Poema do dia 31/07/2018

Poema do dia 31/07/2018

Escorreguei vagarosamente para fora da folha,
Verde, viçosa, alinhada, pautada, vazia…
Escorreguei e fui poesia, fui vida…

Fui vida escorrida nas noites e calçadas
Nos prometidos sonhos de mãos nos bolsos
Na atribuição decorativa deste estado de alma
Percorro a vida em rimas de olhares,
Como uma existência de mim, neste amor…

Neste desprendimento de caminhar
Num qualquer sentido errado
Certo que amo, sem perceber porquê
Nem as nuvens do céu, ou as algas do mar,
Encobrem de mim, o azul do teu olhar…

Flui para fora dos versos, das estrofes
Rimei nos teus lábios, os beijos…

Amei-te, amo-te, nesta poesia que oculto
Fui, porque sou… onde não nos escrevo…

Alberto Cuddel
31/07/2018
20:15

O (ser) Ferroviário.

Reflexão porque eles também pensam e sentem…

O (ser) Ferroviário.

Antes de qualquer outra consideração ser ferroviário é diferente de trabalhar na ferrovia. Ser ferroviário é em si mesmo um acto de amor no sofrimento.

Seja na área de circulação, manutenção ou sinalização, ser ferroviário é aceitar a responsabilidade de ter nas mãos a vida de centenas de pessoas, é saber abdicar com um sorriso nos lábios, de parte da sua vida familiar, abdicar dos almoços com amigos, dos jogos de fim-de-semana, dos natais em família, dos feriados, dos passeios de domingo. É abdicar do acompanhamento do crescimento dos filhos, passar semanas longe de casa, em despedidas intermináveis, na incerteza do regresso, é trabalhar em horários incertos, sem grandes planos para depois de amanhã.

Ser ferroviário é saber dar o melhor de si, mesmo quando a vida nos decepciona, mesmo no sofrimento da perda, no calor dos dias, de uma noite mal dormida, de um dia sem descanso, é saber estar presente pelo dever, por saber que outros de si dependem. É saber ser criticado, mal-amado pela sociedade, quando em situação de conflito, por acidente, incêndio ou delito, o comboio não anda, não chega, não inicia… é ser olhado de lado por ser empregado do “estado”, com todas as regras e deveres do privado, é ser enxovalhado por fazer greve, pedindo condições de trabalho, e um pouco mais de ordenado, mesmo que a família não tenha aguentado esta vida, e ele: sozinho, deprimido, triste e cansado, continue sorrindo, trabalhando, e os outros reclamando…

Ser ferroviário é encontrar nos colegas a família, encontrar no trabalho uma outra vida, carregando nas mãos a vida de tantos, que desconhecem quem os suporta…
Mais que um trabalho, um emprego ou profissão, ser ferroviária é um acto de amor, de paixão!

(Alberto Cuddel)
António Alberto Sousa

Regresso!

Regresso!

No sufismo que te abraça nas manhãs de nevoeiro,
Frio e gélido acordar para a vida, tudo lá fora…

Tudo lá fora espera-te, tudo lá fora te cobra!
Por onde andas musa minha de meus versos?
Onde te escondes, em que longínquos universos,
Laivos e rasgos, inspiração destemida,
Arrojado nas palavras, imaginação sem medida,
Sinto tua ausência, neste novo acordar,
Sinto-me despido, desnudo no querer,
Solitário e gélido leito, despido de ti,
Fuga ao mundo que assim o senti,
Letras e palavras arremessadas de raiva,
Por querer escrever de forma evasiva,
Palavras, soltas nesta manhã,
Que voam pelo imaginário divã,
Nevoeiro que se dissipa,
Sol que ilumina, os jardins,
Sorriso na volta, no olhar a brilhar,
Apenas espero o teu regressar!

Alberto Cuddel

Mascaro-me…

Mascaro-me…

Mascaro-me de uma terceira pessoa
Parecendo ser o que realmente sou
Um ponto de interrogação, incógnita!
Procuro-te entre os intervalos do tempo
Entre um passado e um futuro incerto
Nesta fome interrompida dos beijos
Onde nasceram nas palavras desejos!
Escondo-me nas personagens que invento
Despindo a alma de todo o vão intento
Alavancando o querer, na dúbia arte de dizer…
Dizendo calado o que sempre irás saber…
Proclamo no corpo os desejos da alma
Inebrio-me ao pensar-te, quero-te
Como se querer avidamente alguém
Na vontade e desejo de me fazer em ti…

Neste limbo absoluto em que sonho
Nele me faço no teu corpo, percorrendo beijos
Nele sonho o calor da pele, o movimento
O calor dos lábios, o teu cheiro…
A pressão do teu corpo contra o meu
O calor do desejo… e sabes-me…
Sei que me sabes, conheces-me
Não por detrás da mascara
Mas a alma, essa que perscrutas distante…
Cada vontade, cada pensamento libidinoso
Cada insinuação subtil… cada beijo prometido…
A mascara, não tem segredos, não para ti…

Quero-te, como se querer alguém…
Nesta loucura de vida em que a eternidade é agora…
Mascaro-me completamente despido…

Tiago Paixão
30/07/2018
20:26
Foto de Rute Pio Lopes

Poema do dia 30/07/2018

Poema do dia 30/07/2018

Frases de palavra redondas
Rectas, círculos, matemática da vida…
Seguimos caminhos paralelos sem destino,
Cruzados e entrelaçados,
Liberdade individual,
Vidas sofridas saudosas
Busca de momentos efémeros,
Correndo atalhos, fazendo desvios,
Pisando e maltratando,
Rasgando o sentir alheio
A natureza envolvente, essa que se ama
Por não ser gente, distante…
Deixa cair, espalhando semente,
Seguindo ventos em rumo…
Um porto seguro? Um abrigo?
Consciência de uma companhia…
Ora correndo, ora parando,
Calcorreamos os caminhos da vida,
Marcando e remarcando os caminhos do ambiente…
E tantas outras vezes, apenas seguimos uma multidão de gente…
Sem rumo, apenas pelo vento, numa vida sem perfume…

Aridez do corpo, onde nada brota de natural
Consumo instantâneo, entre o verde e o dourado
Apenas a sede… essa que me consome a alma…

Alberto Cuddel
30/07/2018
15:15

Luz,

Luz,

Transporto em mim a luz dos teus dias,
Sou, pois assim mo pediste, o farol,
O guia na noite escura,
Asas do sonhos, branco acordar,
Chama que nos mantém os dias,
Em mim confiada, Senhora do tudo,
Na ilusão do tudo ser nada!

Alberto Cuddel

Quarto

Quarto

Na janela do meu solitário quarto iluminado,
Cantam pássaros a solitária canção do acordar,
Parapeito da saudade, no assim ter despertado,
No leito vazio, outrora ocupado, acto de amar!

Há, vontade de aqui ficar aninhada no teu calor,
Saudade da copiosa forma de teu corpo em mim,
Querer, vontade, alma minha entregue no teu odor,
Lençóis suados bem amarrotado neste mar carmim!

Que dor esta da saudade, onde o querer me faz voar,
Perdendo noção do tempo, aninhada no teu leito,
Recostada no calor do teu peito onde me vejo sonhar.

Sol que me aquece a alma nos quentes raios de luz,
No som envolvente da tua excitante e quente voz,
Que nos bons dias, não alivia da triste saudade a cruz!

Alberto Cuddel

Poema do dia 29/07/2017

Poema do dia 29/07/2017

Olhar acetinado pousado nas estrelas
Nessa luz quente que ilumina esquinas
Pudesse eu entretê-las, mergulhar nelas
Em madrugadas alvas e vespertinas…

Corresse eu em cidades vazias procurando jardins,
Montes e colinas floridas na alegria, árvores de ramos agitados
Braços abertos, no acolhimento dos dias…
Nesta relva que piso, sinto o mundo,
Sinto-te, solto, livre, espirito vagabundo…

Aremos a vida, semeando novos dias
Uma palavra, um encontro, o silencio de um abraço,
Amizade, celebração do cansaço…

Bailemos, nas mãos que se entregam
Na solenidade da celebração
És solidariamente uníssono…
Um coração que bate com o meu… 

Olhar acetinado pousado nas estrelas
Nessa luz quente que ilumina esquinas
Pudesse eu entretê-las, mergulhar nelas
Em madrugadas alvas e vespertinas…
Encontrando em todo de ti um amigo
Alguém que levo na vida comigo…

Alberto Cuddel
29/07/2018
19:05

Hoje, agora, amanhã e sempre!

