Saudade…

Saudade…

Há saudades que não se explicam
Saudades do corpo, do beijo
O calor da pele, do odor, do tesão…
Há vontades que ficam, no corpo
Há vontades que ficam, na alma…

Chama-lhe amor, paixão, carência
Sei que sinto a tua falta, como sonho
Sonho-te, aqui nas mãos, no abraço
No estar, no sentir, na nudez das palavras
Na fúria do querer, na arte de existir

Há saudades que não se explicam
Apenas existem…
Nesta fome de pele que o amor nos condena
Esse sentir da alma que se faz tesão na pele…

Tiago Paixão
#Afúriadasaudade
30-01-2020

Inadaptado ao corriqueiro

Inadaptado ao corriqueiro

Na totalidade da inadaptação ao meio
Correm os rios à nascente,
Caem os dias no horizonte
Ainda assim é eterno o amor, a cada dia…

Imaginação simplista das multidões não destrinça
Na paleta de cores escrita, um arco-íris
Que teimosamente te desce na face
Detenhamo-nos em ver o que é causa
Qual o efeito trôpego do choro, da saudade
Em boa verdade, por nada, por palavra dita
Escutado e proferida fora de um tempo
– Do tempo do mundo do sentir!

Ainda que assim enxergue diante dos homens
A realidade da alma, oculta por detrás de um ósculo
Inadaptado ao cerrar absoluto do olhar
Decomponho-o, onde o movimento me insulta
Perfeito que é o silêncio do movimento dos lábios
E a firmeza das mãos que que amarão amanhã!

A eterna inadaptação ao conformismo da felicidade
Impulsiona-me, a querer-te mais e mais a cada dia,
Inadaptado ao amor consumista que se esgota…

Alberto Cuddel
05/06/2017
20:15

Desejo

Desejo

Desejo
O desejo cresce em mim,
Qual noite ao por do sol…
Sem dar conta, sem saber…
Os raios espraiados,
Por essa praia…

Quero-te…
Rumar sem destino,
Por entre encontros de paixão ardentes…
Sentindo o calor tocar nossas faces…
Olhar abraçados o vermelho solar de abandono…
O nascer da escuridão…
Rasgado pelo brilhante luar desse misterioso corpo celeste…

Quero-te, a ti mulher…
Que minhas noites preenches…
Com o brilho do primeiro dia…

De ti me afastei…
Para me encontrar novamente…
Qual sol nascente…
Com mais luz, mais calor…
Na mais ardente das paixões…

Todo o tenebroso passado,
apagado… Como escrito na areia…
Que uma onda apagou a sua majestosa passagem…
Nasci novamente…

Vamos sem destino celebrar…
Paixões, desejos…
Sem pudores…
Rolando na imaculada areia…
Onde o tempo se perde…
Com o céu onde cores indefinidas se misturam…
Vermelhos e laranjas…
azuis…
Correremos lado a lado…
Com a brisa batendo em nossos corpos…

Correremos vales e montes…
Planícies.
Anunciando ao universo o nosso amor…

quero-te…
Me entrego a teus caprichos de corpo e alma…

quero-te…
Sou teu, e apenas teu.
Quero partir… contigo… Sem destino…
Rumar ao por do sol…
AMOR…

Alberto Cuddel

Enviado por Alberto Cuddel em 05/03/2015
Código do texto: T5159000

Silêncio

Meu silêncio…

Inexplicável…
Uma tristeza profunda assola meu peito…
Solidão…
Pensamentos tristes, que desvanecem…
Como nuvens no ar…
De alguém que chora e jura…
Jamais tornar Amar!

Que tortura esta, que arde no meu peito com tal fulgor?
Como fui eu capaz de partilhar contigo meus credos…
Contar-te minhas alegrias…
Minhas tristezas…
Meus medos?!…
Tristeza nas grades da ilusão,
Onde meus pensamentos ponho…
E nesta prisão, vai morando meu sonho…
São fortes e densas as amarras das quais não me consigo salvar…
Vida….
Amor?…
Porque me agarras?

Por favor vem salvar-me…
Mostra-me um horizonte lindo…
Onde eu possa viver…
Deixa-me mostrar tudo o que sinto…
Deixa-me de novo nascer…
Crescer, acreditar e Viver…
Deixa-me Amar-te.

