Alma que me arde

Alma que me arde

Nesta alma que me arde
Sem que me queime o querer
Fogo que me consome os sentidos
Não me perco, assim amo
Entre orvalhos consumidos
Chuvas da noite…
Aperta-me em ti, socorre-me
Alimento eterno do meu desejo
Tu, em mim mesmo, fogo
Jorro lunar que me enleia
Envolto em palhas eternas
Morro a cada segundo
Renasço, no teu peito
Entre os braços de um ribeiro
Vale que me alimenta o desejo
Nele me consumo, correndo serras e montes…
Arde-me o peito, a alma,
Onde toda tu me consomes…

Alberto Cuddel
31/12/2017
18:50
#Solutampoetica
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Incorporação

Incorporação

Incorpora os adjectivos, quentes, frios
Os bárbaros e opulentos, violando letras…
Rasgados céus nocturnos, demónios caídos
De bruços, perdendo medos e vergonhas
A lua molesta na parca luz, paredes frias!

Na reconciliação da consciência
Prisão perpétua onde me devoto
Fuga ensaiada ao suicídio dos versos
Mato-me a cada não, a cada ausência sem perdão…

Incorporo-me em mim mesmo
Baixo cada penas, cada escrita
Cada poeta, cada vontade…
Sexo, amor, sangue e lagrimas…
Elas que escorrem do céu
Evaporando-se a cada inferno
A cada dor provocada no sofrimento
Longo, casuístico, falso, doloroso…
Choro, com a cara nas mãos
Entre os joelhos, de lábios apertados
A cada não declamado…

Alberto Cuddel
29/12/2017
02:05
#Solutampoetica

Alienação

Alienação

Semeei parafusos bem regados
Na vã esperança do nascimento
De uma nova máquina perfeita
Dessa que sabem amar sem fim…

Dessas que bem oleadas
Arrancam raízes e partem
Conquistando os dias e noites
Sem magoa e sem magoar…

Que morram as formas de vida
Os criadores sem medida
Esses que ao ódio se devotam
Que matam e consomem a vida…

Nasceu da terra, das entranhas
Da inteligência mórbida, centelha
Vida, amor, existência plena…
Semeei parafusos bem regados
Na vã esperança do nascimento
De uma nova maquina perfeita

Alberto Cuddel
28/12/2017
00:12
#Solutampoetica

Vergastado

Vergastado seja o amor caído em desgraça
Os desejos mortos no corpo, a dor…
Os que esqueceram, os que nunca sentiram…

Bramidos e gritos, dor que se monta
Cavalgadas, verbos e gestos
Movimentos perpétuos e sons abafados…
Entre quatro paredes, nem prazer
Dor de uma solidão rogada em praga…

Dedos que se contorcem em rimas
Que já não gozam… que não são querer
Mecanicamente escritas, numa alma dilacerada…

Que sejas vergastado, tu…
Sim tu… que sofras a dor
Tu… que me deixas vazia…

Alberto Cuddel
26/12/2017
15:40
#Solutampoetica

Aqui, precisamente aqui

Aqui, precisamente aqui

Aqui onde o Tejo me trespassa
Aqui onde os pés se assentam na terra
Aqui onde vivem os pássaros e arroz
Nesta lezira dourada pelo rio
Aqui nasce a vida que se alimenta…

Nos cornos erguidos do fado brejeiro
Campino montado de varapau
Correm lezíria fora a liberdade
Aqui onde o Tejo se faz riba…
Aqui onde os braços de água nos abraçam…
Aqui onde corre o gado, aqui onde há vida
Aqui também é meu fado…

Alberto Cuddel
04/02/2018
03:29

Ouve-me

Antes que chova e o dia se torne claro
Ouve-me nas parcas palavras que dito
Impregnando os teus ouvidos de silêncios
Ouve-me, apenas hoje, que hoje falo…

Ouve-me, antes que brilhem as estrelas
Antes que a lua apague capricórnio
Ouve-me, no tudo que já te contei
Palavras duras que mais uma vez direi…

Ouve-me, antes que pernoitem os desejos
Antes que se adormeçam os beijos
Antes que partam todos os navios e esperanças
Antes que se desfaçam as tranças… – ouve-me!

Deixa-me dizer-te as palavras que nunca queres ouvir…
Deixa-me dizer-te: – Adeus!

