Pensamento

Pensamento

Penso de mais
Provavelmente penso cerebralmente
Numa lógica constante nada emotiva
Poderia deixar de pesar com a cabeça
Deixar falar o coração, ser emoção
Ser superficialmente pensante
De um errante pensar,
-Mulher?
Não, esse ser magnífico conjuga
A emotividade do coração
Com a frieza calculista do pensar
Um verdadeiro emaranhado de certezas
De hipóteses certas e derradeiras consequências,
A verdade?
Tantas vezes negada a pés juntos,
A verdade, é que ela, a mulher,
É simplesmente um ser de elevado
Pensamento…

Alberto Cuddel
Livro Aberto – Ana Coelho/Autor Publica – 2017 – ISBN 978-989-691-618-3

Amemos…

Amemos…

Amemos a fúria do momento e a posse
A penetração dos corpos e o desnudar da alma
A entrega absoluta apenas pelo prazer
Puramente dás-te, entregas-te…

Amemos…
Não com a distância ou opressão
Não com a arrogância ou servidão
Apenas no desnudar dos desejos
Na volúpia declarada dos beijos…

Amemos…
A negritude e pureza do momento
A violência deste outro segmento
A entrega, o prazer orgasmico de pertencer
A fúria louca de saber, tudo, apenas viver…

Amemos…
Não o sexo, não o corpo, não a boca
As pernas, o busto, mas a alma
Que se entrega, ali, despida de tudo
Apenas pelo orgulho de se entregar…
Sem pudores ou entraves, amar…

Tiago Paixão
18/06/2018
12:30

Poema do dia 18/06/2018

Poema do dia 18/06/2018

Percorri a saudade do teu corpo, em laços de cetim rubros, tudo o que tinha, sem nunca sonhar apenas o amanhã… A vida extingue-se a cada olhar que desviamos, a cada amor que deixamos de sentir nos momentos de pausa…

Mora em mim um outro mar, um rio salgado que me escorre na face, um glaciar gelado plantado no peito, escadas que descem, que sobem, fontes, palmeiras altas e amores-perfeitos! Paredes que me oprimem, espremem, nas escadas que subo na noite, carrego na mão o doce calor do perfume da tua pele, memoria dos dias? No coração apenas saudade, vagueio em mim, por estradas apinhadas de gente!
Eu plenamente cheio da ausência que deixaste e que me preenche as ausências… o Amor é fonte perfeita que me alimenta as faltas e carências, o corpo é vaga quente que me preenche a alma… num espírito que vagueia solto…

Soubesse o mundo, a dor que carrego em cada passo, o pesar que meu coração transporta a cada centímetro a que me distancio de ti, a tristeza que me jorra da alma, e jamais nos separariam, jamais nos obrigariam a ausentar-nos de nós próprios. Conhecesse o mundo poder do amor que nos congrega, e jamais nos amputariam um do outro nas noites gélidas de Inverno, como margens afastadas de um mesmo ribeiro onde corre a vida! Soubessem eles o que é o amor, e aplacariam a dor que nossos corpos consome… corroendo por dentro a carne, pedras… um coração que se extingue por entre fogos negros que me queima a alma… o Tempo corrói…

Alberto Cuddel
18/06/2018
19:10

Que seja amor…

Que seja amor…

Que me leve o sopro colina abaixo
Pelo amor contido d’alma gloriosa
Como rosa, jardim onde me encaixo
No corpo, dama honrada e formosa!

Amor belo e inocente, canta o poeta
Na mente encolhe e recolhe palavra
Erudita e bela, no desejo que esconde
Encapotado, sentir da “alma”
Corpo que fervilha pela visão da dama,
Que embuste de nobres intentos,
Sonho de uma noite possuído no leito!

Mas que seja amor o que a carne clama
Que seja de dor o grito da alma,
Na saudade que aperta ao senti-lo distante
Que seja amor, o que te cresce no ventre…

Alberto Cuddel
Livro Aberto – Ana Coelho/Autor Publica – 2017 – ISBN 978-989-691-618-3

Poema do dia 17/06/2018

Poema do dia 17/06/2018

Inundado da tua paz,
Neste silêncio que me enche
És tu Sol, que me crias os dias
Nesta vida que me preenche…

Sopro velado da palavra, eco da alma, riscando noites, passos elevados, tapete de veludo, a teus pés me prostro, a teus pés me faço pecador, a teus pés sou pequeno…
Neste perdão implorado, não há culpa solteira, não há servidão, apenas humano me sinto, verme dos humanos desejos aquecidos no coração…

Rodam vidas nos montes, desta energia que não pára, flicto os joelhos e sento-me imóvel, olhado a vida que passa, tudo parado aqui, entre um adeus e um depois, tudo mora ao lado, amanhã ou depois… entre um perdão e absolvição dos dias…

Inundado da tua paz,
Neste silêncio que me enche
És tu Sol, que me crias os dias
Nesta vida que me preenche…
Sendo tudo agora, depois de ter sido nada,
Apenas saudade e memória…
De um tempo que sonhei…

Alberto Cuddel
17/06/2018
22:56

Não me negues

Não me negues

Que jamais me negues o que nunca pedi
Na delonga da vida que ainda demora
Não esqueço o que nunca vivi, o que sonhei,
Talvez, apenas talvez possam voltar a florir
As flores que nunca viram o sol, mas no calor
Crescem… (talvez seja isto esperança)!

