Poema a um homem sozinho

Obrigado amigo Vítor Costeira pela surpresa da declamação! Vale a pena escutar com atenção!

Não sendo este um dos poemas mais conhecidos do autor António Gedeão, “Poema à um homem só”, foi o escolhido por mim a reescrever no passado, não sendo eu sozinho, reescrevo-o contigo…

Poema a um Homem Sozinho

Só,
Irremediavelmente só,
Como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por ti
E ninguém te conhece.

Os que passam,
Os que te olham de lado,
Os que ainda falam:
Sai daqui…

Essa solidão desnuda,
Quer se veja, ou se tape,
Quer se peça, se despeça,
Ninguém para, a conversar…

Quem te sente, homem doente?
Ninguém nem mesmo eu,
Quem te escuta, homem que fala?
Ninguém nem mesmo eu,
Quem te ajuda, quem te mente?
Ninguém nem mesmo eu…

Dão-se esmolas, são tesouros,
Dão-se sopas e cobertores,
Dão-se roupas, e comprimidos
Mas ninguém te tira as dores,
Dão-se gritos, envergonhados,
Sem abrigo, desabrigados,
Dá-se tudo e nada tens!

Mas esse teu íntimo secreto
Que no silêncio desesperas,
Sentado enquanto esperas
Num esgotamento completo,
Este ser-se sem disfarce,
Um homem sozinho desenlace,
É teu, só teu de mais ninguém.

Alberto Cuddel

2 thoughts on “Poema a um homem sozinho

Add yours

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: