Em quase dias perfeitos…

Em quase dias perfeitos…

Em quase dias perfeitos, mesmo que chova, mesmo que os céus carregados não deixem ver o sol, mesmo que os ventos varram as ruas, que a folhas voem e os pássaros se encolham e abriguem, mesmo que apenas o som da chuva da vidraça quebre o silêncio da respiração, em quase dias perfeitos amamo-nos, como se hoje fosse sempre e o amanhã não possuísse significado.
Em quase dias perfeitos entregamo-nos, doamos a alma um ao outro, existimos sem tempo, sem distância, ali ao alcance da mão, ao alcance do peito, nessa esperança que o tempo se anule, e o impossível de agora seja apenas agora, na possibilidade de o sonho ser a realidade do depois.
Que venha as horas e os corpos, que venham os desejos, os beijos, as vontades, as paixões, que venham as loucuras de ver a água escorrer, de ver chover em nós, na volúpia desse querer que nos arrebata, que venham os abraços e olhares, as loucuras milenares, que venham as noites, as estrelas, o ver nascer do dia, que se incendeiem lareiras no peito, tochas nos olhos, que ardam as mãos no querer.
Em quase dias perfeitos, vivemos,
Em quase dias perfeitos, amamos,
E nos outros também…

Alberto Cuddel
11/11/2018
Marvila, Portugal

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