O Estagiário

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Parte I

“… A fome que me cresce no peito
Ânsia da volúpia do prazer quero-te
Não me faças esperar…”

20:00 Chamada no intercomunicador,
– Menina Andreia?
– Sim!
– O Sr. Gustavo espera-a no carro!
– Sim, avise que já desço!
As pernas tremiam-me, nunca me tinha sentido assim, tão expectante, tão insegura, tão excitada, afinal, conhecia o Gustavo há alguns anos, apesar de achar que ele nunca me tinha visto como mulher, fui surpreendida pelo seu inusitado convite para jantar. Nunca pensei que algum dia isso pudesse acontecer, ser convidada pelo Gustavo. O Gustavo esperava-me encostado ao carro.
– Olá boa noite está linda.
– Olá, de fato?
Que frase estupida, meu Deus nem consigo articular um pensamento, Gustavo sorriu, não estava habituada a vê-lo de fato e gravata, no trabalho sempre o vi de polos. Dá-lhe um ar de galã. Depois de dois beijos, dois beijos? Está demasiado formal, acompanhou-me a porta do carro.
– Espero que goste desta noite!
– Porque não haveria de gostar Gustavo?
Não me deu resposta, fechou suavemente a porta. Fiquei acompanhando os seus passos em volta do carro.
– E vamos a onde?
– A um lugar exclusivo, que me foi aconselhado, calmo onde podemos falar à vontade sem grandes interferências, ou prefere algum outro lugar?
– Não pode ser perfeitamente, afinal o convite foi teu, surpreende-me.
Tenho as mãos a tremer, nunca me senti tão nervosa, afinal é apenas um encontro, “apenas um encontro? Porra é o Gustavo.”. Gustavo apenas de ser um estagiário em início de carreira é simplesmente o homem com mais charme de todo o escritório.
– Mas fale-me de si Andreia, tive medo que recusasse o convite.
Teve medo que recusasse? Mas existirá ali alguma mulher que lhe recusasse um convite, é que nem a Gabriela da recepção já quase nos 50 anos, que suspira cada vez que ele passa por ela.
– Antes de mais Gustavo trata-me por tu, não estamos no escritório, e como podia recusar um convite teu?
– Sabe bem porque Andreia?
Não, mas que raio é que ele estava a falar, o meu nervosismo deixa-me incapaz de raciocinar, nem mesmo a diferença de idade é assim tão significativa, são 5 ou 6 anos no máximo.
– Não, mas porque eu deveria recusar o seu convite, um jovem elegante, charmoso, educado, interessante… desejado por todas, ups…
– Realmente, tirando o facto de ser a minha tutora no escritório.
Merda, isso, como não me lembrei disso, isso até pode vir a ser um problema. Realmente, agora reflectindo bem, provavelmente não devia ter aceitado, mas aquele homem faz-me esquecer todas as responsabilidades.
– Tens razão Gustavo como não me lembrei disso, isso pode trazer-nos problemas.
– Andreia, estou plenamente consciente dos meus actos, e não se esqueça que o meu estágio acaba já na próxima terça-feira, e o relatório de avaliação já foi entregue.
Porra, o relatório, nunca mais me lembrei da porra do relatório, será que ele sabe que ainda não despachei o relatório de avaliação e isto é apenas uma forma de me influenciar?
– Sim tens razão, mas mesmo assim, pode não ser visto com bons olhos.
– Andreia, estamos a tempo de corrigir este erro, peço imensa desculpa, também não reflecti, vou leva-la a casa.
– Talvez seja melhor, adiamos este encontro até a divulgação dos resultados dos estágios.
-Sem duvida, não quero que pense que de alguma forma eu a tentem influenciar sobre nada, apenas a convidei por que sabia que a avaliação já estava entregue.
– Apenas por isso Gustavo?
– Sabe bem…
– Sabes por favor.
– Sabes bem que uma mulher como tu não me é indiferente, e que és a única com quem eu desejava sair naquele escritório.

Não sei o que pensar, será que ele queria realmente sair comigo? Não tenho forma de saber, a não ser esperar.
– Bem, andreia, chegamos.
– Sim, muito obrigada por compreenderes a minha posição.
– Claro que sim, não tenho interesse nenhum em arranjar-nos problemas, e foi bom podermos falar fora do escritório, saber que também não te sou indiferente. E não me importo de esperar mais uma semana ou duas se me prometeres que da próxima voltas aceitar.
– Sem dúvida Gustavo, ia adorar um novo convite.
– Bem já cá esta, uma boa noite e bom fim-de-semana.
– Gustavo, por minha culpa ainda não jantaste, não queres subir? Conversamos mais um pouco, posso pedir que nos levem a casa o jantar, há aqui perto um restaurante que faz entregas e a comida é óptima. Além disso existem uns assuntos que gostava de discutir contigo sobre o projecto do hotel.
– E será boa ideia? Subir contigo?
– Espera deixa-me confirmar apenas uma coisa. Sim, contorna o prédio tenho comigo a chave da garagem, escusamos de passar na portaria.
– Ok, mas para quem teve receio de ir jantar, agora queres que suba?
– Uma coisa nada tem a ver com a outra, queres jantar ou não?
– Claro que sim, de entre outras coisas…
– Não te ponha com ideias!
Meu deus, como o desejo, agora que todo o nervosismo desapareceu, apera quero-o, o meu doce moreno estagiário. Controla-te mulher, não deixes que as hormonas assumam o comando, mas como? Já vai para quatro meses desde o meu último encontro, diga-se com justiça, uma perfeita desilusão.

– Estaciona no 17, não mora ninguém nesse apartamento.
– A senhora manda…
– hummm, gostei disso…
Soltamos uma leve e maliciosa gargalhada. Mais uma vez apressa-se a abrir-me a porta, um prefeito cavalheiro. Não se vê muito disto hoje em dia.
– Qual é o piso?
– 7º Andar
– Isso dá-nos algum tempo?
– Tempo…
Antes que completasse a frase agarrou-me pela cintura puxando-me para ele e beijou-me loucamente, afastei-o irritada.

 

Continua….

Tiago Paixão

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