Nua solidão

Nua solidão

Corria contra o tempo de mão dada
Sozinho, neste deserto rude e agreste
-saudades da vida que deste, do tempo
Areia entranhava-se nos pés, corria
Contra o tempo, sozinho, de mão dada!
Fatiguei o sono, mantive-me acordado
Cheio de um amor abstracto, desejo
Sonho livremente o ar, o mar, o beijo
Na brisa descomprometida da saliva
Nas dunas que se erguem do teu peito!
Se as nossas saudades fossem uma,
Se o gemido do eco segredo,
No desejo escuro, verdade degredo?
Movimentos profundos e calmos,
Amplos, mudos e surdos,
Cabelos desalinhados
E rostos rosados!
A solidão de mim,
De ti, não teria pena!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi – 54

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: