Mediocridade do beijo…

Mediocridade do beijo…

…teria fodido muitas mulheres,
Dado prazer até, amado…
Mas nada é tão medíocre que o sonho de beijo
Nada é tão ignobilmente medíocre
Quanto o desejo de apenas as beijar…

Se é para ser que seja, mas que seja tudo…
Não apenas o cultivo do poucochinho…
Do quase nada, era para ser, mas não foi
Do não foi bem, mas quase….

Teria fodido muitas mulheres nos sonhos
Mas o fodido seria sempre eu
Pelo facto de tê-las amado a todas
Por inteiro, sem reservas, apenas perdas
E tudo apenas por beijo….
Um beijo pelo universo
O universo por um rebuçado….
Teria sonhado foder muitas mulheres
Mas no final o fodido era eu….

Alberto Cuddel
13/10/2020 4:10
In: Entre o escárnio e o bem dizer
Venha deus e escolha I

Para quê tanto pudor?

Para quê tanto pudor?

Existe um exacerbado pudor quando a temática é sexo, escrevo sexo e logo correm, “não é sexo poeta, é fazer amor”, desculpem? É que nem uma coisa nem outra é foder mesmo… É maravilhoso juntar o amor ao sexo, sem dúvida alguma, mas não confundamos as coisas, sexo é a forma mais intensa de dádiva e partilha, de entrega e de cumplicidade… Atenção que eu não falo do sexo egoísta em que um dos parceiros se “alivia em minutos ou segundos”. Mas de prazer físico intenso sem pudor, que dois parceiros partilham sejam qual for o sexo ou orientação de cada um. Se a essa intensidade física juntarmos a intensidade da alma, o amor, então sim tudo será pleno.

Mas para que tanto pudor? Será que alguém acha que os pais não foderam para eles nascer? Que a mãe não gemeu, que não chamou por Deus enquanto o pai lhe dava prazer? Amar e fazer sexo é algo natural, aliás sexo é mais natural que amar, ninguém entrega a vida por sexo, mas sim por amor, e isso é anti natural…

Escrevo poesia erótica, sim, não tenho pudor nisso, acho mais excitante a formação da imagem no cérebro e a capacidade de transmitir desejo e sensações, que qualquer “filme ou foto”, a poesia erótica é o preliminar da palavra, o anúncio do gesto e do prazer…

Deixem-se de pudores, e se não gostam, olha removam a amizade…

Partilho a foto sensual de um modelo masculino, como repúdio à exploração e degradação da exposição do corpo feminino como objeto sexual do machismo.

António Alberto Teixeira de Sousa

Ela

Ela

Alma
Palavra
Som
Sopro
Calor
Toque
Boca
Beijo
Toque
Suave
Forte
Lento
Rápido
Sussurro
Gemido
Movimento
Posição
Som
Palavra
Ordem
Obediência
Cadência
Gemido
Respiração
Culminar
Orgasmo
Abraço
Conforto
Palavra
Apoio
Cumplicidade

Ela
Sempre
Ela

Tiago Paixão
11/10/2020

despiciente desejo…

Porque a noite também inspira à criação, provocação, desejo…

despiciente desejo…

nasce inconsequentemente pensado
difuso desejo da carne
ainda que me sobrem palavras, presas no beiço
talvez como arte caia em desprezo
sangue que me ferve no peito!

fora de ti, um mundo
em ti não és nada, mas um tudo
no desejo, um pomar florido,
odor de fruta madura
vontade sem cura
rios, transportam folhas
secas de um ontem, auspicioso
e os morangos aquecem solitariamente
sob a gelada mesa de mármore
o desejo da carne que te consome!

não há letras, versos,
que aplaquem a miséria dos minutos
prendes olhar numa porta fechada,
trancada, na velada esperança
que o cheiro dos campos
inunde o quarto, -ou apenas o teu cheiro
doce, intenso, do suor escorrido
de um orgasmo desejado
na fresca agua da ribeira
que te molha os pés!

