo que já não vives…

Nascendo-me um adeus no peito,
Para renascer num amanhã, sabendo que não estás
Na alvorada de um novo dia, partistes para junto da tua vida…
Adeus tio…

Alberto Cuddel

Um adeus que não esperava.

Um adeus que não esperava.

Nasce-me um adeus no peito,
Em notícias incrédulas, tanto havia
 – Tanto há e cá não estas…

Não fica comigo a saudade,
Nem na alma actos passados,
Fica a memória de outros tempos
E tempo que já não temos…

Por um instante despedes-te de Deus
Despedes-te de mim, das saudades que tinhas
Da tristeza que sentias…

Lágrimas que perdem sentido
Diante das palavras que me crescem
Na dor do silêncio da mente
Silêncio que me envolve na alva bruma
Pesado cansaço opressor das ideias,
Adormeço em mim, sabendo que já não vives…

Nascendo-me um adeus no peito,
Para renascer num amanhã, sabendo que não estás
Na alvorada de um novo dia, partistes para junto da tua vida…
Adeus tio…

Alberto Cuddel

Adeus meu tio… RIP

em 29/11/2018 até sempre…

Poema à dor do adeus

Poema à dor do adeus

Carrego nas mãos o sangue do teu peito
Esse que fiz jorrar no adeus
Esse que te corria no corpo de véspera
Cada batimento, a cada beijo, a cada sonho
Carrego nas mãos a dor da tua morte
Eu que numa palavra matei a esperança
Matei a alma, o corpo, a beleza, a poesia
Eu homem cobardemente matei o Amor!

Carrego nas mãos o sangue do teu peito
Na alma a morte do teu ser
Carrego em mim o peso da cruz
E esse “não” que me repeti
De um “sim” caído no chão pelo peso
Desse outro sangue de tanta outra gente!

Carrego no peito cravado esse adeus
Que sangrando me faz viver
Na culpa de nas mãos ter o teu sangue
Que por mim jorra na culpa de não dar
Não entregar, não gravar no tempo
A felicidade a que disse Adeus!

Alberto Cuddel

Poema do dia 14/10/2018

Poema do dia 14/10/2018

Não, recuso-me a despedir-me hoje,
Já disse, não, não quero um adeus,
Não quero um até sempre, recuso-me…

Seria certo que numa hora como esta ciente da realidade a que a minha vida se destina te dissesse um simples até logo, até amanhã, mas tanto ainda ficou por dizer, por escrever, por beijar, por abraçar, quantos orgasmos nos foram negados por essa mesma vida? Recuso-me a despedir-me, não já disse…

Suspendo o tempo entre a partida e a chegada, entre o pôr-do-sol e alvorada, entre uma metáfora e a outra, entre o querer e o poder, suspendo o tempo entre o rio e o mar, entre a montanha e o vale, entre o céu e a terra, fico apenas suspenso entre um momento e o outro, mas, recuso-me terminantemente a despedir-me…

Não, recuso-me a despedir-me hoje,
Já disse, não, não quero um adeus,
Não quero um até sempre, recuso-me…

Recuso-me a deixar-te vazia de mim, na carência de versos, recuso-me a partir, cheio de tudo o que não fiz e vazio de gestos, recuso-me a boiar na ondulação cadenciada dos minutos, abandonar o calor da tua alma, a despir-me no degelo do peito, na abstinência de me entregar à palavra. Recuso-me a suportar a inquietude de um silêncio que não respira, recuso-me a suportar a ideia de um corpo deitado em leitos de tabuas, enquanto o relógio avança na espera do tempo certo.

