Às vezes…

Às vezes…

Às vezes sem que o espere, mesmo que deva esperá-lo, o ar enrola-se na garanta na esperança do beijo, ainda que ele se demore na abstinência do tempo que separa o querer da vontade, em distâncias cabais. Às vezes toma-me esta dor física que me dói sem ti, come-me o corpo em tragos longos a falta que sinto da tua alma, desse calor que me abraça em lábios finos.

Às vezes, diante da banalidade de outras coisas tão necessárias e tão supérfluas, abandono-te, absorvido pelos problemas do dia-a-dia, e deixo-te à espera, como se esperasses a eternidade da chegada, mesmo que nesse espaço eu não cruze a porta da felicidade. E eu, militante do teu ser, perco-me em mim e nos problemas do mundo, quase esquecendo quem sou, homem, eterna criança que deambula em busca da solução de problemas imaginários, e tão reais a vida corrente.

Às vezes caio em mim, na minha condição de homem incapaz de resolver o mundo, incapaz de te resolver, de te ser e de te estar, e depois, sem que o espere, beijo-te, e o mundo acaba ali, diante de nós, como se tudo morresse nesse encontro ao dobrar a esquina do quarto, esse com vista para o céu, onde as estrelas forram a nossa vontade de viver, sempre, sem tempo ou futuro, apenas agora, e agora é todo o nosso sempre.

Às vezes adormeço na falta de descanso, e sonho-nos, antes de acordar, outras acordo bem antes de nos sonhar, e sei-te aqui, deitada ao meu lado…

Alberto Cuddel
22/11/2018
Marvila, Portugal

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