O tempo que tenho

O tempo que tenho

Perguntam:
Perguntam ao tempo que tenho,
Porque perco tempo com o amor,
Sem olhar ao mundo ao meu redor,
Na beleza das flores,
No canto dos pássaros,
No azul do céu,
No cristalino mar?
Tudo muito fácil de explicar,
No teu perfume o odor da Primavera,
Na tua voz o doce canto,
No teu olhar o mar onde me perco,
No teu sentir a importância do dar,
Na tua ausência a solidão,
Na tua presença a paixão,
No teu sonhar a ilusão,
Em ti as palavras me realizam,
Em ti o amor da entrega no madeiro
A promessa, a salvação,
Em ti o pecado não faz sentido,
O desejo é permitido!
Em ti sou, existo,
Sem ti sou extinto!
Nada mais faz sentido!

Alberto Cuddel 26/04/2015

União

União

Na união do feixe de vimes a invencibilidade,
Na união do matrimónio única entidade,
Na união nasce a força e a vontade,
Da união do desejo a vida,
Da união dos rios o mar,
Da união das nuvens a tempestade,
Da união do olhar o verbo amar,
Da união da procura a verdade,
Da união das palavras a frase,
Da união das frases o poema,
Da união dos poemas a colectânea,
Da união de regras um sistema,
Da união dos homens a humanidade,
Da união das armas a guerra,
Da união das montanhas a serra,
Unidos somos mais,
Unidos somos um,
Unidos uma voz,
Unidos somos melhores!

Alberto Cuddel

Caminho Florido!

Caminho Florido!

Pisamos flores, floreado caminho,
Folhas secas do ontem varridas
Arrumadas, debeladas no carinho
Sentir, viagens assim decididas!

Verdejantes prados, assim ladeado
Barreiras erguidas a não transpor
Estrada conjunta decidido amado
Passado no fim, sobrevivente Amor!

À estrada pisada, assim percorrida
Caminhando segura no teu querer
Decisão partilhada assim decidida!

Perfume do ser, num amado viver,
Flores caídas, apagada a duvida,
Amor partilhado, na vida, o ser!

Alberto Cuddel

Em tuas mãos!

Em tuas mãos!

Em tuas mãos o mundo,
Meu ínfimo mundo
O querer, o porquê de viver,
Águas claras, onde lavo a alma,
Alimento que me sacia,
Alegria, a louca corrida,
A vontade de estar,
O porquê de ficar,
O decidir a cada dia,
O voltar amar,
O eterno reconquistar,
Mãos que me seguram
Que me abrem os olhos
No doce acordar,
Seguram areia,
Trazida do mar,
Apartam as ondas
Afastam as vagas
Que me fazem amar!

Em tuas mãos,
Quero viver,
Quero morar!

Alberto Cuddel

Sedução!

 

Sedução!

Mãos cruzam-se
E descruzam-se
Como cálidas serpentes
Nas formas de teu corpo
Entrelaçam-se
Enroscam-se
Contorcem-se
Elevando o desejo
Expoente louco
Sedutor!

Sem palavras
Ditas, caladas,
Sussurradas,
Gemidas,
Erótica nudez!

Caudalosamente
Banhado, beijos sem fim
Sucumbo cada investida,
Ritmo frenético
Alucinante movimento
Perfume de teu ser
Que impregna minha alma…

Ofegantemente
Grito alucinante
Deleite do prazer!

Um beijo,
Sempre
Um beijo,
O querer
Abraçado
Apenas em ti!

Alberto Cuddel

Pecado!

Pecado!

Visão plena e absoluta de teu corpo,
Elevação puríssima do sentir eterno
Pecaminosos desejos carnais no sopro
Criado vaso perfeito do ser materno

Ser perfeito, de suprema elevação
Pensamentos levados na imaginação
Beijo a beijo perco-me no teu infinito
Firmeza querer vontade de granito

Sedentos pecados lívidos e carnais,
Deste mesquinho impuro e pecador
Avido sedento de toques marginais,

Rendo-me perante a visão do pecado,
Amenizado na entrega ao sonhador
Personalizado em ti, meu ser amado!