Nesta minha recusa, aponho o corpo e o peito aberto ao mundo, neste dourado Outono em que o frio me trespassa, na espera desse dia certo, em que somos de novo, sem pressa, abraço e letras, prosa e beijos, versos, rimas, desejos e orgasmos, enquanto isso convalesço estéril e sozinho, sofrendo de uma doença que nunca tive e para a qual não existe cura, a abstinência de ti, curar-me-ei, quando existir em ti sem despedidas, quando for eu poesia e tu musa dos meus dias, mas agora recuso despedir-me, por não querer ir, apenas para não ter que voltar…

Não, recuso-me a despedir-me hoje,
Já disse, não, não quero um adeus,
Não quero um até sempre, recuso-me…

Alberto Cuddel
14/10/2018
Castanheira do Ribatejo, Portugal

Poema do dia 21/02/2018

Poema do dia 21/02/2018

Eternamente já…
Um até sempre, uma despedida consentida e consciente, eternamente já, as palavras nunca são suficiente no imediato, na história de ontem encontramos quem fomos, nunca quem somos, saberemos isso amanhã… nunca o já é uma despedida, mas despedimo-nos de nós mesmos, criando novos eus. Nunca me despeço das palavras, apenas as silencio, para que ressoem em mim, no eco solitário de me despedir das formas e sonhos nunca realizados, cansa-me e pesa-me a solidão dos textos privados do olhar e de almas, nunca fui poesia, apenas uma visão estratégica e calculista da beleza da realidade transposta, momentos efémeros traduzidos em formas desenhadas da realidade entendíveis pelas humanas almas, sedentas da beleza traduzida da linguagem…
Talvez me despeça em cada poema, morra em cada verso, os desânimos acobarda-me, deixo que o meu corpo se desligue que o olhar não veja, que os ouvidos não escutem, que a boca não fale, que os dedos não traduzam a beleza da realidade, da dor e do sofrimento, quem sabe do amor. Talvez seja um acto ignóbil, egoísta, narcisista até, calar em mim o que sou, ou o que finjo ser, por uma felicidade calma e aparente de nada esperar por nada escrever, mas faze-lo fere-me mortalmente o ego, sendo que de grande nada almejei. Sou um mero fragmento do que foi, calado serei mais, serei história, quedo serei eu, poeta… na contagem inquieta do tempo, o bom passou neste futuro incerto, na consciência que faça sol ou chuva, que seja dia ou noite, esteja a sul ou a norte, nada importa, tudo será eternamente já…

Alberto Cuddel
21/02/2018
1:31

Palavras do Adeus

Palavras do Adeus

Rasgam-se palavras de Adeus
Por entre prantos negros
Vozes que se calam
Sorrisos sarcásticos de vitória
Não fica registo, não fica história
Apenas memória difusa de rimas!

Ensaiam-se gestos e aclamações
– Na verdade, essa caiu por terra…
Rasgam-se palavras de Adeus
De um até sempre não prometido
Mas fastas foram as forças
Fastos ficaram os dedos
As folhas mortas, vazias, abandonadas…
Canetas sem tinta jorram poemas de silêncio
– Desfilam contentes os falsos
Ah, hipocrisia mundana…

Sem talento condenaste-me
Derrota alcançada pelo cansaço
Dolorosas palavras escritas
Rasgadas palavras de dor
Palavras de Adeus…
De um até nunca gritado na alma…

Alberto Cuddel
13/12/2017
06:23
#Solutampoetica

Poema do dia 20/12/2017

Poema do dia 20/12/2017

Tem-me enquanto sou novo, no tarde estorvarei
Agora enquanto a vida sorri, depois apenas chorará
Aproveita agora enquanto sou novo, não me uses
Abusa-me, em quanto posso, depois, definharei…

Tem-me enquanto sou novo, no tarde estorvarei
Aproveita-me agora enquanto me apeteces
Antes que a lua se ponha,
Antes que a força me abandone,
Antes que a vida se estinga…

Tem-me enquanto sou novo, no tarde estorvarei
E nesse tempo de abandono,
Quando já não te fizer falta,
Larga-me, espera que parta…
Depois, depois não me terás…
Nem necessárias serão as missas
As preces, as flores e visitas…
Depois apenas esquece-me…

Alberto Cuddel
20/12/2017
15:55

Adeus…

Adeus…

Não bastava um adeus?
Um simples beijo?
Um bater de porta?
Para quê o sofrimento
Das palavras escritas
Doloroso momento
Palavras convictas
Se verdadeiro fosse o sentir
Então por que partir?
Se dizes ainda amar
Porque não conversar?
Mas na tua cobardia
Partes, sem um adeus,
Sem um até um dia!…

Pyxis de Andrade

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