Era para ser o que foi…

Era para ser o que foi…

“Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.”
José Régio

deste nascimento parido em tempos frios
aconteceu o que haveria de acontecer se fizesse sol
tudo tão natural, tudo tão certo, tudo tão perto…
há nestas fome de palavra uma essência de existir
uma vontade sórdida uma sede que greta a voz
ciprestes arrancados da terra pelo lado oposto
pelas raízes como se engolidos pelo inferno
que me importa o ressentimento romano,
os estábulos, estrelas que caminham ou réis
sentados em camelos de costados doridos,
se é ao pai do menino e a sua tentação que obedeço?

há na busca da palavra certa,
no esmiuçar da consciência filosófica
uma verdade pobre, um trabalho inglório
descobrir que tudo é porque assim está certo
nasci do acaso improvável,
numa das infinitas improbabilidades que se confirmam,
tudo é acaso, apenas regido por esse destino
pela chama da existência…
porque era para ser o que foi, um acaso de sorte
entre a vida do homem ou a sua morte!

Alberto Cuddel

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