Poética XI

Poética XI

neste olhar distante, olho…
por essa nesga verde
por entre troncos hirtos
esse caminho de fuga
fechado, estreito, sem destino.

nessa frincha de céu visível
deposito os sonhos, como ovos que capto na lente
nessas nuvens que passam livre para lá do portão
aponto a nesga do olhar que ninguém vê…
confundidos entre o verde da vida
e todos os outros que se erguem estáticos do chão…

essa esperança que vive para lá da vedação…
para lá do hoje e do amanhã…
para lá deste carreiro cotiado até ao portão de tábuas…
e as tábuas… essa prisão eterna do corpo…
“ repousarás na terra numa caixa de tabuas,
sete pés abaixo do chão…”

e escondo-me aqui, bem aqui entre um tronco e o outro
e olho, o carreiro, pelo cristalino
enquanto sonho, com essa esperança de fuga
virtudes da liberdade, de pois de transpor as tabuas…
espirito e alma… livres dos vícios terrenos…

Alberto Cuddel
15/03/2021 16:30
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XLVI

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