Um tédio

Um tédio

O tédio é talvez esse casco que navega à deriva no Tejo, um pensamento contra a corrente, arte suprema da frustração da alma, uma desolação que inquieta como se as preces de ontem, fossem lançadas à cinza…

há em vós uma inconstância no olhar
um brilho intrigante, granítico
uma expressão singular de … normalidade!

há uma vergonha que paira aqui, onde fico quieto…
como se as burlescas metáforas em tons escarlates
jamais vos pudessem conduzir aos orgasmos
excitação almiscarada que se emana dos corpos nus
ainda que vestidos estejam os olhos de pudor
há um não sei que não… não combina com o lugar…

há um tédio, uma vontade de alguma coisa que não sei bem
um sair por aí, ou apenas ficar, aqui, assim, neste lugar
olhando os barcos e os pássaros, enquanto não chega
enquanto não chegas, enquanto não chegamos a algum lugar…

Alberto Cuddel
27/04/2019

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