Olhar…

Olhar…

olho-te nesse olhar amedrontado de um intensa vida…
olho as palavras atiradas sem ver os lábios que as proferiram…

olho a alma despida com que te entregas ao mundo
nessa praça vazia, olho com um novo olhar
como quem procura uma vida que há-de chegar
(-)há uma folha que cai, junto as milhares que jazem…
confina-se a vida pelo medo de a viver
(-)há uma morte que espreita no medo…

rasgam-se os verbos do silêncio pelos passos do indigente
segue indiferente à vida que já não corre
há espaço no mundo… há praias desertas…
há céus que não são cruzados
e há trabalho sem horário que já não sai do quarto
agarrados as raízes do local que habitam
não há tempo, sem que o tempo morra
não há quem olhe o mundo de olhar nu
olham pelo ecrã, pelos números, mas não pela janela

há um olhar que se perde,
a vida segue, indiferente ao tempo
apenas prevalece o medo de a viver
como este novo olhar levantado do chão e do medo…

Alberto Cuddel
13/11/2020
14:17
Poética da demência assíncrona…

6 thoughts on “Olhar…

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  1. Boa noite, Alberto, enquanto isso precisamos viver e crer num bem maior. Olhar para frente sem medo e com muitos cuidados…. No aguardo da tão esperada vacina. Que os cientistas sejam iluminados. A vida segue… Abraço.

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