Alberto Cuddel

Março de 1992

Da janela do meu quarto,

Da janela do meu quarto,

Da janela do meu quarto vejo outras janelas,
Umas fechadas, outras abertas, e outras apenas janelas,
As pessoas que nelas vivem, escondem-se por detrás delas,
E são apenas habitantes espreitando por elas.
Da janela do meu quatro,
Vejo o mundo onde vives,
Vejo a imagem que projectas,
Os sonhos, os quereres,
Tudo quanto te fez sofrer!
Da janela do meu quarto, vejo a vida lá fora,
Vejo o desenrolar de uma vida, o já e o agora,
Da janela do meu quarto, viajo pela tua casa,
Vejo-te rir, chorar, partir, ficar, bater a asa,
Vejo um mundo de ilusões,
Quereres, vontades, paixões!
Da janela do meu quarto, vejo o mar,
Aquele outro mar, onde navegamos,
Partilhamos conversas, sentimentos,
Fingimos nos importar, amparar, apoiar!
Da janela do meu quarto, conheço-te,
Tu conheces-me, somos amigos,
Mas quando a porta saímos?
Tudo foi ilusão,
Tudo foi em vão,
Pois a janela do meu quarto,
É apenas um portal,
Para um mundo virtual!

Alberto Cuddel

Vamos à praia

Vamos à praia

Levei-a comigo à praia,
Ao luar, para que saia,
Levei-a comigo à praia
Segurei-a para que não caia!

Sob um luar que não invejo,
Longe do leito, longe de casa,
Arrebatei-a para mim no beijo,
Voou em mim num golpe de asa!

Areia molhada brando ninho
Brilhando à luz como jardim,
Subi por ela bem devagarinho,
Novo beijo arrebatou de mim!

No tudo que me ofereço,
Por nada já a arrefeço,
Prazer numa noite de verão
Não é só paixão, é tesão!

Assim no calor do momento
Corpos apenas o movimento
Mar de gemidos, muita paixão
Assim acaba o nosso S. João!

Alberto Cuddel

Entrevista

No passado dia 22 de Janeiro de 2020 estive na Kuriakos TV, no programa da manha, fica aqui um bocadinho da entrevista.

 

A tarde…

A tarde…

A tarde que cai no jardim
Uma tarde de chuva enfim
Como choram os lírios
E outros, delírios os que choras?

As rosas feridas nos seus espinhos
E as margaridas que sorrido
Espreitam o sol que se esconde
Homem, homem, isso foi ontem…

Hoje, morrem os sonhos em bancos
Húmidos e abandonados por mim
Túlipas que despontam, apartando
Terra solta, onde crescem as ervas…

Fungos e parasitas desgastam a carne
Podre que jaz após a morte…
E isso, apenas isso alimenta o mundo
E a fome de um amanhã…

Alberto Cuddel
03/03/2017 16:52

O Adeus…

O Adeus…

Perdi o comboio que passava,
No tempo que passa entre uma morte e a vida,
Nada hoje me contenta, nem a partida que desejava,
Tudo me soa a partida, nunca a uma chegada!

Carris, longamente estendidos, enferrujados
Pelos dias que passam, e outros desajeitados
Vi-te partir, com a esperança no olhar
Mas nunca mais, no comboio te vi chegar,
Esse morreu longe por decreto, decrépitos,
Esses que nos roubam a vontade de ir…

Toda a partida é uma morte,
Até nova chegada,
Mas o comboio que te serpenteava
A ti natureza em declínio,
Esse morreu, nunca mais voltou!

Eu, no meu olhar descrente
Fito a neblina, e escuto
As vezes filosoficamente
Ouço em minha mente,
O doce martelar ferroso
Do comboio em que te vi partir,
O progresso,
Incúria desumana,
Morreu longe,
Na esperança da vida
Dos antepassados
Que te esventraram
Para que o cavalo de ferro,
Um dia te levasse…
Sem um adeus…
Sem um até sempre…

Alberto Cuddel
04/03/2017 00:30

Poesia

Poesia

Palavras soltas onde me deito e me levanto
Onde chora minh’alma elevado pranto
No tudo que no meio seio ainda retenho
Palavras soltas que do poeta hoje leio!

O triste fado sentido
Verso da alma parido
Grito de saudade, clamor
Dor da ausência e amor!

Canto da fome caída na rua
Homens sofridos e tristes
Alma despida assim nua
Punhos erguidos em riste!

Ó poesia calada e desenhada na noite
Versos e estrofes onde me escravizei
Que me atinge o peito forte acoite
Palavras que nascem, dom que aceitei!

Os campos e jardins nos teus olhos,
Floridas névoas caídas nas montanhas,
O mar que engole nem sei o quê;
Amanhecer no abraço das tuas manhas,
Sonho perdido que ontem não se vê!

Ó Deuses, instigadores das guerras
Cantam nobres feitos das tuas serras
Os arautos que se levantam das terras
E os que se libertam das tuas garras!

Alma minha gentil, em ti me encontro
Em ti poesia, ainda hoje me perco…

Alberto Cuddel

Preto e branco da vida

Preto e branco da vida

Deixei que a recta me perseguisse vagamente,
Que as palavras flutuassem nas lágrimas estendidas,
Que o serrilhado das frases me ferisse a alma…

Sob o espelho dos dias, deitas-te ingloriamente
Caído em manto de glória, aplaudem-te as vogais
As consoantes, essas olham-te de cima, és poeta
Pequeno… pequeno…

Nos brilhos tirados a ferros, em páginas brancas
Antologias da vida em peso de ouro
E delicias-te na escuta, dos sons rebatidos nas pedras
De uma sala cheia de esperanças, e repleta de nadas…

Alberto Cuddel
10 de Abril de 2017
22:51

Ausência, partida…

Ausência, partida…

Chamaste cada um pelo nome,
Fizeste-nos grupo de Cristo,
Deste-nos a crença, a vontade,
Deste-nos a liberdade, a verdade,
Pela musica fizeste-nos crescer,
Aprender também a viver,
E um dia partiste,
O silêncio gritante que ficou,
Depois de tua partida,
Impotência, foi o que sentimos,
Os projectos por realizar,
Os sonhos,
Os conselhos que ficaram por dar,
Sentimo-nos sós…
Vazios de ti…
Agora preenches o nosso imaginário,
Falamos e questionamos-te em silêncio,
Sabemos que estás presente,
Talvez muito mais…
Do que alguma vez estiveste…

Neste vazio que deixaste,
Que o nosso amor preenche,
E nos impulsiona – “segui em frente”,
Deixaste-te a ti, viva entre a gente,
Na face e no sentir de cada um de nós,
Podemos ouvir tua voz, saber o que pensas,
Pois moldaste-nos como o barro,
Ficou Amor,
Ficou verdade,
Ficou saudade!

Alberto Cuddel

Poema dedicado a alguém muito especial!

Liberdade de pensamento por entre paredes estreitas

Liberdade de pensamento por entre paredes estreitas

Liberdade do pensamento naturalmente servo da mulher
De um homem desastrado do papel formatado
Dos hediondos canais sociais que te formatam
Não és livre de pensar sem desejos nem convicções
Ser dono de si mesmo sem influência
Tudo em ti te condiciona, direcciona…

O pensamento como uma entrada no cárcere,
A triste a monotonia de tudo o que aprendeste
Sem que tenhas sede, fome, vontade de saber
Tudo te aprisiona dentro dessa caixa de cálcio.

A liberdade é um caminho de normas impostas
E sobrepostas a ti mesmo, igual a tantos outros,
Não buscas livros malditos escondidos ao lado
De tantos outros formatados em folhas brancas
Onde voa livre o pensamento preso entre capas!

A liberdade de pensamento é o caminho estreito
Por entre paredes altas e portas fechadas
Procuras as chaves nas páginas arrancadas
Nas matérias não dadas…
Mas bibliotecas com pó, nos livros escondidos
Na história que não é contada,
Na radio que não é escutada,
E ai serás livre, para pensar e decidir…

Alberto Cuddel
12/04/2017 às 10:40

Longe…

Longe…

A vida corre distante, longe
Fora dos muros que me prendem
Fora da maternidade que me formata…
As paredes oprimem
A tinta dos livros, as paginas
A vontade de ir, partir
Saber e conhecer…

Ao longe a vida
Uma triste miragem
Um rebanho,
Formigas num carreiro…

Mas ler é uma maçada
Não dá que comer
E aprender não serve de nada
Nem nos ensina a viver

E eu na minha triste e longínqua ignorância
Acreditei…

Alberto Cuddel
12/04/2017
Às 10:52

Obrigado, Nasci…

Obrigado… Nasci…

Obrigado mãe por me teres parido,
Obrigado pai, pelo alimento e criação,
Obrigado a vocês por se terem amado
Obrigado por ter nascido!
Obrigado família pela educação,

Obrigado escola pelo conhecimento,
Obrigado igreja pela fé e moral,
Obrigado país pelas leis contra o mal!

Obrigado mulher por me mostrares o amor
Obrigado esposa por me teres amado
Obrigado filho pelo teu nascimento
Obrigado a vós a todo o momento!

Obrigado amigos, pelo momento de riso
Obrigado a muitos pelo ombro amigo
Obrigado amigas pelas verdades escondidas
Obrigado ao mundo por me ter suportado…

Obrigado agora a todos os que me felicitaram
Obrigado também aos que não o fizerem
Obrigado aos que se esqueceram
E também aos que nãos se lembraram…

Obrigado a ti ser especial,
Que mesmo querer me desejas algum mal,
E a ti também que só me queres bem!

Obrigado a todos os que me amam
E aos que não amam também…

Obrigado minha vida…
Pela vida que tenho…

Antonio Alberto Teixeira de Sousa

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