Horas quentes

Horas Rubras

Sou chama e neve e branca e mist’riosa…
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

Florbela Espanca, in “Livro de Sóror Saudade”

Horas quentes

Momentos profundos das horas caladas,
Feitos de beijos ternos, doces, carentes
Das alvas manhas, desejos ardentes,
Onde há mulheres vendo agonizadas

Gritos ,balidos, do pastor gargalhadas…
Estrelas ofuscadas, por lábios luzentes,
Sol que se espraia pelos lábios dormentes
Memorias do nada, longas estradas…

Teus lábios, entrada, ao desejo contido
Teus braços aperto, teu peito sentido
Brotam palavras de ti as mais puras…

És querer no desejo mist’riosa…
E sou, fome em ti voluptuosa,
De mim Poeta, o beijo que procuras!

Alberto Cuddel
Tributo a Florbela Espanca

2 thoughts on “Horas quentes

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