Bloqueiem-me já defeco para isso…

Um poema que necessita ser republicado!!!

Bloqueiem-me já defeco para isso…

Cansam-me essas palavras que sangram,
os poetas que dormem,
e os outros…

Não sei se chegou a hora
seja a certa ou a errada
esse punhal cravado no peito
matando o passado e doendo
como quem arranca as unhas dos dedos
palavras escancaradas ao vento…

Despi-me
primeiro a gravata,
a camisa, botão a botão
caindo no chão
depois os sapatos, as meias
e toda a roupa…
apresento-me assim, nu
de peito aberto, transparente
totalmente convencido
das verdades da minha mentira…

E assim nu, revisto-me do que sou
uma fábula, irreal, sem sonhos
apenas um desejo…
esse que me faz acordar nas noites longas de tão curtas e mudar de cama…
um desejo de ser eu mesmo,
sendo que tenho sido tantos,
agora serei apenas eu…
eu homem, eu ser humano…
sem letras, sem metáforas…
apenas eu, da forma como me conheces…

A de Alberto Sousa

Republicando

Desespero

Desespero

Foge a luz que o tempo corre,
Cai a escuridão que tudo envolve…
Nuvens negras me encobrem…
O negro carvão me devora,
Não há luz que ilumine,
O meu já tão negro pesar…

Assim te espero…
Candeia que vigia…
Que ao meu encontro venhas…
Que um dia me venhas salvar…

Alberto Cuddel
14/09/2013

Sonho de amor

Sonho de amor

Pela mão conduzes-me ao sonho
Encontro em ti a direcção, descubro
Salta-me do peito o coração, encubro
O calor do rosto ao tocar-te, escondo!

Doce eterna aprendizagem, sob a lua
Enquanto o sol se esconde, mão na tua
Eleva-me no amor doce e terna juventude
Faz-me crer, Amor é em ti toda a virtude!

Beija-me escondido, sob o sal do mar
Caminha, junta os teus sonhos aos meus
Mudemos o mundo basta em nós acreditar!

Somos, assim o cremos namorados eternos
Não mais serão dias, serão os meus e os teus,
Sonho com o amor, carinhos doces e ternos!

Alberto Cuddel®

12/09/2018

Destemida

Destemida!

Destemida segues firme no teu desejo,
Assim persegues a imagem na ânsia do beijo,
Provocando, atiçando o inebriante louco desejo,
Esperando, desesperadamente sonhado!

Destemida te mostras, nas formas de teu corpo,
Insinuando, na longa espera fazendo-me louco,
No sussurro da voz, no quente e ardente sentir,
No manter acesa a vontade de pegar e partir!
De um mundo de sonhos de onde quero emergir!

Destemida te mostras, onde te encontras?

Alberto Cuddel

Noite eterna!

Noite Eterna

Por fim ela chega sem aviso….
Num momento….
Tudo se apaga…
Para a eternidade…
Noite Eterna….
Sem o mais ténue sinal de luz…
Apenas escuridão….

Alberto Cuddel
13/09/2013

Gaiola, Liberdade Imposta!

Gaiola, Liberdade Imposta!

Acordas de manha,
Em sobressalto, algo mudou,
As grades que te prendiam desapareceram,

O tecto, a porta, tudo desapareceu,
A medo abres as asas, ensaias um voo…
Te retrais, tens medo…
Num rasgo de coragem,
Lanças-te,
No espaço rumo ao desconhecido…

Rumar a onde?
Depois de tanto tempo ali viver,
Que fazer?
Voa sem sentido,
Sem rumo,
Tentando absorver o mais possível,
De essa visão, de essa sensação…

É tarde…
A luz que a liberdade iluminava esbate-se no horizonte…
Descansas no topo de uma qualquer arvore,
Olhas em volta,
Tanta carne se junta na ocultação da noite…
E tu agora sem fome…

Sentes um vazio…
Um calafrio…
Pensas no conforto da gaiola…
No carinho, nas palavras,
Na comida, no conforto…
Na felicidade que ali sentias…
Porquê?
Fui eu que escolhi entrar na gaiola…
Porquê?
Dar-me algo que eu não queria…

Acordas só…
Isolado,
Sem vontade de voar…
E sim!
Posso sempre voltar…
Mas a gaiola se encontra fechada,
Sem portas ou janelas,
Definhas…
Não acreditas…
Isolas-te a um canto,
Porquê? Me quiseram fora?
Quão feliz fora eu na gaiola….

Alberto Cuddel
13/09/2013

A queda

A queda

Uma imagem,
Um sussurro,
Uma palavra,
Um sopro…
E o castelo de cartas se desmorona…
Construído e edificado na fragilidade humana…
Recomeço,
Do nada,
Mãos frágeis e tremulas,
Novamente o levantam…
Carta a carta…
Palavra a palavra….

Alberto Cuddel
12/09/2013

Fim de tarde! Nova Vida!

Fim de tarde! Nova Vida!

Fica o aroma no ar,
O constante rebentar,
Das ondas na branca areia,
A brisa no meu rosto,
Relembrando teu sopro,
Pensamentos soltos,
Livres a cada movimento,
A cada deslumbramento,
Num vai e vem constante!

A luz ténue do fim de tarde,
O barulho da cidade,
O arrepio frio que sinto,
Me lembram de novo,
O porque do mar,
O porque da Saudade!

Assim me quero, espero…
Vivendo apenas dentro de mim,
Nas memorias,
Vasculho o intimo do meu ser,
O porque de assim ser,
O porque de baralhar,
Para de novo dar?
Porque não mudar?
O que mudar?

Por quem?
Por ti que tudo criaste,
Por ti que a todos Amaste,
Por ti que todos batizaste,
Por ti que por todos Morreste!

