Teia Virtual

Teia virtual

Enfileirei-me, estudei o mercado,
Enredei-me em redes e teias,
Teias finamente tecidas, e colocadas
Estrategicamente publicadas
Num horário, testado, para,
Que o isco, escrito, habilmente
Lançado, na rede sedutora,
De uma tristeza carente
Que te seduz habilmente
Nos instintos maternais,
Mulher,
Cruamente desprezada,
Perdida no sonho
De apenas ser amada,
Na retribuição carinhosa
Da atenção dispensada,
Há presas fáceis, da ardilosa
Armadilha,
Sob uma falsa montada
Capa descarada,
De uma liberdade imposta,
Seguro de si, o lobo,
Na capa de cordeiro armado,
Tece teias com seus tentáculos,
Enreda, tece, prende emocionalmente
Cada uma das presas, ensaiando,
De Estocolmo a síndrome,
De assumir para si
Papel de vítima!

Ó ardilosa e matreira conquista,
Na visão intimista,
De ver as suas
Enfileiradas presas
Presas a si pelo virtualmente
Seguro sentir, comendo-se vivas
Umas as outras, apenas para elevo
De um macho e louco, alter-ego!

Ó cruel, vil e triste manha,
Preso te encontras,
Na tua entorpecida liberdade,
Pela vaidade do engano!

Não, não sou melhor,
Maior ou diferente,
Ensaiei, tenho olhos, sou gente,
E tenho em mim, comigo,
Consciência, também eu fingi,
Levado, pelo deslumbre,
Pela facilidade,
Criando um outro eu!

Não, não é penitencia,
Tão pouco confissão,
Ou um lifting, tão na moda,
Apenas a certeza, que eu,
Eu, actor perfeito,
De perfeitos cenários,
Na realidade, na minha realidade,
Não sou, actor, encenador,
Caçador, pescador,
Mas presa voluntariosa,
Preso na teia sedutora
De uma perfeita e exímia
Caçadora, que me seduz,
Dia após dia, na paixão da partilha!

Alberto Cuddel

Na mesa da sala uma orquídea

Na mesa da sala uma orquídea

na mesa da sala,
na pequena mesa da sala uma orquídea,
florida, qual Primavera,
indiferente, ao calor que se faz sentir,
do lado de fora da janela!

na mesa da sala,
repouso o olhar, cansado, distante,
parcas horas de um diurno sono,
podia dormir, como podia,
sentado na velha poltrona,
onde desenhei sonhos,
onde sonhei conquistar as palavras,
rios de poesia, marés distantes de versos,
que versejo num sonhar!

na solidão deste solitário momento,
onde me permito desligar, do físico mundo,
das constantes da vida,
da edificação da conquista,
sinto-me,
verdadeiramente sinto-me,
eu… conquisto apenas o meu eu…
imobilidade da alma,
sem viagens alucinantes do tempo
sem passado, sem presente,
sem um futuro distante e ausente,
ainda não pensado…

na mesa da sala uma orquídea,
real natureza, máximo da beleza,
onde ainda me permito descansar!

Alberto Cuddel

Ravinas da alma…

Ravinas da alma…

sigo os passos dados na calçada
memórias de um ontem prometido
de mão dada, o vento acoita-nos a face
e sorrimos, como se o amanhã demorasse!

vai alta a lua de Primavera
e longe estão os teus braços que me enleavam
os passos perdidos não têm resposta,
o eco do caminhar hoje é apenas um silêncio…

nessa arcádia vazia, na mesa do café
existe apenas saudade, apenas dor, apenas revolta
arrancaste-te de mim a ferros, sem um adeus,
apenas foste viver essa tua vida medíocre e conformada…

não sei o que hei-de fazer das minhas emoções
com os meus sonhos e desejos…
não sei o que hei-de ser sozinho
sem as tuas mãos e sem os seus beijos

quero que ela me diga qualquer coisa
para eu acordar de novo, viver de novo
quem ama é diferente de quem é
é a mesma pessoa sem ninguém
sem essa vida sonhada da solidão além…

Alberto Sousa
27/04/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Entrelaça as mãos soltas…

Entrelaça as mãos soltas…

olhar cheio da nocturna densidade da saudade
entrelaça os dedos e contorce a alma
arqueia o desejo sob o peso aglomerado dos lençóis
seja nua a veste que te cobre o discernimento
seja pura a vontade lasciva que te percorre…

que as tuas mãos voem,
que voem em silêncio
onde eu guardo os sonhos…

sonhos que me pertencem, que te tocam, que te envolvem
quero ser eco da voz que escutas, gemido que te enlouquece
quero ser fonte do teu sorriso, quero ser origem do teu suor
quero amar-te, ser prazer, ser loucura e orgasmo solitário…

entrelaça as mãos soltas, os dedos húmidos, e deixa-me
deixa-me escutar-te, no silêncio das paredes, enquanto te olho…
mesmo que na minha pele, não sinta agora o calor da tua…
nesta louca fantasia… amo-te…