não há mistério,
apenas um desejo,
que seja o amor que te traga,
atravessando pontes e campos
flores no regaço, cavalos brancos
que no fim… suado digas sim
permanentemente permaneço
para sempre até um fim…

Tiago Paixão

Poema para ti

Poema para ti

Sabes de que cor são os meus olhos?
São verdes, como verde é a esperança
Essa que ondula junto ao esteio
Junto ao vermelho esfarrapado
Que me corre nas veias, nas artérias
Bombeado vezes sem fim, jorrando
Lágrimas ensanguentadas vertidas
Nessa dor de ser humano, e errar!

Sabes de que cor são os meus cabelos?
Castanhos, já também pintados de prata
Dessa que espera por nós, sem pressa
Neste tempo agarrado à terra como leito
Folhas de Outono como coberta,
Numa outra espera de nascer, ser novo!

Sabes de que cor são os meus dias?
São cinza, coloridos pelas pinceladas
Da tua essencial existência, as palavras
Arcos que brotam do teu ser, desejo
Sou tela, espelho de ti mesma, sou aguarela
Óleo, carvão, sou tinta, sou folha…
Tu, és tudo, uma parte simples de mim
E eu?
Eu sou apenas parte do que de mim reténs!

Alberto Cuddel
02/10/2018

Ilusão?

Ilusão?

Reconheço-me estupefacto
Nas águas que me escorrem pelas mãos,
Lágrimas vertidas, areias soltas nos pés,
Neblinas de ideias de homens pequenos,
E madrugadas nascidas do ventre das mães,
Escorro-me onde o vento desfaz as tempestades
Na calma dos corpos… tão belos.

Vejo os horizontes, e os desertos
O voo libertino das aves, asas aladas,
Na palma das minhas mãos escorrem sonhos
Que morrem na rebentação das marés
Por entre luares de Abril, onde navega o coração
Na paisagem gretada pelo sol dos que vivem.
Forço-me navegante no azul do teu olhar
Onde me perco na esperança de me encontrar
O meu corpo sangra, inunda os campos

Desvirginando a terra e as ilusões!

Alberto Cuddel, in “ O silêncio que a noite traz”, página 49, Orquídea Edições, 2018.

Enquanto dormes

Enquanto dormes

Quantas vezes me prendo no teu olhar
Abnego a mim mesmo, – pertenço-te
Reflexo de manhãs claras doce acordar
De mim, de ti, nada, em mim penso-te!

Amor, jamais a imobilidade do corpos,
Manhãs, tardes, noites, – sei lá
Por onde me escorrem os beijos
Doces palavras arremessadas
Carinhosamente sopradas ao ouvido
– sabe tão bem assim acordar
No cantar dos pássaros, na pressa dos abraços
Nos braços que te ladeiam, despertam
Orvalho sob os pés delicados
Nas tabuas que um dia te carregamvivamos hoje, esquece um amanhã (eu) poeta louco, viajante dos versos Letra soltas esquecidas por ti

As vezes a sala parece-me tão vazia
Mesmo assim tao cheia de ti
Das tuas amarguradas ideias
Espalhadas pelas paginas prensadas
Fechadas nos livros empilhados
Contra uma branca parede!

Quantas vezes me prendo no teu olhar
Mesmo que durmas, sossegadamente
Navegando mar dos sonhos, outro (a)mar
Amanhã desejado assim livremente!
O mundo, roda que roda
Pula, vive, acorda, avança
-os poetas tristes
Os que escrevem versos tristes
E outros raivosos em riste
Também amam, amaram
Mesmo assim abnegam de si
A felicidade que tiveram nas mãos!
Os amantes, (os que acordam despidos)
Ao que ainda vestidos, sorriem para a vida,
Esses que não escondem o riso nos versos
Que choram lagrimas concretas
E os que tomam decisões certas
Para esses o sol brilha em prados verdejantes
Mesmo que o sol se esconda
E lá fora não exista mais que palha seca!

