Seco o sonho de chuva

Seco o sonho de chuva

– humedeceste os lábios finos
pedras soltas atiradas pelo vento
e o destino quem o soubesse?

no espaço sepultado da fome
rasga-se o desejo da sede
procura mundos e fundos
mares e marés nesse querer fecundo
maternidade que te abandona o corpo

cânticos de Salomão
– ilusão dos seres mitológicos
sereias que me embalam
que me venham as virgens de candeia
a força de Sansão, o uivo materno
esse alimento de gémeos…
multipliquem-se os peixes e a fome
voz que sacia os espíritos,
acalmem-se as águas…
que seja pedra a força e a voz
edifique-se sobre ela a poética
neste sonho seco de uma chuva mórbida
de silêncios lidos em lábios gretados
clama o deserto por lucidez
e pendem-me espadas de calcário no olhar
pela inveja mesquinha do homem novo…

Alberto Cuddel
23/05/2020
19:15
In: Nova poesia de um poeta velho

4 thoughts on “Seco o sonho de chuva

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