Se houvessem arco-íris

Se houvessem arco-íris

Se arco-íris houvessem no mar
E escadas que que erguessem aos céus
Quem teria eu de subornar nos infernos
Para que todos os teus beijos fossem meus…

Malditos sejam todos os caminhos, que nos cruzam as cidades
Malditos sejam as saudades, e todas as aves sem ninhos
Ergui muralhas de areia molhada, escondi tesouros na estrada
Cortei nuvens de algodão, luzes coloridas de uma canção…

Se houvessem arco-íris onde se esconde o caldeirão
Subornaria o duende, e plantar-me-ia no coração…

Erguem se as copas aos céus, por entre os degraus do olimpo
Há no templo de Salomão, ainda perdão a este impio…

David, David, porque de Abraão viemos?
Há moças que correm de espada
E rapazes soltos sem matilha…
Por um justo, foste poupada…
Por uma pecadora condenada…

Se arco-íris houvessem no mar
Os ventos não me abandonariam à má sorte
Longe persegue-me a calma, e a morte…

Se houvessem arco-íris
Em pomares de pêssegos maduros
Tudo seria calma, tudo seria apenas futuro…

Alberto Cuddel
14/11/2020
20:50
Poética da demência assíncrona…

2 thoughts on “Se houvessem arco-íris

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