Poema do Dia 19/06/2018

Poema do dia 19/06/2018

Despi a alma rasgando as vestes de amor que a cobriam, por debaixo das vestes de seda apenas culpa, a desilusão que é o acto doloroso de viver… cortei as amarras da vida, vazio do fingimento de mim mesmo, eu que nunca fui, para que os outros existissem…

Cheguei a casa, rodei a chave, abri e entrei
Sentei-me no silêncio da sala, vazio de luz
Olhei o mundo, os versos, as palavras
Os livros e as obras, não me vi, lá não estava…

Nunca fui o que tenho, a casa, o carro, a vida
Nunca fui o que fiz, a chegada ou a partida
Nunca fui o que sou, a escrita, alegria fingida
Sentei-me na sala e fiquei, cheio do meu nada…

Olhei o mundo lá fora, cheio de tudo, fingido, nunca me procurei lá, onde nunca estive ou pertenci, sempre fui apenas o que quiseram que fosse… perfeito…

Hoje despi o corpo, despi o pouco amor que me cobria, as vontades do mundo, a pressa, o ter… E sentei-me na sala, na esperança que chovesse, uma gota de agua, um pouco de cloreto de sódio… mas nada… nada resta, nem amor, nem paixão, nem esperança ou gratidão… nada, apenas dor e escuridão…

Alberto Cuddel
19/06/2018
12:41

3 thoughts on “Poema do Dia 19/06/2018

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