Rasgo folhas do meu caderno,

Rasgo folhas do meu caderno,

Rasgo folhas do meu caderno,
Procuro no seu interior a essência,
O poder de um sentimento terno,
Mas a escrita fica-se pela aparência
Da corrida tinta que te cobre!

Rasgo folhas do meu caderno,
Procuro apagar de mim o passado,
Memória de tudo o que é externo,
Assim definitivamente algemado,
Nas palavras que declamo ao vento!

Rasgo folhas do meu caderno,
Vitórias e derrotas do teu sentir,
Vida de um despiciente inferno,
Mim ainda continuam a coexistir,
Versos que finjo escrever na areia!

Rasgo folhas do meu caderno,
Esqueço de mim a existência,
Sentir em mim amor materno,
Finjo sentir de ti a aparência,
Palavras redondas que escrevo!

Rasgo folhas do meu caderno,
Queimo de ti na luz do olhar,
Romances que em mim alterno,
Encarno em mim o saber amar,
Esqueço abandonado caderno vazio!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi 65

One thought on “Rasgo folhas do meu caderno,

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  1. Sinto que quando rasgamos o papel que a tinta espalha tudo que sentimos, é como se tirássemos de nós e fosse tudo embora. Muitas vezes usei isso como terapêutico em momentos difíceis e funcionou. O importante é a reflexão que se faz conforme escreve e o entendimento após não pertencer mais à nós

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