Tiago Paixão

Afúriadasaudade

Ps: um novo cuidado na escolha das imagens… Um impercetivel detalhe “as alianças” os casais também merecem os seus momentos de renovação não da paixão, mas do tesão…

Ode absoluta ao Amor

Ode absoluta ao amor

Seja o amor finito nas horas do dia,
Seja o amor infinito na saudade da noite,
Seja eu movido a desejos de beijos no regresso a casa,
Seja eu ardente e carente das viagens no teu corpo!

Viajo nos ditongos orais com que me vergas
Nas sílabas de um diálogo lido no olhar
O que importa?
A oração ou a nossa oralidade?
Viajas confusamente em lençóis de cetim
Se nas artes do conhecimento [foras ontem sonho]
Hoje navego descobrindo
A cada recanto do teu querer
Novos mundos onde a cada dia nos perdemos
[só assim nos encontramos, fora de uma monotonia]
Desumanamente, o tempo condena-nos à saudosa
Ausência de permanência desejada
Verdadeiramente almejada pelas almas que se desejam!

Por onde correm os livres ribeiros do desejo?
Não pelos corpos profanamente pecaminosos,
Mas na virtualidade do sentir pleno e decidido,
Somos braços que se abraçam no corpo maior
Vontade congregada e testemunhada por Deus!

Diziam-me os arautos da desgraça, profetas da inveja
Quanta delonga poeta em explanar o amor conjugal
Onde mora o teu efémero sentir, ou algo está mal?

Oh mundo que tudo condenas,
Não levas de mim maledicências
Se o mundo em tudo que nos atenta
Pelos brilhos da felicidade instantânea
Também é o mundo que nos exalta
A contrariar as vossas ciências,
Vivendo na felicidade apenas!

Os minutos em que verdadeiramente amo
São horas nos dias de solidão a que me condenais
Os segundos fixos no olhar,
São a esperança de a cada dia regressar,
Os arrufos, querelas e desentendimentos
São o adubo em terreno fértil
Ao diálogo consumado na paz que nos damos!

Se o amor, esse sentir decidido explanado nos beijos
Por muitos considerado capricho em desuso
É por nós consumado nos dias e noites longas
Também por Deus edificado nas noites escuras
Em que a saudade habita o lugar vazio a meu lado!

Doce temperança das manhãs claras
Aurora que desabrocha nos meus olhos
Abraço intemporal de um corpo cansado
Perfume de uma pele tatuada na minha
O amor é prova irrefutável dos dias
Sangue nosso que habitará o amanhã…

Alberto Cuddel
01:02
06/12/2016

Confiança

A escuridão que envolve por inteiro o meu ser,
O silêncio preenche todo o teu espaço vazio,
Quebrado pelo som dos finos saltos de agulha,
Que firmes pisam o soalho de carvalho polido,
No firme, sensual, decidido e compassado andar,
Com que me torturas na ausência e privação do sentir!
Aqui na profunda angustia da imobilidade,
Não vejo, não toco, não sinto, apenas o som,
Saltos pisando o soalho, deténs-te no silêncio,
Tua respiração profunda, quente em minha nuca,
Aceleração, o profuso desejo do toque, ânsia,
Silêncio estilhaçado, por um som, um único som,
Conhecido, desejado, almejado, inconfundível,
E o calor, a pele queimando, fervente sangue,
E voltas, martelando o meu querer, um após outro,
Nos compassados passos, de teus saltos no soalho!
Privação opulenta dos sentidos, aflorando o floreado
Sentir do toque, despertando cada poro, cada pelo,
Assanhando o desejo de estar em ti, na sintonia
Idealizada do movimento perfeito apenas pelo querer!
No silêncio nem uma palavra, uma imagem, um querer,
Apenas vontade, som, desejo, fervilhante tortura,
Sou teu, conhecimento, confiança, sem medos
Entregue à tua absoluta vontade de Amar!