O amanhã é uma mera alucinação do sonho
Uma viagem onde a esperança ponho
Ainda que assim me digas não, não me negues
O que me resta de mim… O sonho…

Alberto Cuddel
Livro Aberto – Ana Coelho/Autor Publica – 2017 – ISBN 978-989-691-618-3

Poema do dia 16/06/2018

Poema do dia 16/06/2018

Nos três degraus primeiros
Depois dos sujos outros dois
Faltavam apenas os cimeiros
Para chegar ao depois…

Escorrem artes pela língua afiada, do amor, da saudade, não me resta quase nada, no corpo? Apenas dor e cansaço, nem a visão da tua alma despida me desperta desta letargia a que me devoto… corro como quem caminha, sem destino, os sonhos, morreram na concretização… a alma apenas espera, sem esperança, que os dias se sucedam até ao fim…

Deixei de ser capaz de dançar, eu que nunca dancei na chuva da tarde, tão pouco amei, ou arrisquei a saudade, deixei que o corpo morresse na exaustão das ideias, dos textos e palavras pintadas de amor… desenhei o sol na borda da folha, talvez a luz me inquiete o depois, talvez, talvez a alma acorde da dormência…

Nos últimos degraus
Tropeço, escorrego, caio…
O chão é frio, duro, húmido
O corpo fica, apenas ali…
Esperando que alguém o carregue…

Alberto Cuddel
16/06/2018
17:34

Arresto

Arresto

Por entre as horas do dia, solidão
Nefasto sentir que me aprisiona
Cativa teia que me enleia, prisão
Perfeita meretriz que me abona

Sopro das horas no doce sofrimento
Creia-me solto de vontade aparente
Teu, – unicamente teu. Juramento
Grade, feitiço, desejo meu imprudente

Ó minha dama, enlaçado nos teus beijos
Forjas-me a alma no sentir, perfeito
Ressaca corpo, abstinência dos desejos

Por entre a mortandade das paredes
O desprendimento do já amor feito
Fêmea minha sou peixe em tuas redes

Sírio de Andrade
Dança de Palavras – Pastelaria Studios, 2017- ISBN 978-989-999-561-1

Poema do dia 15/06/2018

Poema do dia 15/06/2018

Morri há três dias, como se morresse a cada noite, neste amor que se renova, Amo como sempre, apenas porque sim, não há melhor forma de morrer do que morrer no amor…

Assim morre o poeta,
Lenta e gratuitamente,
Na dadiva do seu ser,
Dando-se em cada palavra,
Em cada sentimento,
A cada acto, cada descrição,
Cada amor, cada paixão,
Cada visão, cada desilusão,
Vai morrendo, distribuindo seu ser…
Passando a viver em cada leitor,
Em cada ser com quem partilha,
A sua visão num acto de amor…
Assim vive o poeta,
Não pelo homem que o transporta,
Mas pelas palavras que debita,
Num outro olhar,
Num outro sentir,
Num outro ouvir,
Num acto de AMAR!

Renasço diariamente a cada beijo, por entre mortalhas suadas, nesta companhia de orvalho a cada lenta madrugada… A vida é a consciência de que: Morremos tantas vezes dentro de nós, renascendo a cada dia como um ultimo amor!…

Alberto Cuddel
15/06/2018
16:00

Versos dançantes

Versos dançantes

Dançam versos em danças fúnebres,
Dois versos à frente, um verso atrás
Um tango manchado de lágrimas…

Soltas arqueiam-se as estrofes
Sedução imposta pelo movimento
Rimas esquecidas em contratempo

Distância imposta por apóstrofes!

Rodopiam desejos, sussurros calados,
Mãos que vagueiam em corpos suados…

A dança dos dias
Imposta aos olhos
Assim distante da noite
Oculta em leitos de dor
Saudades caladas
Danças desconfiadas!

Dançam versos em danças fúnebres,
Dois versos à frente, um verso atrás
Um tango manchado de lágrimas…

Sírio de Andrade
Dança de Palavras – Pastelaria Studios, 2017- ISBN 978-989-999-561-1

 

Poema do dia 14/06/2018

Poema do dia 14/06/2018

Doem-me as rochas acoitadas pelas marés… doem-me as trovoadas caídas… o sol a rasgar a noite…. dói-me o amor e o resto, dói-me ser e existir…

A noite fechou-se sobre o doloroso leito da solidão,
veio vento barulhento, tirar-me a concentração,
o ruído das paredes da sala gemendo vazias,
clamando ser cheias pelo calor da tua voz…

Assim abandono-me perdido no tempo, navegando nas restantes memórias, momento vincados, a ferro gravados, numa chuva de Março, do cantar dos pássaros, do cheiro da pele, das tremulas mãos, do despir da alma, do toque da pele, da entrega, o beijo, o abraço!

