Poética IX

Poética IX

corpo-vento na liberdade do sonho
movimento que me acaricia os lábios
transmutação das dunas, recolhimento
sabor espuma das ondas da madrugada
sorte oculta do acasalamento dos sábios
corpo-vento caricia longa e sagrada…

reveste-me a alma de sonhos
papagaio de papel em cordel de prata
percorre-me a alma de vento-corpo
abraça-me na brisa que percorre o ribeiro
faz-te foz em mim e desagua…
fresca e doce, límpida e oxigenada
repleta de vida em ti, toda tu fervilhas…

trilha-me os caminhos, serpenteando as acácias
eleva-me a copa frondosa dos carvalhos
sejamos pinho e sobreiros,
morramos de pé como os abrunheiros
agitemo-nos neste corpo-vento que nos toca
olhemos de frente o prado que baila
sob a brisa de nossos corpos nus…

sou poema e corpo-vento que sonha
vontade e alma-corrente, sejamos naturais
tão naturais como a fome e a sede que nos abraça
um querer absoluto que nos consome na virtude
a liberdade de ser, corpo-vento…

Alberto Cuddel
10/03/2021 10:00
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XLIV

4 thoughts on “Poética IX

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