Alberto Cuddel
27/02/2015

E o mundo parou,

E o mundo parou,

a noite caiu la fora,
o silêncio trancado,
na fechadura da porta,
aqui e agora, só nós existimos,
no profundo olhar,
no toque da memória,
na luz reflectida por tua pele,
eu e tu, na solidão do espaço,
todo preconceito, todo pudor,
trancados do lado de fora,
despidos de nós mesmos,
procurando a entrega plena,
da magia do acto de amar,
um só corpo formar,
sincronizar movimentos,
batidas, pulsares,
gemidos…
deleite supremo…
sincronização absoluta…
o eu, o tu?
que importa…
o prazer único,
sentido… gritado…
envolventemente gemido…

Alberto Cuddel
23/11/2014

Apenas por que é hoje,

Apenas por que é hoje,
E hoje não é um dia qualquer,
Também não é um qualquer dia,
Hoje comemoramos o futuro de ontem…
E a realização do sonho passado,
Sonhando sonhos novos…

Alberto Cuddel
14 de Novembro de 2014

Um adeus

Um adeus

Chego com um vazio plenamente preenchido
Pelo silêncio que hoje ecoa nas paredes despidas
Alimento das memórias que me ventem da alma
E a dor… – corroí-me as entranhas em abandono…

Sei-te distantemente ausente
Aquele adeus…
Dito fermente, com a voz segura
De um adeus eterno…

Um sentir que acaba?
Como ditas verdades impossíveis?

o amor não acaba, esquece-se
Uma meramente substituição
Por uma jovial e doentia paixão!

Um dia, meramente lembrarás
Que amaste alguém que efectivamente
Ainda te amava….

Sírio de Andrade
2:01
28/11/2016

O mar vem e vai…

O mar vem e vai…

Por entre ondas espraiadas de azul
Algas de verde-mar, areia muito fina
Estendem-se ao sol corpos luzentes
E outros que apenas olham o horizonte!

Conchas, rochas, búzios, estrelas e beijos,
Tudo se pode apanhar, recolher, guardar
Atrevidos, lábios molhados e outros desejos
Quentes corpos, fumegantes, quase a colar!

Navegam ao largo os sonhos de Verão
Levados pela brisa marinha, sozinha
Sonhos, desejos, olhares, doce paixão!

As rochas firmes, pelo tempo desgastadas
Esperam a tempestade que logo se avizinha
Quando partir o Verão, paixões agora acabadas!

Alberto Cuddel
15/08/2016

Mar revolto

Mar revolto

Chegas com a fúria na alma,
E nessa fúria logo se acalma,
De sentimento revolto, o Mar,
Mas pela Lua volta-se a afagar!

Que triste o constante vaivém,
Ora calmo, belo e espelhado,
Ora revolto querendo levar alguém,
Deitando por terra o que foi sonhado!

Deixam-me o tempo parar,
Deixa-me votar a sonhar,
Deixa-me voltar a teu lado caminhar,
Deixando de novo gravar,
Nas pegadas o que é amar!

Alberto Cuddel
18:50 29/05/2013

Duetos improváveis – dois tempos e duas mãos

Uma surpresa feita pelo meu querido irmão das letras António Alberto Teixeira Sousa!! O poema que fiz, há pouco mais de duas horas, agora, extensível a duas mãos! As minhas e as tuas! infelizmente ainda não consegues comentar, mas consegues ler!!
Obrigada pelo teu carinho, obrigada pela tua generosidade, obrigada pela surpresa! Obrigada por seres como és!!
🥰🙏🙏🙏🙏🙏

SER ( a duas mãos)

Presta-se o dia
para divagar nas entrelinhas de um suspiro
Aberto de cautelas e consciências plenas do nada…do vazio do inconsciente…
De propósitos de vida
e pensamentos vagos…
Mas sempre com uma prioridade assumida,

O amor…
O amor no mais puro conceito…

“Essa virtude humana que se agiganta no vento
Canas que se vergam as tempestades
E tudo passa, tudo é perfeito, na imperfeição das horas
E antes de tudo, o amor é, naturalmente natural… “

Ouço o frenesim dos pássaros e
dou por mim, cada vez mais apegada aos animais e às crianças …
A inocência de ambos é congénere …

“Numa fidelidade férrea gravada nas pedras
Vivo esse tempo raso, esse vai e vem marítimo,
Eterno, infinito, feminino, sensível até… “

Dois pequenos irmãos jogam à bola no jardim…
Não devem ter mais de oito anos
e a alegria dos seus sorrisos é contagiante!
Ausentes de responsabilidades e incertezas, não pressupõem sequer o que o futuro lhes reserva…

“Como duas pequenas crias de lobo
Aprendendo a cada brincadeira,
Como se edificassem Roma, criado um novo amanhã…”

Que perfeito seria um mundo, onde a proteção e direitos iguais, para as crianças e animais fosse um senso comum…

“Que perfeita seria a vida sem essa necessidade de diferenças
Sem distinção entre seres vivos,
Entre crianças e adultos, entre homens e mulheres,
Entre pigmentações, entre religiões Entre fronteiras, entre falsas e verdadeiras… “

