Um poema novo de troncos velhos

Um poema novo de troncos velhos

revoltam-me as palavras imperfeitas
da metade do tempo em que não existimos,
não nos basta a certeza da existência do silêncio,
precisamos senti-lo nos lábios
firma-se os seios e o ventre
mulher-natureza que nos seduz…

calam-se em ti as palavras que não sentes
as mãos que não vivem e os pés frios…

há abraços que não demos,
há beijos que ainda não sentimos…
exprimo e espremo versos
regatos e pontes de pedra e água
lágrimas incomodas e incontidas
neste sorriso que vem na chegada
como quem parte numa floresta velha…

enchem-me o peito os ecos
dessa respiração ofegante que guardo
registada na ponta dos dedos que te buscam…

revoltam-me as saudades e os silêncios
que forçosamente calo,
na masculinidade que não choro…
húmus e líquenes geradores de vida
pela palavra húmida e lágrimas
se faz nova a vida sem sexo…
cruzam-se os toros hirtos
nas árvores macho, que teimosamente
morrem de pé, sem glória…

Alberto Cuddel
10/02/2021 07:45
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XXVII
Foto gentilmente cedida por:
@Jõao Gomez Photography

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: