Correm as pedras em ribeiros secos

Correm as pedras em ribeiros secos…

-sabes amor onde nos mora o desgosto?
há nos ribeiros secos um anúncio de vida
nuvens trovejadas de saudade e peixes
desses que saltam por entre a corrente
enquanto sobem em direcção à morte…

há verdade na vida
há sonhos da impossibilidade
há sono sem cansaço?

corroem-se os cascos na margem
em mares nunca dantes navegados
em corpo de mulher amaldiçoados
sopram ventos abortivos da saudade…

onde vos moram os beijos?

rasgadas sejam as redes que procura o amor no cântico
ilusões disformes das pedras afiadas…
há nas curvas prazer, desse imediato que se vem…

correm as pedras em ribeiros secos
nas mãos apenas punhados de nada
bolsos vazios e garrafas de água…
do amor nem vestígios, nesta carteira vazia…
há quem procure e encontre amor às prestações
com cartões, promoções…
a prazo…

Alberto Cuddel
05/10/2020
13:55
Poética da demência assíncrona…

2 thoughts on “Correm as pedras em ribeiros secos

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