Alberto Cuddel
11/09/2013

Actualidade

Actualidade

Tempos incertos se vivem,
Tempos de agir,
Tempos de reflectir,
Tempos de mudança,
Tempos em que perdida está a confiança,
Tempo de parar e mudar,
Pela forte tempestade que se aproxima,
Pela escuridão moral que se abate,
Sinais distantes,
Sinos a rebate,
Se abandona a imobilidade,
Do constante conforto consumista,
De quem intriguista nos desvia,
Do rumo da esperança,
Do sonho de criança!

Começar de novo?
Coragem que falta,
Abandonar preconceitos
Tabus e preconceitos,
Pensar novo,
Criar novo ideal,
Podemos mesmo mudar?

Onde erramos?
Existiram culpados?
Sim, todos nós que não mudamos,
Todos nos que seguimos nossos amos,
Sem questionar,
Sem pestanejar,
Sem reclamar,
E agora?

Sim, não parar!
Temos mesmo que mudar!

Alberto Cuddel
01/09/2013

As Noites

As Noites

Que nas sombras escondem pensamentos,
As luzes da cidade iluminam sentimentos,
Gatos pardos miam no abandono,
Cães abandonados procuram dono,
Se ouve um surdo silencio,

Que nos inquieta a alma,
Pelo medo da nostálgica solidão,
De mais uma noite sozinho passar.

Percorro ruas e vielas,
Tentando me encontrar,
Pois a ti procuro,
A cada esquina,
A cada janela,
A cada viela,
A cada lugar,
Mas porque te busco luar?
Quando levantando o olhar,
Te posso encontrar!

Noites escuras, sem luar,
Sem que mas venhas iluminar,
Fico apenas,
Porque não ficar,
Com o meu barulhento pensar?

Alberto Cuddel
28/08/2013

O teu desejo

O teu desejo

Aparta-me a alma
Nesta camisa que se abre ao teu desejo,
Percorre-me o peito, desnuda-me
Sente o calor do coração nas tuas mãos

Aparta-me a alma
Beija-me, desnuda-me o corpo
Entre as palavras sãs
E os quereres que se desenham nos dedos
Despe-me a alma no teu sentir

Aparta-me a alma
Sacia a tua sede
Essa fome de mim que te consome
Arremata-me, adquire-me a nudez
Faz-me teu, definitivamente teu…

Aparta-me a alma
Despoja-me das vestes
Das metáforas e hipérboles
Rasga-me e desnuda-me na pressa de me teres
Lê-me definitivamente a fome
Esse querer de ser em ti
Abre-me o peito, neste amor que me condena
Sente-me nas mãos o pulsar do desejo
Esta força de ser mar
Esta vontade de ser rio e céu
Esta vontade de lua iluminando as estrelas

Aparta-me a alma
Beija-me, desnuda-me o corpo
Aparta-me a camisa aberta de par em par
E sente no teu peito o meu peito nu…

Tiago Paixão
07/09/2019

Tomada de consciência.

Tomada de consciência.

Voltas a olhar o infinito,
Distante e comprometido,
Condicionado e decidido,
A mudar,
A alterar,
A diferente fazer,
A diferente viver,
Ideias ressoam como trovões,
Palavras fortes,
Directrizes,
Consciente do que diferente pode ser,
De que em seu universo pode fazer,
Para que possa mudar!

Alberto Cuddel
24/08/2013

Noites de verão

Noites de verão

Voltam noites de burburinho,
De quem não dormindo,
Sai sozinho ao caminho,
Deixando atrás o seu cantinho.

Seres nocturnos se acomodam,
Nos bancos livres repousam,

Ao sons de grilos e cigarras,
Que nos prendem em suas asas.

Na esplanada apinhada,
Sai mais uma “mine” gelada,
A refrescar a garganta,
Da conversa que ressalta,
Em palavras vazias,
Despidas das partilhas,
Do vivemos nestes dias.

Voltas a casa cheio,
De pensamentos vazios,
Ao leito abandonado,
Que se encontra refrescado,
Com a ausência dos corpos,
Que lá tinham rebolado.

Voltas a olhar,
O infinito luar,
E ficas a pensar,
Se vale a pena,
Com este calor deitar….

Alberto Cuddel
24/07/2013

Momentos de felicidade

Momentos de felicidade

Na vida tudo são instantes,
De alegrias ou tristezas,
Meros momentos constantes,
De grandes e profundas certezas!

Procuramos a felicidade,
Numa pétala de flor,
Num toque,
Num carinho,
Num momento de amor,
No templo em solidão,
Sozinho em reflexão,
Prostrado em oração,
Mas, e há sempre um mas,
A felicidade só é plena,
Se partilhada,
Se recordada,
Se sentida,
Com quem ama!

Momentos,
Que nos vão enchendo o coração,
Como remendos de mil cores,
Cada um com seus sabores,
Com seus cheiros e odores…
Sons, sentimentos, partilhas,
Chegadas e partidas,
E assim, recordando podemos,
Juntos afirmar,
Que somos felizes por Amar…

Alberto Cuddel
15/07/2013

Supérfluo

Joana Vala

Supérfluo

É o medo da espera que nunca chega
Dessa chegada sem vida na mortandade do corpo
Amontoado molecular de matéria orgânica sem desejo
Espero-me como se te esperasse eternamente
Numa paixão que te abandonou
Eu que só desejei ser amada
Ser possuída com fulgor e paixão
E não raramente usada, para um alívio mecânico e orgânico
De um corpo que já desconheço…
Nunca desejei muito
Numa esperei muito
Apenas que me amasses…
Mesmo sem qualquer romantismo…

05/09/2019

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