Quantas vezes me prendo no teu olhar
Pra simplesmente não sair e não pensar
Que tudo seria diferente, se todos soubessem AMAR!

Alberto Cuddel

Sabor a (a)mar

Sabor a (a)mar

Na turbulência das ondas, na crista a alva espuma,
Revolta contida, espraiada na areia, silencioso voo das aves
Gaivotas que se juntam e separam, em voo picado sob águas quietas
Estranho mar nublado, sob luz rompendo, vento que a barca move
Apagando o tempo, réstia aflorada memória, sofrer nas ruidosas batidas,
Gemidos e palavras ditas, calma da baixa-mar, reflexos da brancas nuvens,
Desenhando ondas azuis, formas do desejo no azul do teu olhar,
Calma serena, na brisa que tange à sua passagem, corpos quentes
Perfume de maresia, nos poros do teu corpo, no toque de Deus
Sussurro soprado, nos mistérios da sua mão criadora
Com me acaricias os cabelos, paisagem de teu corpo que me prende,
À vontade de mim, que me eleva e me move, na dura direção da bolina,
Nos dias e tardes de luz adormecida no olhar, que na rocha sentada,
Onde quero encalhar, escorrem algas secas ao sol como finos cabelos,
Naufrágio no teu delicioso corpo, afogando-me em teu ser,
Sopro das palavras, onde respiro, nos versos em que me perco
Onde me encontro, nas sílabas que desenho na areia, húmida da maré
Que me trouxe o sal, a origem da vida, a vogais do meu ser, consoantes,
Na alva espuma, no azul do céu, descobri o sentido do (a)mar!

Alberto Cuddel®

Paixão ao luar

Paixão ao luar

“Despertar o brilhante
Que vive no céu estrelado
É como uma estrela cintilante
Num coração amado”

Ana Margarida de Assis

Por entre horas desfilando em arco
Nas horas que contem a madrugada
Nascem gemidos
Beijos nas pontas dos dedos
Corpos que se enrolam na areia molhada!

Abraças o mundo, abraças-me
Sentir dormente, movimente das ondas
Estrelas reflectidas no mar do teu olhar
O rubro do rosto, iluminado pelo luar,
Salgado beijo onde deliro…

Consome do desejo de não tocar
Toda a plenitude do corpo e amar
O coração que acelera ofegante
Pela saudade de um tempo em nós distante,
Encontros sem tempo, sós
Na nossa solidão sem gente…

Noites, luar madrugador,
Areia quente, amor
Molhado, lavado
Gemido, beijado
Abraçado, movimentado
Num praia,
Que as marés do tempo
Não apagam,
Não acalmam,
O que o coração sente
Ou o corpo desejo ardente!

O sol espreita o horizonte
Iluminado teu rosto
Novo dia, que se aponte
Amar não é em mim pressuposto
É apenas a força do meu viver!

Alberto Cuddel
06/07/2016

Incertas certezas

Incertas certezas

Certamente que a incerteza existe
Coisas certas desistem,
As incertas persistem,
O sonho vive, antes que morra!

As pedras da calçada gastas do uso
Pelo caminho percorrido
Levam, trazem, param e convivem
Antes que o caminho se feche
Sem levar a lugar nenhum!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi

Esta noite irei raptar tua alma para mim…

Esta noite irei raptar tua alma para mim…

serás definitivamente minha
nessa entrega absoluta
nesse baixar da guarda
serás mulher, confidente
amiga, amante, gente
serás sempre igual
serás diferente…
bebe-me nos gestos do querer
toma-me como teu
mas tu…
tu serás eternamente minha…
quando na tua alma
gravar o perfume do meu corpo…

