Poema XLII

Poema XLII

“olho os sonhos que passam em branco algodão
solas cansadas em quilómetros de chão”

conto os dias que faltam para amanhã
nesse amanhã que será depois, depois da véspera
deito-me onde outros se revoltam, desses que dizem coisas
mas nunca as fazem, os papeis continuam no chão
as ervas por cortar, vejo e nada faço, nada digo…
não sou melhor ou pior, não sou da vida mendigo…

suportam-me as tábuas os costados
mas por cansaço, não por desleixo
mas não tenho porque ir nesta hora
apenas fico olhando céu que passa…

há qualquer coisa de filosófico neste estar
eu quedo, e tudo á minha volta
mexe, cresce, move, morre
permito-me estar, ver a vida
olhando para o ar…
no fundo não há outro prazer para alem de sentir,
nem esse olhar doente e distante onde se decompõem os pensamentos
há um que de heróico nesta coragem de deitar
um espera enquanto a fome da vida não me voltar a dominar…
espero, espero, espero
fico a ver o mundo lá cima girar…

Alberto Cuddel
15/04/2019

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