Porque natal só é quando a TV disser!

Porque natal só é quando a TV disser!

Texto escrito em 25/12/2015

O natal do dia seguinte

Hoje, nas ruas espalhados, voam papéis de embrulho, lençóis dos que ontem eram lembrados, a sopa não chega, tão poucos os restos que sobram, ontem tinham frio e solidão era cortada, pelos voluntários, ontem era natal!

Hoje os voluntários não chegam, chega a solidão e o frio, o Deus menino tem dia para nascer, no coração de pedra de muitos homens, o natal, essa doce natividade é duramente esquecida, tantas vezes apenas bonita, num circulo de amigos, então que fizeste, – “voluntariado com os Sem-abrigo”!

O natal em cada um de nós, não é apenas a boa vontade do dia, mas a vivência dos gestos silenciosos, dos gestos cegos de amor, das palavras mansas ditas ao ouvido, o natal pode ser todos os dias… ontem muitas famílias se reuniram, talvez
pela última vez do ano, quem sabe talvez também a primeira desse ano.
Lembrem-se que a família de Belém, estava só, São José, Maria e Jesus, mesmo sendo José descendente da Casa de David, estavam sozinhos, num estábulo, sem lugar na sala de visitas.

Naquele tempo como hoje existiam os marginalizados, hoje sem abrigo e arrumadores de carros, naquele tempo, pastores guardadores de gado, e foram eles os que nada tinham os primeiros a ver o Deus menino.

Muitos hoje acordam após uma grande festa de família, mas sem a consciência de que tanto podem fazer por eles e pelo mundo que os rodeia. Saibamos cada um de nós reservar tempo para os outros, para os que temos mesmo ali ao nosso lado, para as esposas, para os maridos, para os filhos, para os irmãos, para os pais, para os amigos, para Cristo, para Deus… todo esse tempo que damos, receberemos na melhor moeda, a felicidade de receber um sorriso… o maior bem não se compra, doa-se livremente para receber em dobro!

Era Bom que o natal fosse lembrado também nas TV, nas redes sociais, nos Hipermercados, nas ruas, nas casas, em todo lado, até nos corações mais adormecidos!

Alberto Cuddel

Poema do dia 30/04/2018

Poema do dia 30/04/2018

Quinze horas e dez minutos, sento-me na cadeira do costume, preta, em frente ao computador do costume, preto, com um teclado e rato preto, como de costume. Com revolta na alma, amargura nas palavras e vontade de explodir, que mal tem o sexo? Não… não tecerei longas metáforas, explicações, dissertações, citações, o sexo, não esta nas minhas palavras, mas na mente de quem as lê, (talvez seja isso que as assusta). – Eu assustar-me-ia!
Olho pela janela, no descanso que me permito entre uma palavra e a outra, penso, medito, reflicto, neste reflexo que de mim projecto. (passa mais um carro na rua, branco, sem que o condutor lhe veja a cor). A poesia não é apenas actos de amor, ou eu próprio, apenas vida, que os outros vêm passar nas linhas que de mim lêem.

São versos que carrego no regaço
Onde me dou sem cansaço
A cada doutra Primavera
Inspiração que nunca me espera!

São versos chorados, de amor,
São versos sorrisos, de dor,
São meras palavras sem significado
Entendidas no seu sentido delicado!

Olho o tempo que passa, e toda a desgraça das notícias do mundo, e eu aqui chateado, com um nada, um nada absoluto sem significado.
Entre opiniões divergentes, nada há a ser argumentado, segue a vida, seguimos todos, o longo caminho do esquecimento, esvaziando-me de toda a vã critica, de toda a coisa supérflua, de todas as palmadinhas nas costas, de tudo, para me encher de novo, levando vida a cada poema…

Hoje gritei tão silenciosamente
Que nem as paredes me ouviram
Neste grito de silêncio
Impus todo meu lamento
Um grito que se afundou
Na amargura do tempo
-lá no fundo, no fundo do peito!

Gritei, um grito abafado
Não oral, mas escrito
Nas paredes ecoou o lamento
Não acordei, dormia
Sonhei que ainda sorria
Não gritava, gemia!

Continuo a pensar
Que podia gritar
Ou até desenhar
Um grito, um lamento
Um rio, um mar…
Num papel solitário
De um caderno
Em si solidário
Com o meu
Amargo gritar!

Alberto Cuddel
30/04/2018
15:10

Choram… mas não calam

Choram… mas não calam

Sussurram dormentes os sinos,
Chorando, dobrando clamam,
Aplacam a dor sentida, vazios,
Gemendo, como quem chama!

Triste vaidade, lágrimas caídas,
Tantas verdades, outras fingidas,
Dormentes clamam, tristes caídos,
Nem aves, nem cães, gatos ouvidos!

Pesar, amargo pesar, tanto a escrever,
Tantas rimas ocultas, tanto a dizer,
No fim, apenas assim, um vazio, nada!

Levas contigo a voz, o deixas escrito
Morre o poeta, pensamento prescrito
Voz de um povo que já não se cala!

Alberto Cuddel
Palavras de Cristal IV – Modocromia – Junho 2016 – ISBN: 978-989-99500-9-2

Não és “Homem”

Não és “Homem”

Não é o peso das mãos
Tao pouco o números de copos
Que fazem de ti “Homem”…
Não são as tuas certezas
Tão pouco a tua insensibilidade
Que fazem de ti “Homem”…
Nunca foste superior
Nunca o serás
Não te vestes
Não te alimentas
Não te limpas…
Necessitas…
Nunca necessitei…
Eu amei
E tu meramente
Necessitavas…
Eu dei
Tu apenas podias receber…
O que deste de ti?
Apenas o meu sofrer
E marcas que não consigo esquecer…

#poeticamortem

Poema do dia 29/04/2018

Poema do dia 29/04/2018

Todas as minhas horas são feitas de vento
De portas que batem e janelas que se abrem
Fecham-se rimas, para que liberte o pensamento
Voando solto por divãs brancos onde divago e divirjo…

Divirjo das árvores que morrem de pé
Das andorinhas que fogem à primeira chuva
Percorro o caminho maldito mesmo na tempestade
Ainda que me aninhe no teu decote na bonança…

Há um tédio nas perguntas que fito
Nas respostas que não digo de tão conhecidas
Cruzam-se as mãos geladas sobe o peito
Coração empedrado e morto de ser amado…

Há tão poucos dispostos amar o que não viram
Não há imaginação para sonhar a beleza
Usam violentamente as mãos causando dor
Onde só deveria haver prazer… forçam amor
Esse que nunca souberam ter… ou fazer…

Nos momentos de meditação sobre mim,
O que me inquietou, perturbando as noites
Não tive nunca a certeza, nem a tenho ainda,
De que essa disposição do temperamento
Não pudesse um dia descer-me ao corpo
Levado pela vontade de sonhar a realidade
Canto de outras paragens, belas e voluntariosas
Deusas Gregas. Romanas, Amazonas…

Abrem-se e fecham-se sonhos, realidade inventadas
Paixões do nada, marés que sobem e descem
Lua cheia, ciclo feminino perfeito, fértil
Como férteis são os campos arados
Palavras do poeta que apaixonam descuidos…

Não hesito em sonhar o impossível
Banhar-me de sol na meia-noite
Ler livros que nunca foram editados
Fazer amor em ilhas desertas…
Não abdico da loucura da existência
Da consciência lúdica e mirabolante
De ser poeta, de ser poesia, viva
Vivendo ela em mim, como posso
Eu conscientemente morrer?

Alberto Cuddel
29/04/2018
02:02

Contas as horas da noite

Contas as horas da noite
 
Relógio compassadamente certo
Que nem de longe nem de perto
Marca o início do tempo já gasto
Arrastado pela vida sujo e nefasto
 
Combalido atirado a sua sorte
Preso à vida ou medo da morte
Vagueia perdido cidade sem fim
Dorme escondido banco de jardim
 
Águas gélidas do mês de Dezembro
Afastado da vida pela sua má sorte
Nem uma mão, nem sequer membro
 
Sem ajuda, auxílio, esmola ou comida
Espera quieto apenas sua triste morte
Alguém que pela mão o guie na vida!
 