Assim entrego-me entre um trago, mantendo no palato o sabor, memória do teu quente beijo, e o acender do cigarro, círculos disformes no ar, o fumo que se dissipa, transporta-me ao passado, aos quentes Verões, aos abraços de Inverno,
aos momentos de prazer, as discussões por nada, ao fazer as pazes na cama,
à escrita compulsiva, ao grito, ao sorriso, à melancolia da solidão, à estúpida depressão…

Para agora entre um trago e um cigarro, abandonar-me sentado, na imobilidade da quietude, que me dói no silêncio forçado, que é aqui sentado, estar vazio de ti!
Onde todas as dores me consomem, pela simples existência de ser e de dar…

Alberto Cuddel
14/06/2018
18:30

Espera!

Espera!

Quantas vezes olho apenas a porta,
Na esperança de ter sentido teu perfume,
Entre um travo e um golo da saudade em mim,
Quanto esperei que este momento não chega-se,
Que a nossa realidade sonhada se altera-se,
Agora aqui na profunda solidão do momento,
Há o momento, quantos momentos,
De loucura, de prazeres, de palavras ocas,
De consciencialização de uma parca realidade,
A que idealizava no toque suave de tua pele,
De sentimentos, de paixão, de cumplicidade,
Para agora aqui no atroz sofrimento da solidão,
Perscrutar com um outro olhar, uma nova paixão?
Não, quero apenas voltar a ver-te chegar,
Quero em teu anafado e confortável corpo sonhar!

Alberto Cuddel

Fiz-me por meus pais não me terem feito

Fiz-me por meus pais não me terem feito

Acordei um dia e fiz-me
Fiz-me poeta por encontrar nas letras
Perfumes de mil cores e pétalas abandonadas…

Fiz-me por ler e escrever em espaços vazios
Sonhos e heranças, da espera que desejo
Por ter tropeçado em versos
Escritos em linhas vazias
Ainda assim fiz-me poeta
Que me cada poema se suicida
Que a cada letra me apaixono
Quantas vezes tropeço e em queda
Estatelo-me na prosa
Desmontagem descritiva de argumentos…

Fiz-me por meus pais não me terem feito
No sonho que sonhei de mim mesmo…

Alberto Cuddel
Palavras de Cristal Volume V – Modocromia – 2018 – ISBN – 978-989-99949-9-7

Poema do dia 13/06/2018

Poema do dia 13/06/2018

Há um brilho na alma de quem me lê, não me escuta e não me vê!

A vida segue entre paredes de vidro, num amor presente e vivo, escondido no olhar, meias de lá despido de tudo, de um ontem, um hoje, um amanhã, abraços contidos e fingidos no mundo, almas que brilham ocultas no fumo…

Voava um guarda rios, e outro sem nome
Sentados em pedras polidas, outras vidas
Combalidos sem poesia, vida ou fome
Olhando as aves que voam e as partidas…

Morre o ciúme pela goela do ódio, esse que me condena a morte á clausura terrena, laivos de rimas, palavras soltas e primas, entre margaridas pisadas e amores-perfeitos combalidos em canteiros rectos… não cresciam ervas no jardim, abandonado ao sol dos dias, as noites, tristes, limpas, frias…

No abraço sem guarda
Apenas amor,
Sem vestes, mascaras,
Apenas amor, mais nada!

Há um brilho na alma de quem me lê, não me escuta e não me vê!
Porque sou, não carne de meus ossos, não som da minha voz, sou eu…
Apenas Palavra…

Alberto Cuddel
13/06/2018
19:56

Pelo teu olhar!

Pelo teu olhar!

Trago no peito o raiar de cada dia,
Trago no olhar alegria da tua vida!

És espelho do que sou,
Alma do profundo sentir,
Decisão tecida no dourado querer,
Entrelaçado de gestos perdidos no tempo,
Queres inamovíveis do teu sempre viver,
Carinhos, vontades sempre a repetir,
No cuidar, na dadiva da efémera flor,
Repito a cada dia, a aurora prometida,
Novo nascimento, nova conquista,
Nos caminhos que percorremos,
Guiados pelo eterno luar,
Do mistério carnal,
Que no une sem palavras,
Na demanda empreendida,
A cada dia, cada noite,
Pelo sempre caminho da nossa vida!

Exercício este de conquista,
Ver-me a mim pelo teu olhar,
Louco, altruísta e irrealista,
Por ti sentir a vontade de me Amar!

Alberto Cuddel

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: