Já sonhei…

Já sonhei…

Já sonhei poder ler tuas palavras e conhecer-te,
Olhar a tua imagem de perfil e ver-te,
Ser real o que na realidade mostras ser,
Seres tu, sem que te tenhas que esconder,
Sonhei que a virtualidade,
Era imagem da tua realidade,
Já sonhei…
Mas a cada dia acordo um pouco,
A cada dia, vejo o sonho de cada vida,
A cada dia, uma nova e triste saída,
Uma realidade, uma ilusão, um sonho,
Um viver iludido, realmente tristonho,
Agora que acordei…
Ondes estás realidade que sonhei?
Porque tens medo de ser tu?
Tudo pode ser tao diferente na amizade,
Tanto podemos ajudar a realidade,
Deixa cair, a tristeza, a inveja,
Deixa que o mundo te veja,
Como na realidade és,
Deixa render-me a teus pés,
Deixa cair a mascara da ilusão,
Deixa poder segurar-te na mão,
Deixa poder mudar, a tristeza,
A desconfiança e incerteza,
Que te assola o coração,
Que impede a visão,
De sonhar um novo futuro,
Onde o sentir é muito mais puro,
Se te deixares de esconder…
Sé verdade, e volta a viver…

Alberto Cuddel
19/07/2015

Façamos amor…

Façamos amor…

A cada dia,
A cada hora…
Façamos amor…
Façamos amor, quando me envolves,
Em teias de argumentos que só tu conheces,
Em discussões sem sentido, ferindo o ouvido,

Façamos amor…
A cada saudade na despedida da manhã,
A cada olhar afastando-se ao longe,
A cada partida, a cada chegada…

Façamos amor…
A cada chamada,
A cada mensagem
A cada palavra,
A cada certeza,
A cada dúvida partilhada!..

Façamos amor…
Dormindo sozinhos libertando a alma,
Abraço distante vagueando com calma,
Na brisa da noite, nos sonhos perdidos,
No calor do encanto, desejos escondidos!…

Façamos amor…
Enquanto comemos, brindando os alimentos,
Enquanto trabalhamos, para não esquecermos,
Enquanto viajamos, para não nos perdermos!…

Façamos amor…
À noite no quarto no silencio apagado,
Olhar tacteando o teu outro lado,
Mãos que despem os tecidos do dia,
Tarefa partilhada assim cumprida,
Despidos de tudo que a alma trazia,
Abraçados no nada, assim é a vida,
O dia acaba, a noite inicia,
Façamos amor até ser dia,
Dormindo abraçados,
Assim unidos,
Corpos dormentes,
Espíritos diferentes,
Unidos no tudo,
Que o amor nos dá,
Façamos amor, hoje e sempre…
Até amanhã….

Alberto Cuddel
19/07/2015

Desavergonhada

Desavergonhada

Sem vergonha, sem pudores
Mostra-se despida a madrugada
Na alcova que se consome
Entre carne em gozo e luxuria
Acomodados a uma nova cicatriz
Lambendo cada chaga da solidão
Ligeireza consumista do cotidiano
Sentir palpável e tangível do ser humano
Realização Divina da perpetuação
Almas que se eternizam a cada aurora!

A cada ultimo verso…
A noite desavergonhadamente nasce…

Alberto Cuddel
01/07/2017
19:35

Certezas

Certezas

Profundidade da pedra
E pedra em mim urna certa
Convicta, a luz nasce do alto
Alto que se abstém, e se mantêm
Impávido, sereno, ausente
Nada depende de ti, som da lira!

A luz ladeia-te os flancos
Empolga um momento para além
Certa e concreta eternidade
No silêncio do depois, nada
As aves morrem a cada Inverno
Regressando na Primavera,
Guiadas pelo trenó do norte
Anúncio de bom tempo
E flores, e ribeiros que se enchem
E gelos que se derretem
E corpos que se mostram
E certezas, – paixões assoberbadas
Corpos quentes, chamamentos…

Se olhasses as minhas mãos guiadas pelo vento
Adormecerias na incerta consciência do meu regaço
Dormindo e acordando no fervilhante sangue
Entro o sonho e as certas certezas que professas…

Certo é, que tudo se repete…
E nunca teremos certezas de nada…
Mesmo que as noites morram todos os dias!

Alberto Cuddel
31/05/2017
17:20

Esquecimento

Esquecimento

A cada esquecimento
A lembrança de uma rosa que nunca floriu
Uma carta no fundo de uma gaveta empoeirada
Bâton no colarinho da camisa
Língua que se enrola nas inverdades
Omissões de uma memória tolhida
Ar que se estrangula na garganta
Corpo privado de si mesmo, da alma
Chamar um qualquer nome vezes sem conta
Sem voz, longínquo passado bem presente
Cidades esquecida pelas ruas fora
Semanas que são meses, e um aniversario todos os dias
Convívio diário na loucura, de ser, de reconhecer
As caras, as faces, e o louco propósito de um garfo
Ou uma faca pousada num prato, sem saber se tenho fome
Se comi, se ainda vivo…
E porque vivo…

Alberto Cuddel
31/05/2017
11:44

Poema em homenagem aos cuidadores de doentes com Alzheimer

Considerações

Considerações

Talvez tenha enfiado a vergonha num bolso roto
A humildade no bolso da camisa, talvez esteja morto
Esse abjecto desejo da beleza consensual os olhos do mundo
Numa circunferência perfeita em volta do meu egoísmo
Essa ignóbil inspiração em mim mar fecundo, profundo
Os amores, as flores, as paixões, tudo apenas sonho, lirismo!

Procuro na essência o divino, longe fora de mim
Em mim diabolicamente anúncio, apenas e só o fim
Não corro em casulo fechado na estepe
Olho e absorvo quem passa, e os que procuro
Nas cores da vida, nada cinzento ou crepe
Um quadro incompleto, sem moldura, imaturo!

Indago de mim se eu próprio tenho paixão
Se não fechei o olhar sem qualquer consideração
Grandes poemas desaparecem também nas letras
Essas que se tornaram consumíveis e pequenas
Que balbuciam amores, e outras tristes tretas
E longas tragédias e sofrimentos de uma morta Atenas!

Há objectos que me inspiram os dedos
A caneta não tem vida, eu conduzo-a
Considero que a palavra soprada ao papel
Não morre, nunca morre, apenas vive noutro olhar!

Alberto Cuddel
30/05/2017
10:05

A um Deus que procuro

A um Deus que procuro

Onde te encontro? No trigo que amadurece ao sol?
Nas águas turvas e apressadas dum ribeiro, na mão estendida de um mendigo
Na mão que vasculha a algibeira à procura de um não sei quê?
Onde está esse Deus que procuro em mim?
Longe? Perto? No princípio ou fim?
Onde reside este Deus ausente, que tanto sofrimento consente?
Tanta guerra e miséria, tanta morte nestes mares, tanta doença
E mesmo assim, não me esmorece a crença, que que me concedeu um dom
O dom da escolha, não esse Deus que condiciona, mas que julga,
Que ajuda a quem a ele recorre, a esse Deus que procuro,
Encontro-o vivo, sem nome, mas presente, na alma que habita em mim!

Alberto Cuddel
28/05/2017
22:58

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