Alberto Cuddel
Solstícios e equinócios- Vieira e Silva – ISBN 978-989-736-688-8

Foram tantos os dias…

Foram tantos os dias…

De todas as lagrimas que caíram
Arrependo-me de as ter vertido
As que por ti deixei sair, culpando-me
Quando não me amava, sofrendo…

O amor não suporta tudo
Nunca deve suportar,
O sofrimento, as marcas
A mentira, a violência
Hoje sei, o que antes não sabia…
Hoje amo-me, bem mais que a ti…

Foram tantos os dias em que não vivi,
Em que era tua, em que não sentia
Apanhava, chorava, dormia,
Tantas vezes violentada…

Hoje não, hoje sou amada,
Hoje amo-me… e tu?
Tu nem sequer és doente
És apenas incompetente…

#poeticamortem

Noites curtas…

Noites curtas…
Engrenagem solar, mediano embalo
Entre a luz e um crepúsculo vassalo
Anúncio urgente do que foi, será já
Passagem inevitável do ainda tempo!
Sem julgamento ou punição,
Momentos divididos em tudo iguais
Cuidadosamente armazenados
No tronco da experiência da vida!
Apogeu observo na flacidez obstinada,
Talvez amanhã um acordar dormente
O sol em si diferente, uma surpresa.
Meu sol no entanto, ainda é,
No solstício a preguiça das horas,
E os minutos perdidos, na noite
Na abstinência das luzes…
Expectativa
Dias longos aproximam-se,
Noites intensas…
Quem sabe o que está ao virar da esquina?
O tempo certo
Incerta contagem
Dias… esquecidos
Noites perdoadas
Roubadas ao sono…
Sol nordestino que me inquietas…
Vens, até que regresses…

Alberto Cuddel
Solstícios e equinócios- Vieira e Silva – ISBN 978-989-736-688-8

Reflexão, porque os homens também pensam!

Umas quantas coisas sobre mim e o facebook!

Como vos tinha relatado há pouco tinha tomado a opção de abandonar o facebook, mas claro as amizades mais próximas e as que me seguiam regularmente não acharam muita piada à coisa. Após varias mensagens, pedidos e muita insistência, lá voltei eu ao facebook, agora apostado em cumprir as “normas de conduta” texto e imagens dentro dos padrões da comunidade evitando bloqueios e dissabores. Não abri conta nova, usei uma que estava parada desde 2014, sem “amigos” ou contactos, usei o nome de Alberto Cuddel, alias já bem mais conhecido que o meu próprio, pedi algumas amizades aos já amigos, publiquei alguns poemas já publicados em livros e antologias, e tudo corria normalmente. Na semana passada partilhei lá um poema de Tiago Paixão (conteúdo erótico), com imagens “apropriadas”, depois mais um, e BOMMMMM… esse poema é partilhado 10 vezes por alguém, e de um momento para o outro passo de 107 amizades para 380… nada que já não me tivesse acontecido. O estranho foi a chuva de mensagens que se sucederam, e o que me assustou e incomodou foi o seu teor: És lindo? És casado? Moras onde? É possível conhecer-te? Bem como um conjunto de fotos de fazer inveja à revista PlayBoy. Este tipo de abordagem pode não incomodar a maioria dos homens, alias a maioria deve estar agora ou com inveja ou a insultar-me. Mas a verdade é que a maioria das perguntas incomoda-me pois as respostas são públicas, estão no perfil, onde moro, a idade, o estado civil e com quem, etc… são muito poucas as conversas inteligentes sobre o assunto de fundo a poesia. A verdade é que é comum pensar-se que só o público feminino é assediado, mas vos garanta que o assédio feminino é bem maior e mais bem mais grave. Pois em caso de rejeição agem com vingança, acontecendo coisas como: “desculpe mas não procuro companhia feminina!” Como resposta “és gay?” Ou “Não estou interessado e ter nada consigo” como resposta: “agora é tarde meu filho, já pedi amizade a tua mulher, e vou dizer que tens um caso comigo.”, e na verdade disse, a minha esposa já tinha visto todas as mensagens e simplesmente eliminou depois de a colocar no lugar. Nem todos estamos no facebook à procura de sexo!

