Doí-me a ausência

Doí-me a ausência

Procuro palavras perdidas
Explicação para lágrimas vertidas
Para a escorregadia calçada da saudade
Procuro nas mentiras a luz da verdade
Encontro paredes negras e sombrias
Que me asfixiam na solidão do quarto
Gritos nocturnos de um qualquer parto
Clareiras de hirtos pinheiros mansos
Grasnar aflitivo de alvos gansos
Partida, rumo ao sul calor do Verão
Sussurro para mim mesmo dores de paixão
Sonho teu rosto esquecido no adeus
Do jardim, nem memória, nem um jasmim
Nem rosas ou margaridas,
Apenas uma janela fechada,
Um amontoado de silêncios
Uma chuva miudinha que me lava a alma,
E as lagrimas salgadas, essas são calma!
Por nada, apenas estou assim,
Diferente, morto em mim!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi – 55

4 thoughts on “Doí-me a ausência

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  1. Pode ser distração minha, mas é um dos poucos poemas seus que li, em que o eu lírico descreve a paisagem externa; geralmente as descrições são interiores, mesmo as de pessoas. Esse coloca o eu lírico em um cenário externo..

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    1. Grato amiga Odonir, não digo que seja distração, sim existem alguns mas como na maioria o eu nasce do sentir e detrimento da observação externa não é tão comum a percepção da observância externa. Mas existe sim…

      Liked by 1 person

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