Tiago paixão
05/10/2020
07:35

Hoje em tudo diferente…

Hoje em tudo diferente…

Momento inconstante e tudo muda,
O sol que dá lugar à chuva, os olhares,
Os gestos reprimidos, as lágrimas, o sorriso
Do nada, nada muda, tudo diferente, sem gente!
Existirá no mundo maior mentira
Do que o silêncio, as árvores a florirem,
Existirá maior traição
Que o sentir da palavras fora de tempo?
Haverá algo mais verdadeiro
Que escrever silêncios,
Com palavras nos versos?
Onde existir vontade, tudo muda
Tudo é verdade, acaba a mentira!
Ficam apenas o cantos dos pássaros,
Memória da água em ribeiro seco
O desejo do beijo, e um céu encoberto
Como lençóis cobrindo corpos estrelados,
E o silêncio,
O silêncio abafado da respiração ofegante
Nos dedos entrelaçados olhando o tecto!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi – 62

Fúria da saudade, insónia que te corrói…

Fúria da saudade, insónia que te corrói…

é na abstinência do corpo
nessa ressaca da alma
essa carência que te corrói
que te rouba o sono e os sonhos
essa falta de mim em ti…
apenas porque me amas…
essa falta do toque de midas
o calor das mãos, o perfume do abraço
essa presença que te acalma
sou, na normalidade do que sou
remédio cabal, tratamento eficaz…
há nos beijos prometidos, ainda não dados e não sentidos
uma saudade do hoje, uma vontade do corpo
uma carência de alma, de espírito…
queres-me, todo, totalmente em ti…
porque me faço gente, gememos de contente
sim, eu sou… antes de ser, não te fazia falta
não me sentias, não era em ti vicio…
hoje, mesmo na abstinência que o tempo nos faz
não há desmame, apenas ressaca e dor…
falto-te, faltas-me, nessa confluência dos orgasmos
desse prazer que se oferece, que te ofereço, em troca de nada…
nesta falta de tempo, neste desalinhamento dos astros
fica a saudade, e a dor que nos atravessa o corpo
que nos dobra o espírito…
nesta fúria da saudade, insónia que te corrói…
tremem-te as pernas, faltam-te os meus lábios, a minha língua,
o meu beijo, o meu toque, a totalidade do amor que ofereço…
rezas e oras, que o dia amanheça, e que o encontro aconteça
nessa explosão orgasmica do calor da voz, de um beijo…

Tiago Paixão
02/10/2020
03:10

Vives

Vives

Nos caminhos da memória
Esqueço e lembro,
Pedras que guardo nos bolsos
Balões presos nos punhos,
E uma bola que saltita entre os pés,
Lembro e esqueço,
Quantas vezes querendo esquecer
O nada que ainda lembro
Ou apenas lembrar
O tudo que ainda que esqueço!
No caminho da memória
Faço-te viver
Para que a história da vida
Não me faça esquecer!

Alberto Cuddel®

In: Tudo o que ainda não escrevi – 63

Suspeita…

Suspeita…

[caíram os primeiros pingos…]
e era tudo para gloria da certeza
insuspeito o fogo que lhe queimava o peito
suspeita cardíaca, essa doença que lhe tolhia a alma
(…) -amor, tão somente amor!
desdobrei a primeira colecção de abraços
assim… na pura simplicidade de quem perdeu o medo
confinados, apenas suspeita…

a vida corria vagarosamente por entre os vales
e depois o vento, esse que nos moldava as areias
juntava as folhas velhas, vazias de tinta
desconfinadas palavras pandémicas
despe de máscaras a alma, quero ler-te nos lábios
essa certeza de que é perto
esse beijo desencontrado do olhar

mendigas amor, como suspeita da reciprocidade
essa entrega sem retorno
amar, assim, simplesmente
como Ele nos amou
incondicionalmente… sem suspeita…

Alberto Cuddel
30/09/2020
00:07
Poética da demência assíncrona…

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