Alberto Cuddel
20/12/2017
15:32
#Solutampoetica

O Poema

O Poema

Tantos são os poemas aquecidos na sala
Arremessados sem dó nem piedade nos gestos
Amplos, duros, desenhados no ar, palavras
Sussurrados no silêncio das pausas, arte
Gritados na arrogância das escarpas e jardins
Lentos, na queda das pétalas rubras de amor
Tantos são os poemas chorados nas lágrimas
Nas que caem de amor, na dor da saudade
Na perda do ventre, no tudo o que sente, nada
Na morte da alma, no sentir sem calma, na ânsia
Na desgraça, na calamidade, ou apenas na verdade
Uma qualquer emoção, trazida pela voz que declama
Tantos são os poemas sem voz, sem emoção,
Apenas lidos como palavras soltas, águas que correm
Pás de um moinho distante que rodam moendo farinha
Que não façam farinha na poesia, nos poemas soltos
Que a penas te dizem a ti, não esses não dos digo
Nunca os digo a ninguém, ninguém os escuta, são teus
Como uma cana repousando no lago, esperando o gizo
De uma qualquer carpa distraída mordendo o anzol…

Tantos são os poemas esquecidos no tempo
Lidos, relidos sem o calor da voz, essa quente
Surda, que clama distante no deserto da vida
Caminhando por vales sombrios entre árvores altas
Saltitando entre pedras escorregadias de um ribeiro
Por entre folhas mortas de amor, ervas verdes que nascem
Juncos ladeando lagos e pântanos sujos onde nascem lótus
Mesmo que chorem beirais sob as neves derretidas
O orvalho da manhã ira cair… após mais uma noite fria…

Tantos são os poemas que não conhecem o sol
Não conhecem o olhar, a voz, o escutar…
Tantos os poemas cobertos de bolor em gavetas
Húmidas, escuras, fechadas ao olhar dos homens…

Tantos são os poemas que o poema desconhece…

Alberto Cuddel
19/12/2017
15:50
#Solutampoetica

O Poema

O Poema

Tantos são os poemas aquecidos na sala
Arremessados sem dó nem piedade nos gestos
Amplos, duros, desenhados no ar, palavras
Sussurrados no silêncio das pausas, arte
Gritados na arrogância das escarpas e jardins
Lentos, na queda das pétalas rubras de amor
Tantos são os poemas chorados nas lágrimas
Nas que caem de amor, na dor da saudade
Na perda do ventre, no tudo o que sente, nada
Na morte da alma, no sentir sem calma, na ânsia
Na desgraça, na calamidade, ou apenas na verdade
Uma qualquer emoção, trazida pela voz que declama
Tantos são os poemas sem voz, sem emoção,
Apenas lidos como palavras soltas, águas que correm
Pás de um moinho distante que rodam mendo farinha
Que não façam farinha na poesia, nos poemas soltos
Que a penas te dizem a ti, não esses não dos digo
Nunca os digo a ninguém, ninguém os escuta, são teus
Como uma cana repousando no lago, esperando o gizo
De uma qualquer carpa distraída mordendo o anzol…

Tantos são os poemas esquecidos no tempo
Lidos, relidos sem o calor da voz, essa quente
Surda, que clama distante no deserto da vida
Caminhando por vales sombrios entre árvores altas
Saltitando entre pedras escorregadias de um ribeiro
Por entre folhas mortas de amor, ervas verdes que nascem
Juncos ladeando lagos e pântanos sujos onde nascem lótus
Mesmo que chorem beirais sob as neves derretidas
O orvalho da manhã ira cair… após mais uma noite fria…

Tantos são os poemas que não conhecem o sol
Não conhecem o olhar, a voz, o escutar…
Tantos os poemas cobertos de bolor em gavetas
Húmidas, escuras, fechadas ao olhar dos homens…

Tantos são os poemas que o poema desconhece…

Alberto Cuddel
19/12/2017
15:50
#Solutampoetica

Agora que amo

Agora que amo

Agora que amo, que sei o que é o amor
Vejo o azul do céu nas águas do mar
Que o verde dos campos corre nos ribeiros
Que o branco da neve corre nos céus…
Que o perfume das flores corre no teu corpo
Agora que amo, que sei que amo
Quero-te plenamente comigo e em mim…

Agora que sei a que sabe o ar que respiras
No sopro da tua voz, eco do meu ouvido
Registado no palato o doce dos teus lábios
O salgado do teu desejo, mesmo que sejam flores
Deitemo-nos um no outro, que seja amor…

Neste amor que me arde nos olhos
Que todo ele se extinga no doce da tua boca
Nos gritos abafados por entre a roupa
Na viagem que a estrada no leva…

Alberto Cuddel
17/12/2017
17:48
#Solutampoetica

Sussurro…

Sussurro…

No sopro leve das palavras
Que ainda hoje o vento da tua voz
Produz em mim, sinto-me.

