Ladram as gentes que vem cão

Ladram as gentes que vem cão

E os gatos em telhado de zinco
Eu sem dormir até o trinco

Vão e vem as noites pela avenida
Depois do terceiro andar
Ainda ninguém dormia,
Quase meia-noite, antes da noite meia!

Não há sombras na parede
Nem luz que o alumie
Ladra o cão sem gente
A gente rosna a solidão

Sono maldito, insónias do tempo
Nas voltas da madrugada
Neste silêncio de nada
Rezam o terço as beatificadas
Desse rosário de ladainha
 – Estou só, assim sozinha.
 – Tenho frio, junta-te a mim?

E corro ladeira abaixo
Desse tempo sem Constança
Não há luxuria que me valha
Corro, corro, do medo dos canídeos
Portas que batem, luzes que se acendem
Maridos acordados, fumo nos telhados
Ladram as gentes que vem cão,
As cadelas estão no cio…

Alberto Cuddel
03/11/2018
Marvila, Portugal

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