Espero desesperando

Espero desesperando

“Quantas vezes espero egoisticamente
Num acto puramente narcisista de ser poeta
Que me leiam e reconheçam, valor”

Nunca palavras soltas me emprestam rimas
No sentido desinteressado de ser poesia
Onde me vês beleza? Sente-me sentindo-te
Nunca me ficarás a dever a leitura, o ler…

Na vã poesia de que me acusam, finjo
Emprestando-me as palavras, sinto-me
Não ludíbrio, mentindo-me, espero apenas
Desesperando que me aceite o que sou
Actor atento dos que não escrevem
De todos os que gloriosamente sentem…

Nunca me importei com quem bate na porta
Abro-a a quem desejo, escuto apenas sons
Solto esperanças e desejos de olhares sábios
Olhos que me devoram a alma, que sentem
Longas folhas brancas, letras negras
A luz no brilho do olhar, criança
Na alegria de me encontrar finito
Num sentir alheio a minha dura vontade…

Olho um poema como único, sem dono
O dono sou eu, a mão que o escreveu
Desconhece-me no que nunca fui…

Alberto Cuddel
31/01/2018
21:00

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