Hoje, agora, amanhã e sempre!

Beija-me, beija-me
Intensamente e imediatamente
Beija-me, como em todos os beijos
Ama-me nos lábios, na entrega
Beija-me…

Que não o peça nem o mendigue
Beija-me…
Desnuda-me o desejo a cada hora
Que o sempre seja agora…

Beija-me…
A cada momento, a cada partida
A cada chegada, a cada despedida…
Beija-me…

Beija-me como acto de amor,
Beija-me para abrandar a dor
Que me cobre o peito
Nesta saudade que sinto
Neste louco efeito
Que no beijo eu pinto…

Beija-me, abraça-me na língua
Declama nos lábios o desejo que sinto…
Beija-me…
Hoje, agora, amanhã e sempre!
Beija-me para que eu acredite
Que não és um sonho
Uma mera Afrodite…
Beija-me…

Tiago Paixão
28/07/2018
19:40

Terceiro(a)

Terceiro(a)

Pela terceira vez cais por terra,
Logo simão corre em teu auxilio,
Também eu cai, uma e outra vez,
Tentações dos caminhos da vida,
A cada uma delas ajudaste-me a levantar,
A cada uma delas ofereceste-te a perdoar,
Nunca me abandonaste, sempre a meu lado,
Hoje me dedico apenas a ti,
Por amor vi teus olhos molhados,
O teu sofrimento, tua dor,
Permaneceste fiel a esse amor,
Sem nunca me teres abandonado,
Por sempre me teres amado!

Alberto Cuddel

Poema do dia 28/07/2018

Poema do dia 28/07/2018

Duvido e divido o que sei e imagino
Por um lado sou tudo o que sou,
Por outro o que me imagino e esqueço…

Nestes vales agitados pelos ventos
Montanhas altas e trespassáveis
Folhagem agitada pela ilusão
Consumida, fogo ardente do Verão

De uma religiosa forma amo, ventos
E verdes, azuis e cinzas, naturalmente
As nuvens que passam, esvoaçam brancas
Asas que me levam, sonhos que me abraçam!

E corro solto em noites vazias
Cheias de tudo e de nada, palavra
Gemem os espíritos vadios, saudade
Um acordar abraçado pelos lençóis…

Entre o mistério da sombra, rubros olhares
Corpos quentes que se misturam, dia, noite…
Revisitam os mistérios naturais do desejo
Ante o crepúsculo pecaminoso do querer…
Distantes… apenas sombrios…

Duvido certamente da noite
Da carência do ter, em que nada é
O sol apenas aquece, dando vida
Iluminado a alma sombria
No regresso o que lembro, o que me faço…
Amarrotando os sonhos que desfaço…

Duvido e divido o que sei e imagino
Por um lado sou tudo o que sou,
Por outro o que me imagino e esqueço…

Alberto Cuddel
28/07/2018
17:55

Constatação

Constatação:

A leitura é mais um dos prazeres que se pode alcançar na mais modesta solidão!

Tiago Paixão

Poema do dia 27/07/2018

Poema do dia 27/07/2018

A luz que pela janela entra,
A gélida brisa que arrepia,
A noite suave bem dormida,
Doce acordar, novo despertar!

Num errante abrir de olhos,
Um mundo diferente e igual,
Uma rotina, monotonia,
Mesmas frases, mesmos gestos…
Um mesmo caminho…
Sem pressa, devagarinho
Todos temos um mesmo destino…

Alberto Cuddel
27/07/2018
15:05

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