A parte boa de tudo é que no meio de muita escória, sempre vem pessoas interessantes mesmo ligadas ao mundo da produção literária e editorial. Voltei ao facebook, em breve estou a pensar começar no blog uma rubrica nova: A minha vida no facebook com transcrição de mensagens e publicação de fotos que me enviam, sempre poderão ficar a saber os interessados onde andam as disponíveis…

 Novo perfil em: http://facebook.com/PoetaAlbertoCuddel

 António Alberto Sousa

 

Poema do dia 28/04/2018

Poema do dia 28/04/2018

Rosto da solidão

Não teria o rosto entre as mãos
Assim triste, assim calmo, assim firme
Assim tão fechado ou tão magro
Tão habilidosamente e solitariamente meu…

Não teria a porta da rua fechada
Nem o dinheiro escondido em casa de ladrões
Nem as vizinhas falariam inglês
Ou uma outra língua cantada…

Não teria o telefone cortado
A luz, a água, a televisão
Um ar escuro, frio e pesado
Se não tivesse morrido na cama
Ou alguém me tivesse visitado…

Alberto Cuddel
28/04/2018
04:47

Versos

Versos

As palavras fogem-me
Adormecem e escondem-se
Poema que já mais será escrito
Pensado, sonhado, mas interdito,
Pornograficamente desejado,
Mas por outros desdenhado
Nada direi, escreverei ou pensarei,
Remeto-me ao silencioso movimento das marés,
Letra a letra grito, banhando os pés,
Purificação lunar, poeticamente desenhada,
Por uma carcaça podre
de um corpo que definha
sob o peso dos versos
que um dia sonhou,
jamais te escreveria
como paixão
pois não amo
apenas respiro
bebo no mar
poesia!

Alberto Cuddel

Poema do dia 27/04/2018

Poema do dia 27/04/2018

Nas mãos cingidas pelo sargaço
Entre aos pés calejados pelo sal
Não há na pele alvura e mansidão
Apenas a rudez do sol e trabalho…

Corpo cansado, amansado pela fadiga
Nos sonhos a libertação da gaivota
Um barco que zarpa rumo ao amanhã
Numa terna esperança vadia e sã…

Crescem-me desejos de mar
De ser, estar, partir e não voltar
Na rudez das não, traquejo forçado
Não há cuidado, suavidade ao corpo amado…

São livres os peixes que nadam em cardume
Uma realidade dura, um terno queixume…

Alberto Cuddel
27/04/2018
04:05

Para Ti

Para Ti

O mundo, tudo de mim,
Mas de mim nem uma palavra,
Do meu silêncio nada brotava,
Nem flor, nem magia, de novo nada!
Uma certeza, um sinal, um calor,
Definitivamente amava!
Neste silêncio, amordaço-me,
Calo-me ao mundo, falo-te
apenas a doce força do abraço,
do gesto contido,
do sussurro ao ouvido!

Para ti
Um tudo delineado no sonho
Suavemente agitado nas horas
em que o sol se deita, em que o luar espreita,
nos tempos em que as alvas nuvens
correm nos céus, na suavidade da brisa
olhos que se perdem entre o cheiro da erva
e os desenhos curvilíneos o teu corpo,
sonhamos o futuro, como sonhamos
as formas da nuvens
que nos levam os pensamentos!

Alberto Cuddel
De Mim Pra Ti – Miká Penha – 2016 – ISBN: 978-989-691-499-8

 

Calo(me)

Calo(me)

Calando em mim a arte e o ensejo…
Se nada de mim se aprouver
Nas palavras que dito, desbocado
Bafejando a calçada despida de vida,
Tudo do mundo que ainda houver,
Por nada de mim será calado,
Num tudo esquecido, hoje lembrado!

Milagre, nem chegada, nem partida,
Metade de mim, é assim desvairado,
Metade de mim, será apenas a vida!

Alberto Cuddel
07/02/2017

De mim

De mim

Desfolhou-se a tarde no meu olhar
Inverneira, cinzenta, suicida paixão
O sol que me acalentava o coração
Havia morrido ali, bem longe de ti!

No teu amar não existo, apenas existes em mim
Não te compadeças das quimeras, apenas por fim
Dos beijos que morreram no desejo dos teus lábios
Olha as estrelas, videntes, cartomantes e sábios
De mim, tudo na transparência certa do ser pleno
Perguntas e certezas inscritas na perpétua areia
Lavradas e gravadas em ondas de um mar sereno
No brilho do orvalho matutino, noite de lua cheia!

Encontrei-me ao amar-te,
No espelho dos dias, vejo-te,
Não me encontro, ali, na solidão,
Para me ver, olho-te no doce olhar,
E nesse mar, onde habita a paixão,
Encontro-me, descobrindo o ato de amar!

Alberto Cuddel
De Mim Pra Ti – Miká Penha – 2016 – ISBN: 978-989-691-499-8

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