Alberto Cuddel

Caminho!

Caminho!
No calcorreado caminho traçado junto,
No ontem sonhado hoje percorrido,
Entre tropeços e descansos, corridas
Paragens, levando as costas,
Ou sendo puxado, assim caminhamos,
No nosso traçado, lado-a-lado,
Desejado querer, afirmado assim,
Seguimos amando, sem nunca ver o fim,
Se duvidamos? Muitas vezes…
Pensamos em desistir? Por vezes…
Mas seguimos caminhando
De mão dada, ora puxando
Ora empurrando,
Cúmplices, culpados,
Aliançados, aliados,
Negociando, cedendo,
A cada passo dado,
Assim seguimos o caminho,
Eu contigo,
Tu comigo,
Como foi por nós
Sonhado!
Alberto Cuddel

Sou mulher não mercadoria!

Sou mulher não mercadoria!

Antes que me desejes:
Conhece-te a ti próprio,
As tuas limitações e defeitos,
Os teus conceitos de partilha,
Revê o teu passado, o presente,
Abre a tua mente, entrega-te,
Sente, acredita, vive, anseia,
Não sou para uma noite,
Sou para uma vida!

Alberto Cuddel

A (nossa) Voz,

A (nossa) Voz,

No principio era o Verbo,
O verbo fez a carne, som
O som se fez voz, e comunicou!
Partilhou o entendimento
A voz desentendeu-se e matou,
Profetizou e clamou no deserto,
Anunciou, cantou, louvou,
A voz do longe fez perto,
Pregou aos peixes, declarou,
Encantou, até perder a fala,
Acarinhou, consolou, apoiou,
Apaixonou, fez história,
Foi incomoda, mal-amada,
Foi silenciada, amordaçada
Amaldiçoada, retirada,
Gemeu, clamou por liberdade,
Gritou clamou piedade,
No fim apenas a voz,
Pensamento feito som!

Alberto Cuddel

Porra nada acontece,

Porra nada acontece,

De ontem nada,
Registro limpo de memória,
Entre portas e janelas
Não há vista que te vislumbre
Chegada que te aguarda
Criação, esperança em ti inspiração
Revolve cortinas de fumo
Perfeita visão da rima em falta
Certa palavra na rima que salta
Tudo ou nada enfadonho
Rodo a mesa e cadeirão
Procuro de pé um chão
Palavra firme na revolta
Brilho lustroso na volta
Sentir louco e incerto
Não sabendo hoje, longe
Ontem fora tão perto
Revolta fingida no certo querer
Desejo oculto envergonhado
Realizado no escuro acabrunhado
Escondido no silêncio oculto do sofrer
Revolvo nas voltas entre janelas e portas
Escrevendo na ausência
Palavras em tortas linhas direitas

Ó Deus, dá-me paciência
Não meras palavrinhas!

Alberto Cuddel

Entrega absoluta

Entrega absoluta

Quente conquista que me desperta,
Quarto do desejo na porta aberta
Perfume da tua languida pele no ar
Sedução nos movimentos a conquistar
Chamamento da meia a luz divina visão
Corpo de mulher a voluptuosa paixão
Que me preenche no espaço vazio
Forte e terno aperto de um abraço
Calor trazido onde ante existia o frio
Electrizante toque encurtando o espaço
Calam-se a palavras ditas da razão
Grita no peito a batida, um coração
Corpo incendiado na vontade do querer
Envolvente vontade, entrega do prazer
Perdido em ti, buscam minhas mãos o teu ser
Na quimera alucinante de agora te ter
Perdido na forma, na entrega de te possuir
Meu corpo no teu rumo ao Olimpo partir
Afrodite do tempo, no movimento
Contido nos lábios do longo momento
Dedos traçam rumos no desconhecido
Mapa de um esguio corpo sentido
No tacto percorrido na habilidade
Louca vontade da sensualidade
Invasora e intrusa dos sentidos
Assim despertos, longos gemidos
Há noite profunda, na paixão
Consumada na cama, perdida razão
Crisalida nascida, da obediência
Aos caprichos da pura penitência
Inibida que fora toda consciência
Fluido desejo de teu corpo ardente
Agora em repouso ainda dormente!