Arrepia-me o corpo na doce sedução…
Sussurra-te em mim, sopra-me os teus desejos…

Prende-me entre os teus beijos
Os dados e os soprados…

Sussurra em mim os sonhos
Os de hoje e os passados…
Sopra-me quente a tua voz
Essa que te sai do leito ao acordar…

Sussurra-me os dias e as vontades,
As saudades e verdades das horas,
Sussurra-me à alma despida de encantos
Num sopro húmido e terno…
Na voz trémula de volúpia…

O quanto me desejas…

Alberto Cuddel
12/12/2017
04:09
#Solutampoetica

Palavras do Adeus

Palavras do Adeus

Rasgam-se palavras de Adeus
Por entre prantos negros
Vozes que se calam
Sorrisos sarcásticos de vitória
Não fica registo, não fica história
Apenas memória difusa de rimas!

Ensaiam-se gestos e aclamações
– Na verdade, essa caiu por terra…
Rasgam-se palavras de Adeus
De um até sempre não prometido
Mas fastas foram as forças
Fastos ficaram os dedos
As folhas mortas, vazias, abandonadas…
Canetas sem tinta jorram poemas de silêncio
– Desfilam contentes os falsos
Ah, hipocrisia mundana…

Sem talento condenaste-me
Derrota alcançada pelo cansaço
Dolorosas palavras escritas
Rasgadas palavras de dor
Palavras de Adeus…
De um até nunca gritado na alma…

Alberto Cuddel
13/12/2017
06:23
#Solutampoetica

Pensar-me-ás hoje?

Pensar-me-ás hoje?

Já me pensas-te hoje?
Nesse teu absorto tempo
Tens tempo para me pensar?

Não, não te peço para pensares em mim
Mas para me pensares em ti…
Ama-me, e nesse altruísta pensamento
Pensa-me em ti, não hoje, mas amanhã
Nesse tempo em que me sonhas…
Pensar-me-ás na tua vida?
Como parte e um todo
Em que o todo é a tua vida?
Nunca te pedi nada…
Mas hoje peço,
Pensa-me
Ama-me!

Alberto Cuddel
11/12/2017
03:40
#Solutampoetica

Voo

Voo

Voam gaivotas enraivecidas
Na terra que as viu nascer
Tempestade anda mo mar
Nele não conseguem voar!

Gaivotas por terra, pombas arrastam-se pela cidade
Que em bom abono da verdade caminham na noite
Cobrando aqui e ali gemidos dos sonhos dos homens
Ai, gaivotas que voam baixinho, vendendo prazer e carinho…

Voam sem sonhos a cada dia
Tempestade e queda de vida
Não há prazer na ordinarice
De vender por aldrabice
Amor, querer ou paixão
Arte de fingir e ter tesão…

Voam gaivotas no ar pesado
E pombas se arrastando…

Alberto Cuddel
10/12/2017
04:52
#Solutampoetica

Rasguem-se

Rasguem-se

Rasguem-se nos cactos as vestes
Deambulando pelo deserto árido
Novas te cobriram, no sonho do oásis…

Rasguem-se as certezas e as crenças
Os deuses menores não desmentem
Confirmando o mal na voz dos homens…

Rasguem-se as vendas e as traves dos olhos
Olhai livremente a Oeste, dai advém o vento
Toda a desgraça que nos cobre o conhecimento!…

Rasguem-se os livros do desejo
As promessas de fidelidade e beijo
Leita-te comigo, em mim
Que se rasguem as noites…

Alberto Cuddel
09/12/2017
02:44
#Solutampoetica

O meu tempo em ti

O meu tempo em ti

Ah se os teus dias fossem meus
Se o teu silêncio existisse nos meus lábios
Num princípio não sei de quê
Nunca sonhado nas noites!

Tudo me é solidão nas mãos
Sem que os meus olhos te reflictam
Sem que me veja no teu olhar
Todo eu gelo, longe do teu calor!

Insulto-me no sentir
Neste que me arde sem tempo
No pouco tempo em que te sonho
Em que o tempo se perde em ti!

Alberto Cuddel
07/12/2017
16:50
#Solutampoetica

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