Poema do dia 31/05/2018

Poema do dia 31/05/2018

Dos ventos que sopram desordenando as folhas caídas no chão, há uma ordem nova que se forma no sentir alheio ao querer… longas são as noites e a vontade de te dormir… há um banco sentado junto ao rio, homens passeando a pé pelas margens, barcos que cruzam, palavras que rimam, e gaivotas que pairam, ali diante do olhar…

Nos pés a vontade de partir
Nas mãos o desenho do sorriso
Nos lábios a dadiva das palavras
Na alma a vontade de sentir…

Escorrem verbos adjectivados
Pelos longos cabelos de prata
Nada perdoa, nem o tempo, nem a chibata …
Crescem os dias, minga o tempo, o amor
As mãos calejadas, cansadas e caídas
Não escrevem, não falam…

Existem bancos sentados, pintando poesia no rio, declamando poemas em silêncio, o tempo desses que reclamam, passou… apenas recordo Maria, a tua mão sobre a minha, olhando a outra margem, um lugar a que nunca cheguei… mesmo que nunca tivesses partido, nunca eu definitivamente me entreguei, foi tu… sempre o mundo me conteve bem mais do que me dei…

Alberto Cuddel
31/05/2018
01:00

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