Que perfeito seria um mundo sem guerras, sem ganâncias, sem ódios, sem censuras, maledicência, reparos ou reprimendas…

“somos um vírus na terra,
Uma bactéria que suga a vida,
Humanos tristes, gananciosos,
Invejosos, sedentos de fome…
Queremos o que não temos… “

Vivemos num mundo doente, com feridas que jamais irão sarar…
Com disputas que jamais irão parar…

Só um poeta consegue subtrair-se das trevas…
Por mais que sofra, o poeta sonha e vende sonhos a quem os queira comprar…
Alimenta-se e alimenta almas famintas com o mais puro alimento espiritual,

“O poeta sonha, idealiza a brisa no rosto
Uma paz capaz de ser sol num caminho
O poeta canta a beleza natural,
Essa ideologia natural que é a paz,
Fruto de uma pura sementeira…”

O amor
O amor no mais puro conceito!

No pouco tempo que não tenho para ter tempo para o que é vital
e dentro de uma existência invertida, continuarei sempre a ser poeta…
E…a ser poema…

“Enquanto o amor é semente a germinar… “

Célia Teles Ferreira
“Alberto Sousa”
16042022
Reservados os direitos autor

Duetos Improváveis – Duas mãos e dois tempos

“Escrevo! E o que escrevo é igual a qualquer outro escritor. Sem nenhuma diferença, diria!
Porque uso as mesmas letras, as mesmas palavras, a mesma emoção, a mesma raiva e a mesma ironia.”

Desenho letras tabeladas, sentires escutados, romances anunciados, copiados pelo dicionário, eu compilador de verdades que outros sentem.

“A forma como espalho as palavras é diferente, mas isso torna tudo ainda mais igual.
Talvez tudo se alterasse se inventasse palavras novas.
Quem me dera saber inventá-las.”

Quem me dera senti-las como as sentes, como reviras os olhos a cada exclamação, como as sentes no peito, como te humedece o olhar, no ricochete que te fazem na alma, ai sim, podia sentir, poderia ser poeta!

“Ponderei, então, sobre o que faria eu que me distinguisse dos demais, se utilizamos os mesmos travessões, os mesmos pontos finais, as mesmas interrogações e as mesmas exclamações. E percebi. De repente percebi que faço a diferença no que não escrevo.”

Faço a diferença no que não lêem, faço a diferença no que sinto, no que vivo, na forma de colocar os dedos, na pressão que exerço em cada palavra, em cada ditongo, em cada vogal

“Faço a diferença na forma como respiro quando escrevo.
Faço a diferença naquele espaço que existe entre as palavras que parece igual para todas, mas não o é.”

Faço a diferença quando me olhas de frente nas palavras que sentes, quando transmito o que pensas ter sido dito. Quando a alma se eleva ao dom de ser lida, sentida, declamada e gemida por ti.

“Faço a diferença sempre que rasteiro as palavras ou os leitores com uma vírgula que alinha o cérebro e desacerta o coração.”

Faço a diferença quando pinto a mundo com palavras repetidas, com pontuações repetidas, mas com um outro olhar, com um outro sentir, com os olhos da alma. Nesse pequeno espaço, entre a pausa e o silêncio.

“É aí que existo, que mudo o rumo das coisas.
É no espaço e na vírgula que eu sou eu, sem fingimentos.”

Nessa ínfima parte do poema, eu Poeta existo, eu faço-me eu, sem copias e repetições, sem interpretações incorrectas, sem julgamentos…

“No resto…bom no resto não passo de um ilusionista. De um actor. No fundo sou um manipulador de marionetas que conta histórias imitando poetas!”

Baltazar Sete-Sois
Alberto Cuddel

Comunicando

Comunicado

Não é para mim fácil dizer-vos isto, mas existem momentos na vida, em que outros valores mais altos se levantam, é com pesar e dor na alma, que por motivos pessoais e profissionais, irei abandonar as publicações diárias, nomeadamente on-line. Tais publicações exigem de mim demasiado tempo e esforço, nem sem que retire disso a verdadeira compensação. Estou ciente que os meus seguidores e leitores merecem de mim a melhor das intenções e qualidade dispensada, mas tal decisão visa essencialmente, manter a minha saúde e solobridade mental em primeiro lugar.
O esforço que me é exigido pelos meios que me envolvem está a levar-me por caminhos da falência completa da criatividade e foco literário.

É por isso que no melhor do meu e vossos interesses tomei a decisão de efectuar apenas uma publicação semanal, sem que exista no entanto uma limitação imposta à produção diária de conteúdos. Muito obrigado a todos pela atenção dispensada.

Disse o director de uma revista diária a quando da reunião semanal com os editores

Antônio Alberto Teixeira de Sousa

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