Do primeiro antes do depois…

Do primeiro antes do depois…

falo de ti às flores e à madrugada
falo como se calado estivesse
de lábios cerrados pelas brasas
nesse luar que desabrocha no lago…

falo de ti ao mar e as rochas fustigadas
as areias que correm e ao sol que se esconde
de alma aberta grito silêncios do alto da escarpa
nesse barco solitário que longe atraca…

falo de ti para não morder a língua
jangada de pedra, vento de leste
nesse barlavento em sentido oposto
falo de ti, mãos no rosto, e o beijo…

falo de ti, de mim não…
eu que pertenço à raça de construtores de impérios
de castelos de areia e de sonhos, eu que sou poeta
que enclausuro dentro de mim o homem que me habita
falo de ti aos céus, aos deuses, de mim não…

se falar como sou, não serei entendido,
porque não tenho poetas que me escutem
nem aves ou peixes, nem mesmo tu…
porque eu sou como sou,
uma confusa imensidão de mim,
e de todos de mim
é de ti que falo
desde o primeiro dia
bem antes do depois
porque o depois de que de ti falo é agora…

Alberto Cuddel
12/12/2020
03:10
Poética da demência assíncrona…

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