Canícula

Canícula

… e este estio que me cansa
dizem-me com lábios quentes
experiência… maturidade…
há na temperatura da vida um cansaço
no cansaço dos dias um calor que me derruba
e sem vontade ainda grito: – ama-me
como por obrigação de uma doença
me obrigasse ao movimento que não busco…

…e anoitece, longe o luar chama-me por entre dunas
rebolamos em areias tépidas,
na busca da espuma das ondas
em explosões repetitivas de prazer
inéditas em cada uma delas…

…e nasce o dia, e volta o cansaço
e essa pressa de chegar a lugar nenhum
de fazer o que foi feito
movimentos repetidos
as mesmas cores, as mesmas palavras
as mesmas imagens
e esta canícula que me transpira
que me leva à imobilidade do prazer…

Alberto Cuddel
08/09/2020
14:13
Poética da demência assíncrona…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: