Poema do dia 29/05/2018

Poema do dia 29/05/2018

Aos deuses peço que me condenem, pelos sonhos do pecado cometido, corpos de árvores erguidas da húmus gélida e fria, corpos aquecidos, sol que rasgou a noite num orgasmo de vida, sob a árvore onde jaz quem foi a sombra do movimento contido, neste orvalho que pinga da vontade imperfeita de um deus!
Feliz daquele que na derradeira hora do tributo, paga, entrega, de mãos estendidas num prazer submisso, ainda que o fruto caído por terra não germine, foi, sem o ser, fonte de vida, gemida na alma…

Entregai-vos noite fora damas de além
Fúria contida na folhagem da madrugada
Um amor pelas palavras que vos nascem
Que advém das raízes, que cresce, segregada
Num entrega plena, por tudo, ou quase nada!

Crescem manhãs entre as clareiras das horas
Nos intervalos dos beijos em brisas floridas
Toques de seda, algodão, travo de amoras
Borboletas dançando em tardes tórridas
Regatos frescos, vendo as águas livres, o (a)mar
Um sonho em dias de sim, em noites de não…

Aos deuses imploro o desejo dos sonhos, pés descalços em relva molhada, um ficar, um encontro em vida perfeita, um amar em estrada estreita, um nascer de semente, um novo desabrochar para uma vida que voa, que cresce, que anda e rasteja, uma vida que seja… na vida que existe, sem leis, onde o amar é apenas perfeição e não um acto de vaidoso de posse terrena…

Alberto Cuddel
29/05/2018
03:05

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