Dispo-me, para que me vejam…

Cansam-me essas palavras que sangram,
os poetas que dormem,
e os outros…

Não sei se chegou a hora
seja a certa ou a errada
esse punhal cravado no peito
matando o passado e doendo
como quem arranca as unhas dos dedos
palavras escancaradas ao vento…

Despi-me
primeiro a gravata,
a camisa, botão a botão
caindo no chão
depois os sapatos, as meias
e toda a roupa…
apresento-me assim, nu
de peito aberto, transparente
totalmente convencido
das verdades da minha mentira…

E assim nu, resvisto-me do que sou
uma fábula, irreal, sem sonhos
apenas um desejo…
esse que me faz acordar nas noites longas de tão curtas e mudar de cama…
um desejo de ser eu mesmo,
sendo que tenho sido tantos,
agora serei apenas eu…
eu homem, eu ser humano…
sem letras, sem metáforas…
apenas eu, da forma como me conheces…

A de Alberto Sousa

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