Alberto Cuddel

Noites indignas,

Noites indignas,

Noites indignas,
Da força se fazem dia
Ninguém descansava
Ninguém dormia,
O tempo assim passava
Que trabalho, o sono fugia
As pernas tremiam
Do cansaço do dia
Onde os olhos não dormiam!

À, noites malditas,
Turnos barulhentos
Vida de trabalho
De suor, de sacrifício
Onde as noites, as ditas,
De olhos fechados sonolentos
Regresso, que suplicio,
Ver de longe nascer o dia,
Usar tudo o que sabia,
Mais um pouco e já caia,
Do cansaço, da fadiga,
Num abraço, caímos no leito
Eu abraçado, teu corpo rodeando
Tu com a cabeça no meu peito,
Caímos no sono, novo dia sonhando!

Alberto Cuddel

Eu sou Charlie, Indignado

Eu sou Charlie, Indignado

Pérfida sociedade, xenófoba e preconceituosa,
Centrada no seu umbilical bem-estar, sinuosa,
Manifesta-se pela usura do seu, propriedade,
Pelos desmandos de um qualquer presidente,
Pelo ataque ao uso da suposta liberdade
Cravado de uma vil e parva publicidade

Ó Velhos do restelo
Ó nobre povo, nação valente
Onde está a ordem e o progresso
Onde estão os senadores e congresso
Onde para a vossa indignação
Caem estudantes, mulheres crianças
Caem judeus, cristãos e ateus
Mas outra cor, outra raça
Não são ninguém, não há esperança
E tu? Povo maldito, centrado
Permanentemente conformado
No seu desejado umbigo
Esqueces o ontem, a pobreza e o mendigo
Onde estas povo? Que por Timor te ergueste
Por um brado de dor, sempre te mexeste
Sociedade hipócrita sem desdém
Assobia para o lado fingindo,
Que ali, do outro lado não morre ninguém…
Indigno silêncio este…

Alberto Cuddel

Asfixia do sentir,

Asfixia do sentir,

Estou preso nas palavras com que me expresso
Encarcerado na mensagem que transmito
Sem agravo, sem liberdade, sem a paixão
Aprisionado no moralmente correcto
Sem poder dizer que meu sentir é “tesão”
Uma forca do ímpeto de te possuir a alma
De seres apenas eu, de eu ser apenas tu
De sonhar nas mais pornográficas noites
De idealizar todas as loucas posições
Na vã virilidade máscula de te possuir
De te querer, mas estou preso
Na robustez do sentir de Platão
No romanceado versejado de Camões
Roçando o físico expor de Álvaro
Mas…
O meu amor, não é apenas sentir
O meu amor, não é apenas paixão
O meu amor, não é apenas existir
O meu amor, não é apenas decisão
O meu amor, não posso mais reprimir
E confesso, meu amor também é tesão!

Alberto Cuddel

Aprisionadas,

Aprisionadas,

As palavras, os sons
Rodopiam por entre a massa cinzenta
Aprisionadas na caixa craniana
Querendo saltar, ver a luz do dia…

Rodopiam as ideias, frases inacabadas
Palavras soltas, imagens, formas
Musa que me compões, que me enalteces
Tua imagem, memória constante da retina
Desejo compor, sequências absolutas de prazer
Palavras alinhadas, num crescente enaltecer
Ideias claras, verdades absolutas
Seguem soltas, desalinhadas
Perdidas, aninhadas em si
Retorcidas, na pequenez do espaço
Onde são pensadas, assim nascem
Crivadas de ideias pré-concebidas
Formatadas na ordem e no conceito
As palavras, gravadas e aprisionadas no silêncio
De o meu solitário pensamento!

Alberto Cuddel

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