Poética IV

Poética IV

tínhamo-nos esquecido do tempo,
desse que passa por nós na berma da estrada
mesmo assim havemo-nos de casar um dia
mesmo nesse tempo bacoco sem memória, somos…

não, eu não sou o tal, não professo esse amor lamechas cheio de moscas
nem como o outro anseio “fornicar amor” contigo…
tão pouco irei sacudir-te a libido em busca de preliminares exíguos
mas casar-me-ei contigo várias vezes, noutras talvez mesmo acasale…

mas o tempo morre-nos a cada dia que nos ultrapassa fora de mão…
– esquece os morangos e o chantilly, até as bananas
que me importa a fruta? eu caso-me contigo porra…

sejamos pedreiros e trolhas, picheleiros até, na construção de momentos perfeitos
mesmo que os construas de joelhos enquanto te olho nos olhos
e se seguro os cabelos… mas sejamos com classe…
dessa que não se compra mas que existe em nós,
por sermos quem somos, não tenhamos vergonha de o ser…

tínhamo-nos esquecido do tempo,
desse que passa por nós na berma da estrada
e depois acordamos, olhamos o céu encoberto
desenhamos nuvens no chão… olhaste-me
deste-me um beijo! vamos?
rodei a chave e partimos rumo a esse destino desconhecido
esse mistério estudado pela ciência chamado amanhã…
e sim havemo-nos de casar lá também…

Alberto Cuddel
01/03/2021 03:40
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XXXVIII

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: