Foi por mim, ou não

Foi por mim, ou não…

Sim, foi por mim que gemi
Ao escrever as linhas de vida
E outras que senti…
Mesmo as que cegamente fingi…

Nem na tinta amarelecida
Nem em gaveta profunda
Gritei tanto em silêncio
Como no dia em que morri…
E morro tantas vezes em ti…

Compreendi que o infinito do verso
Está escondido por detrás desse olhar
Na interrogação interposta ao significado
Que nunca lhe quis dar,
Ainda que dobrem os sinos…

Em todos os gestos que sonhei
Nos que escrevi e desenhei
Nunca me despi no poema
Nunca nasci ou me pus no horizonte
Sem luz… carvão apagado do ser…

Nem um vale sem rio
Um rio sem água
Um jardim sem flores
Um oásis sem água
Um deserto sem dunas
Um poema sem versos
Nada me saciará esta fome…
Esta vontade inconsolável
De expirar letras como uma alergia…
Como um vómito literário mal condimentado…

Por mim, respiro
Como quem escreve poemas
Sem pensar…

Alberto Cuddel
13/03/2018
02:07

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