A inutilidade de continuar sentado

A inutilidade de continuar sentado

É inútil prolongar o silêncio de uma conversa solitária, com é inútil continuar sentado a um canto de uma sala vazia…

depois dos primeiros raios de sol
do aquecimento húmido da terra
dos poléns e de todos os ninhos
nessa Primavera onde desponta
toda a vontade e o tesão da procriação,
dessa sofisticação humana a que chamam amor…

e ficas ali, sentado nessa inutilidade de ver
olhar o voo rasante das andorinhas
o movimento cíclico dos mexilhões
batendo nas bordas da água, nas rochas …

esperas o calor do Verão o despir dos corpos…
inutilmente sentado…

despontam os brotos, a paixão esvoaça
nessa naturalidade de ser natural a vida
o prazer e a dor de crescer…
crescer dói…
é inútil ficar sentado…
prolongando o silêncio de uma conversa monogâmica
entre mim e o eu de mim mesmo…

Alberto Cuddel
29/09/2020
03:31
Poética da demência assíncrona…

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